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'Desde a criação do DIP, a imprensa conquistou grande liberdade de atuação', diz professor

Criado em 27 de dezembro de 1939, o órgão representou uma tentativa de controlar com mais eficácia os discursos que circulavam em jornais e seus anúncios, panfletos, cartazes e emissões de rádio

diario da manha
Foto: Freepik

As atividades de imprensa e de propaganda sempre existiram como empreendimentos autônomos muito antes da criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em 27 de dezembro de 1939. Segundo o Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas, Professor de Jornalismo e Comunicólogo, Raniê Solarevisky de Jesus, o que o órgão representou foi uma tentativa de controlar com mais eficácia os discursos que circulavam em jornais e seus anúncios, panfletos, cartazes e emissões de rádio.

“Desde a criação do DIP, a imprensa conquistou grande liberdade de atuação, mas recentemente essa qualidade inerente às democracias vem sendo ameaçada por alguns ocupantes temporários dos cargos do Estado, que promovem e estimulam agressões verbais e físicas aos profissionais do setor”, afirma Raniê.

Conforme o professor, o setor de Propaganda que operou durante muito tempo sem muitos limites legislativos, passou a ser cada vez mais regulado pelo Estado (inclusive auditando a própria publicidade) e regulamentado por conselhos e entidades de classe, no interesse de propor ações e peças que fossem socialmente responsáveis.

“No entanto, o que pode ser colocado como uma constante na história da propaganda e sobretudo da imprensa no Brasil, mesmo com flutuações ao longo do tempo, é a grande dependência de financiamento do setor público”, ressalta Raniê.

Atualmente, tanto a imprensa quanto o setor de publicidade e propaganda lidam com muitos desafios específicos de suas áreas, mas há problemas que parecem possuir origens comuns. Uma delas é a reconfiguração dos serviços, públicos e interesses provocada pelo uso generalizado e crescente de plataformas, baseadas nas operações com os dados de seus usuários e operadas por um pequeno grupo de grandes companhias de tecnologia.

“Isso criou um contexto de busca pela velocidade e atenção momentânea, em detrimento da valorização da apuração, da transparência e da profundidade na conexão com os públicos. Intensificamos o culto à antecipação e suas pretensas novidades e facilidades, ao invés de ler o passado com cuidado e construir significado sobre as bases do que a História entregou ao presente”, afirma o comunicólogo.

Segundo Raniê, outros desafios que exigem atualização, pesquisa e avaliação contínua por parte desses setores incluem a falta de diversidade dentro das redações e agências, o impacto ambiental material de suas atividades e de seus associados, a formação deficiente e estática de seus gestores e funcionários, e o desequilíbrio ético entre as decisões corporativas e os discursos dos seus produtos informacionais.

Para o professor, tanto no Jornalismo quanto na Publicidade e Propaganda, há mudanças positivas em curso que podem apontar boas perspectivas para a superação dos problemas apontados. Veja abaixo:

  • A adequação de linhas editorais e discursos publicitários às demandas éticas de seus públicos;
  • O uso de ferramentas e plataformas capazes de romper a pequena bolha do GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft);
  • A observação do trato responsável e transparente dos dados de seus públicos, clientes e associados;
  • A oferta de cursos e estímulo à formação contínua de suas equipes de produção;
  • A contratação de profissionais de outras áreas, para além da comunicação;
  • O resgate de preceitos elementares dos códigos deontológicos de cada área;
  • A adoção de políticas internas efetivas de cotas para grupos vulneráveis ou historicamente desfavorecidos;
  • A criação de programas de compensação de emissões de carbono e de ações ambientalmente sustentáveis.

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