Brasil

A esperança vai triunfar

Redação DM

Publicado em 25 de agosto de 2016 às 02:17 | Atualizado há 10 anos

Vivi na quinta-feira (18/08) uma tarde de grandes emoções ao lado de companheiros(as)  quando da realização da quarta edição do  Fórum Nacional de Direitos Humanos pela Democracia promovida pela  Secretaria Municipal de Direitos Humano e pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Ao longo de cinco horas debatemos, discutimos e ouvimos com atenção relatos de atentados aos direitos humanos praticados por grupos para-militares, pelo Estado e por pessoas e organizações que não acreditam que é possível um mundo com justiça, liberdade, democracia e paz.

Nos depoimentos de vítimas, percebemos  a intransigência de grupos econômicos e políticos em aceitar as  lutas pelo fim das desigualdades no Brasil e em  nosso Estado. Ouvimos que índios até hoje, mais de 500 anos depois de Cabral, continuam sendo assassinados. Que empresas, que não pagam nem impostos sobre o uso da terra  e tem milhares de ações trabalhistas continuam achando que estamos na época das Sesmarias e Capitanias Hereditárias.

Triste vergonha. Lágrimas escorreram sobre a face de uma jovem de 17 anos ao relatar que seu pai está preso por conta da luta que faz por um pedaço de terra  em Santa Helena. Apenas um pedaço, elenHelehhhh neste país que tem o terceiro maior território do mundo. Ouvir de um índio de Mato Grosso do Sul que suas terras não foram demarcadas e que até hoje tem primos e parentes sendo assassinados. Vergonha triste.

Sindicalistas preocupados com o que o governo interino e golpista de Michel Temer vem fazendo para acabar com os direitos conquistados ao longo de muitos anos e sofrimentos. Achava, eu, há poucos meses que esse desmonte social não mais seria possível. Ledo engano e, paradoxalmente, crença que se reafirma. As conquistas são resultados de muito trabalho e lutas.

Saí dali com a certeza de que 74 anos de vida ainda não foram suficientes para mostrar a mim de que um mundo justo seja possível. Até hoje não, mas idade não me faz perder o ânimo. Ao contrário, me mostra que tenho que continuar e que a caminhada é longa. Ao lado de muitos brasileiros vou continuar tendo esperança.

Assim como fez o técnico Zé Roberto (vôlei feminino) ao neto em prantos ao ser desclassificado da olimpíada, quero dizer também ao meu neto que a vida é feita também de derrotas e que o mais importante é acreditar que no próximo jogo você  vai ganhar. Continuo com a esperança de construir um país com justiça, liberdade, paz e democracia. Convido você a estar comigo nesta empreitada.

 

(Pedro Wilson Guimarães, secretário municipal de Direitos Humanos)

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