Brasil

A ausência de Paulo Garcia

Redação DM

Publicado em 12 de novembro de 2016 às 01:44 | Atualizado há 10 anos

O prefeito Paulo Garcia (PT) disse, semana passada, em entrevista para o jornalista Jackson Abrão, que fez “mais que qualquer um” que o antecedeu. Logo ele, avaliado como o pior prefeito de Goiânia e o segundo pior das capitais brasileiras.

Conheço o prefeito há mais de vinte anos e até agora não há provas de que ele tenha sido desonesto em sua vida política. Não se pode afirmar que ele roubou. Entretanto, há outras considerações a se fazer.

Médico neurocirurgião, Garcia teve curta carreira política: derrotado para vereador em 2000 e eleito deputado estadual em 2002, não conseguiu ser reeleito em 2006 e neste mesmo ano tentou (sou testemunha) a vaga de vice-governador na chapa encabeçada por Maguito Vilela. O PT preferiu indicar outro médico: Valdir Camarço.

Já em 2008, testemunhei novamente uma tentativa dele junto ao PMDB: pleiteou e conseguiu a vaga de vice-prefeito assumindo a Prefeitura em 2010 quando Iris renunciou para ser candidato a governador. Foi reeleito no 1º turno graças ao apoio de Iris. Sem isso, jamais teria conseguido.

Apesar de ter apenas 14 anos de trajetória política, Paulo Garcia acumula índices de rejeição gigantescos porque a população de Goiânia, na gestão dele, padece com a falta de direitos básicos como a saúde, a educação, a mobilidade, a assistência social e tantos outros. Se o povo sofre, não há como ter desenvolvimento.

Na terça-feira, dia 1º, vimos a imprensa televisiva mostrar que os pacientes que necessitam de hemodiálise em Goiânia estavam sem atendimento devido a atrasos no repasse de recursos que já haviam sido repassados pelo Ministério da Saúde para a prefeitura. Além disso, falta de tudo  nas unidades de Saúde e os servidores enfrentam terríveis condições de trabalho.

No Dia de Finados vimos que quem tem que cuidar dos jazigos no Cemitério Parque de Goiânia são os familiares, segundo a Secretaria de Assistência Social. Mães reclamam da falta de vagas nos Cmeis, ruas esburacadas por toda a cidade e há lixo amontoado em parques e vias. São reflexos de uma gestão que rende notícias preocupantes diariamente. Nesta última sexta, 4, vi numa matéria do canal Globonews que Goiânia está entre as nove capitais brasileiras em pior situação financeira.

É por tudo isso que comentaristas, analistas políticos, técnicos das mais diversas áreas e também as pessoas nas ruas afirmam que o prefeito Iris terá muito trabalho para vencer o imenso desafio de organizar as secretarias e melhorar a vida dos goianienses, necessitados de uma administração pública eficiente e ágil.

Não é pouca coisa: só um grande gestor pode reerguer Goiânia. Iris é esse homem. Ele é o melhor prefeito que a capital já teve, até seus adversários políticos sempre reconheceram a qualidade, a ousadia e a capacidade mobilizadora das gestões iristas. Nenhum adversário, mesmos dentre os mais aguerridos, consegue criticá-lo sem ressaltar a coragem, o trabalho e a competência de Iris, reeleito prefeito em 2008 com mais de 70% dos votos válidos.

Para se ter uma ideia, dentre tantas realizações, destaco que nas duas últimas gestões de Iris na Capital ele transformou todos os Cais em unidades 24h, criou o Teleconsulta, viabilizou o plantio de mais de um milhão de árvores, construiu mais de 400 praças e 10 parques, deixou mais de 28 milhões em caixa para a construção da nova maternidade Dona Iris (cuja licitação da obra se deu em sua gestão), reformou terminais e trocou a frota de ônibus (todos adaptados para os portadores de necessidades especiais), construiu mais de 10 mil casas populares, criou o Programa de Coleta Seletiva, fez escolas de tempo integral e Cmeis.

Paulo Garcia não soube aproveitar o legado que Iris Rezende o proporcionou. Não honrou a confiança da população e repete um erro de seu partido, o PT: o de não ter a coragem e a humildade necessárias para admitir os próprios erros e buscar alternativas melhores na prática. Repito aqui o que tenho dito: não adianta nada um gestor viajar pelo mundo com assessores e comitivas às custas dos cofres públicos conhecendo cidades desenvolvidas e projetos fantásticos e se ausentar dos problemas mais essenciais de sua própria cidade.

 

(Paulo Rassi, médico e ex-secretário de Saúde de Goiânia e de Aparecida de Goiânia)


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