Brasil

“A comédia é um jeito inteligente de ver o mundo”

Redação DM

Publicado em 20 de agosto de 2016 às 00:20 | Atualizado há 10 anos

Um domingo tranquilo, bom para ir ao teatro, o qual estava com a plateia inferior parcialmente lotada. Na primeira fila o cantor sertanejo Leonardo também aguardava o início do espetáculo, que começou com alguns minutos de atraso.
Comédia divertida, humor inteligente, sem apelo sexual, nem grotesco. Palco colorido, um belo trabalho de iluminação. Ele canta, dança e consegue segurar o público durante toda a peça, a qual teve uma hora de duração, em alguns outros lugares já foi até por volta de uma hora e trinta minutos, contudo, para nós foram sessenta minutos mesmo.
Escrita por Eri Johnson, fazendo uma mistura de histórias reais e fictícias, vai interpretando alguns personagens da sua carreira entre eles o gay Lulu da novela Barriga de Aluguel, de Glória Perez, com direção de Wolf Maya. Além dos personagens, fazem parte também da peça a imitação de pessoas famosas, como o ex-jogador de futebol e hoje senador Romário, imitou também Alexandre Frota, Lula, papa, Caetano Veloso, Evandro Mesquita e tantos outros. Conversei com Eri Johnson após a apresentação de domingo, ele fez questão de tirar fotos com todas as pessoas que aguardaram na fila, algo bem simpático da sua parte, pois geralmente o artista permite só a entrada de algumas pessoas.
Como foi a receptividade do público goiano? – Eri Johnson: “É sempre muito bom, gosto de estar aqui, porque aqui tenho amigos, pessoas que gostam de teatro, gostam de entretenimento, gostam de cultura e eu gosto muito de estar nos lugares que tem uma plateia, um público caloroso como esse aqui de Goiânia; que gosta de tudo, de música, gosta de teatro, tem o gosto para a qualidade e eu acho perfeito.”
Falando em qualidade nós vemos no humor em geral a coisa do apelativo, já o seu é tranquilo, faz a plateia rir bastante sem esse tipo de apelação, fale desse processo de criação. – Eri Johnson: “Meu pai e minha mãe me deram educação, me deram carinho, amor e com a educação de casa eu levei para o palco para a minha profissão. O respeito pelo espectador, respeito para quem sai de casa para mim assistir, eu acho que a gente, acho não, é obrigação nossa que vamos para o palco de sermos educados, respeitosos e eu não consigo entender fazer comédia se não for com qualidade, fazer drama se não for com qualidade, qualquer coisa que se faça profissionalmente tem que ter qualidade.”
Em relação a família como está? Você comentou que que agora é o “nós” não tem tanto aquela questão do eu. – Eri Johnson: “Mas quando eu estava namorando aí e tal é sempre nós, né? Mas, é nós… Se nós pesarmos no plural é mais legal, pensar no singular é ruim, quando você pensa em nós, nas pessoas, fica mais próximo de Deus.”
Na peça tem um momento bem introspectivo, ele faz um homenagem a seus pais, um momento que a plateia respeita bem e logo em seguida ele já desce para interagir com as pessoas, inclusive com o Leonardo, que subiu no palco, fez a plateia rir também e cantou a música “um sonhador”.
Eri Johnson está muito bem nessa peça, não por acaso que está há muitos anos em cartaz e Goiânia sempre sabe corresponder aos bons espetáculos. A vinda dele aqui na nossa capital é graças ao bom trabalho que a Cultura do Riso vem desenvolvendo.

(Edson Barbosa, escritor, fotógrafo, educador, produtor cultural, articulista do Diário da Manhã, editor-geral do Portal Santa Dica, diretor da EBN Produções Artísticas. [email protected])

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