Brasil

A defesa do devido lugar

Redação DM

Publicado em 17 de junho de 2016 às 01:46 | Atualizado há 10 anos

A crise econômica vivida hoje pelo Brasil é maior do que a de 1929 e 30, quando o café, nosso principal produto de exportação, teve de ser queimado na tentativa desesperada de fazer seu preço reagir no mercado internacional, adverte o ministro da Fazenda.

Bom que o Brasil de hoje não é o mesmo de oito décadas atrás e, apesar da magnitude do problema, por sua diversificação na economia e pela crise não ser mundial, como a daquela época, atualmente temos melhores condições de resolvê-la com medidas internas.

O primeiro mês de Michel Temer à frente do governo já dá sinais de pequeno reequilíbrio em alguns setores e, principalmente, desperta a confiança do empresariado, que fala em voltar a investir.

É inoportuno, até impatriótico, no entanto, a forma que a presidente afastada e aqueles que a seguem, se comportam. A partir do momento em que temos um processo de impeachment instalado e sob responsabilidade do Senado Federal, é justíssimo que Dilma Rousseff e seus aliados ali desenvolvam sua defesa e, principalmente, tentem convencer senadores a desaprovarem a concretização do encerramento do seu mandato. Aliás, é o único lugar onde podem ter a esperança de algum sucesso nessa empreitada. Já, o ativismo de entrevistas nacionais e internacionais que acabam denegrindo a imagem do governo provisório e do próprio país, e a tentativa de mobilização das massas, nos parecem impróprios, até ilegais.

Mais do que ter Dilma Rousseff ou Michel Temer à frente do governo, interessa à população desengajada politicamente ter um país com a economia recolocada em seu lugar e as instituições funcionando a contento, com garantia de emprego, ordem pública, saúde, trabalho, etc.

Nesse momento, em que a decisão está circunscrita ao Senado, dentro do devido processo legal, já definido e supervisionado pelo Supremo Tribunal Federal, tudo o que se fizer fora do processo será, no mínimo, uma extrapolação. Os blefes da “greve geral”, do “incendiar o país” e de por o povo na rua para protestar em nome da democracia, são extemporâneos e podem, apenas, levar ao confronto, nunca à solução.

Os favoráveis e os contrários ao impeachment já tiveram a oportunidade de colocar suas posições em grandes manifestações públicas. Tanto que o processo evoluiu e hoje está em sua última instância, conforme determina a Constituição e atesta o STF.

Convocar o povo para se manifestar nesse momento é, acima de tudo, desrespeito ao próprio povo e falta de confiança nas instituições. Não ajuda em nada na solução da crise. Pensemos nisso…

 

Dirceu Cardoso Gonçalves, tenente, dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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