Brasil

A maior felicidade

Redação DM

Publicado em 19 de janeiro de 2016 às 00:24 | Atualizado há 10 anos

O trabalhador espírita chegou em visita a uma grande empresa jornalística, cujo diretor era antigo amigo seu.

Depois das saudações de início, começaram a conversar. Dizia o diretor da vasta organização:

– Ainda continuas tocando o orfanato?

– Sim.

– Quanto ganhas para te dedicares com tanto carinho àquilo lá?

– Em dinheiro, nada. Vivo daquilo que as crianças vivem.

– Dizem que trabalhas muito e tudo que fazes revertes para aquela instituição?

– É verdade. Pena que a gente tem as próprias limitações. Se não fosse isto, queria fazer muito mais pelos pequeninos que ali vivem.

– Pretendo te fazer uma proposta: – disse o diretor ao espírita. Conheço os teus méritos intelectuais, a tua imaginação muito fértil e o teu gênio criador…

– Ora, Ribeiro, eu não sou nada disso. Apenas me esforço para ser útil nalguma coisa…

– Deixa de tolices, rapaz! Eu sei que estás seguro da tua capacidade. Por isso, esquece tua falsa modéstia e escuta o que te vou sugerir: entregarás o orfanato para o Estado, deixando-o por conta do Governo, e virás trabalhar comigo aqui nesta empresa. Nós te pagaremos 10 mil cruzeiros mensais. Dentro de dois meses, no máximo, com os teus dons e talentos especiais, ficarás rico, muito rico… Então, que tal?

Mas quando o diretor olhou para o amigo, este estava pálido e muito triste.

–  O que tens?

E o espírita lhe disse:

– Achas, então, que existe maior tesouro do que ter 200 pequenos órfãos? E pensas que há felicidade mais completa do que pertencer a um punhado de crianças? Pois eu te digo que tesouro nenhum na terra vale mais do que o menor dos meus pequeninos, e que a maior felicidade não está em receber muito, mas em doar-se totalmente…

 

(Iron Junqueira, escritor)

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