A quem interessa?
Redação DM
Publicado em 16 de maio de 2017 às 02:40 | Atualizado há 9 anos
Esta é a pergunta.
As instituições enfraquecidas em nada contribuem para que os poderes cumpram suas funções de acordo com o interesse público, para as quais unicamente deveriam existir.
Um poder desmoralizado, desacreditado, achincalhado, sem o respeito dos seus subordinados nenhum valor acrescenta à ordem que a sociedade precisa para que sejamos diferenciados dos bichos.
Como temos enormes dificuldades em distinguirmos mentiras de fatos verdadeiros sempre embarcamos emocionalmente na primeira informação que, à primeira vista, bate com o que pensamos, e, logo curtimos ou compartilhamos. O resultado depois que se dane, sem refletir o tamanho do estrago.
A partir do momento em que qualquer executivo, qualquer legislativo, qualquer judiciário vira chacota a governabilidade já está em xeque.
Um povo que se vinga, apenas com pilherias na internet, daqueles que o desrespeita com malversações de recursos da gestão pública, se contenta com muito pouco.
O enfrentamento que o povo deve exercer, em vez de execrações em formato de piadas, é utilizar o comando dado pela Constituição, já em seu Art. 1º, Parágrafo único, “Todo o poder emana do povo,…”. Fora disso, o círculo continua vicioso e tudo termina sempre no lugar comum de apenas críticas e nada de transformações.
Delações premiadas, espetáculos midiáticos nas investigações e nos próprios julgamentos, prisões e até alguns milhões de reais já retornados aos cofres públicos à parte, continuar com o mesmo sistema político e essa mesma gente compondo os poderes é o mesmo que dar continuidade ao estado das coisas: nada vai mudar!
Amigo, quer saber, eu que sou político, de larga vivência e convivência nesse ambiente, não aguento mais ver tanta cara de pau. Um governo ao deus-dará. Tudo tem limite!
(Iram Saraiva, ministro emérito do Tribunal de Contas da União)