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Gripezinha: as variantes de Bolsonaro

Na última semana, o Brasil alcançou a média de 2 mil mortes em decorrência da Covid-19, junto das novas variantes e a demora na vacinação da população

diario da manha
(Foto: TV Brasil/Reprodução)

Máscaras e vacinas deram lugar ao negacionismo de Jair Bolsonaro (sem partido), o qual sancionou nesta quarta-feira (10) uma lei que facilita a compra de vacinas contra a covid-19. Houve uma mudança significativa nas declarações, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, anular todas as condenações do ex-presidente Lula, e reestabelecer os direitos políticos do petista. Fato que é mostrado conforme vídeo das entrevistas coletivas concedidas por ambos na última quinta-feira (11) e que mostra trechos dos discursos.

Contudo, horas depois foi pedido no canal de Flávio Bolsonaro, no Telegram, a viralização do novo posicionamento em relação às vacinas. No entanto, essa foi apenas uma das várias tentativas do presidente de salvar a economia antes da população. Por outro lado, durante o governo Trump, Bolsonaro tornou-se exímio defensor da hidroxicloroquina. Além disso, desmereceu a “gripezinha” ao mencionar que não morreriam nem 800 pessoas.

Desde o começo da pandemia de covid-19 em março de 2020, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mostrou-se negacionista e indiferente. Com suas falas polêmicas sobre a doença e o desrespeito às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), Jair alegou que tudo não se passava de uma “gripezinha”. Por outro lado, àquela altura já era discutido o Auxílio Emergencial, cujo valor proposto era de R$ 200. Em seguida foi convertido para parcelas de R$ 600.

Contudo, a saga das declarações teve início em suas redes sociais, principalmente no Twitter, ainda durante a corrida presidencial. Deste modo, a polarização era evidente, e serviu como base para os ataques do atual presidente à imprensa.

“Depois da facada, não vai ser uma ‘gripezinha’ que vai me derrubar.”

O Brasil registrava suas primeiras dez mortes em 24 de março pelo coronavírus enquanto várias cidades decretavam quarentena. Em contrapartida, Bolsonaro tentava amenizar que a contaminação pelo coronavírus seria como uma “gripezinha” ou “resfriadinho”.

Quando questionado sobre os números de mortes pela doença, que alcançou a marca de 5 mil, superando a China, Bolsonaro respondeu:

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre”, disse o presidente.

No entanto, na mesma entrevista, Bolsonaro disse se solidarizar com as famílias das vítimas.

“Lamento a situação que nós atravessamos com o vírus. Nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, que a grande parte eram pessoas idosas”, ponderou.

Além disso, o termo “gripezinha” foi usado por quase um ano, enquanto disse que não haveria muitas mortes. Do mesmo modo que ignorava as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), Bolsonaro seguia a dar declarações e acusar fortemente a imprensa.

Hidroxicloroquina contra a ‘gripezinha’

Antes de mais nada, a hidroxicloroquina é indicada para o tratamento de lúpus eritematoso, afeções dermatológicas e malária. Contudo, com o começo da pandemia, foi avaliada a possibilidade de usar a medicação combinada com azitromicina para tratar da Covid-19. Deste modo, eram dirigidos estudos voltados à sua capacidade de resposta aliada à evolução do quadro clínico do paciente. Porém, foi comprovado que o uso sozinho ou conjunto das medicações não era eficaz, mesmo que de “preventivamente”.

No entanto, as vacinas seguiam em fase de desenvolvimento, estudos e testes. Além disso, de acordo com o médico e advogado Daniel Dourado, Bolsonaro ainda pode ser enquadrado por infração de medida sanitária preventiva (artigo 268 do Código Penal).

Por essa lógica, ele está indo contra determinação do poder público, com as normas sanitárias para diminuir a propagação da pandemia, em vez de incentivar o que deve ser feito, máscara, distanciamento, ele está incentivando outra coisa”, afirma Dourado ao UOL.

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Nas redes sociais, houveram montagens da foto de Bolsonaro com a ema (Foto: Adriano Machado/REUTERS)

Auxílio emergencial: uma luz no fim do túnel?

Com a queda da atividade econômica e a renda das famílias e empresas, foi criado o Auxílio Emergencial. O programa tinha como premissa retomar a demanda, mesmo que a produção das empresas caísse consideravelmente. De acordo com o economista do Instituto Brasileiro de Economia, André Braz, houve maior concentração de gastos em itens básicos e taxa de poupança.

“Para famílias mais pobres, o Auxílio Emergencial triplica a renda e valeu para intensificar compras no mercado, por exemplo. Para quem ganha um pouco mais, a flexibilização da circulação ajudou a aumentar a renda”, afirma André Braz ao THN1

Além disso, os gastos federais com tentativas de conter os efeitos da pandemia já somam R$ 615 bilhões. De acordo com o Tesouro Nacional, a resposta do governo garantiu alívio para as empresas e trabalhadores, mas botou dúvidas a saúde da conta pública e sustentabilidade fiscal do Brasil.

Contudo, foi necessário empenho devido à elevação expressiva dos gastos em saúde, para que fosse possível salvar vidas. No entanto, com o elevado número de mortes, fechamento de comércios e indústrias, os trabalhadores foram os mais atingidos. Pois, ainda era necessário que os mesmos saíssem de casa para dar seguimento na rotina, fazendo com a pandemia não estivesse “presente”.

Charge publicada por Cecila Ramos no Twitter. (Arte: Cecila Ramos/Cartumante)

No entanto, o descompasso entre oferta e demanda, junto da desvalorização do real pioraram os índices de inflação. Deste modo, no 1º trimestre de 2020, o PIB brasileiro recuou -1,5%. Além disso, o auxílio emergencial, junto do Bolsa Família, foi um dos programas de transferência de renda que beneficiou 13,5% da população.

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