A saudade brilha
Redação DM
Publicado em 17 de outubro de 2015 às 23:12 | Atualizado há 11 anosEra o ano de 1988, ano de recordações vibrantes que enaltecem a minha alma de uma alegria que nunca cessara ficando arquivada em minha mente e em meu coração como força preponderante para mudar os destinos de vida que iriam acontecer.
Nesta época a simplicidade era a grande simbologia que manifestara nos olhares de mundo puros e sem maldade, de um desejo que gostaria que voltasse, mas estará sempre guardada no intimo do meu pensamento e da minha vida.
Lembro da grandiosidade dos dias de sábado, andar pelas ruas da pequena Janaíba interior de Goiás, juntamente com meus irmãos: Marcelo, Jairo, Carlos, Catarina e eu Jerônimo, em uma felicidade, pois aqueles momentos seriam únicos que se eternizariam em nossos corações adormecidos pelas lembranças que um dia iriam retornar.
Aqueles ares provincianos de singularidade trariam também a harmonia de conhecer uma moça linda olhos azuis, cabelos negros que se chamava Helena, Helena era angelical, bonita, mas de uma humildade que conquistava a todos que tinham a sua amizade sendo disponível a ajudar quem precisasse de sua ajuda.
Recordo que a conheci no baile do João Alegria que era a atração preferida dos jovens de Janaíba, ao som da banda A-HA grupo norueguês que fazia muito sucesso na época e de que faz parte de nossas memórias para sempre que era tocado em um aparelho acústico e tinha um globo no teto que iluminava o chão onde pisávamos tudo era o cenário perfeito para que depois dissesse a ela todo meu sentimento desde o primeiro instante que a vi, então criei coragem e falei após dançarmos algumas musicas. Por fim disse:
– Helena gostaria de falar com você?
Em seguida ela respondeu:
– O que foi Jerônimo?
Nesse instante falei:
– È que desde o primeiro instante que a vi, gostei de você gostaria de lhe perguntar se aceitaria namorar comigo.
Em seguida ela respondeu com ar de espanto
– Nossa! Não sabia que tinha este sentimento por mim, fico lisonjeada com seu carinho, acho que podemos tentar, estou sozinha sem namorar, aceito sim namorar com você.
Diante daquela afirmativa que encheu de alegria meu coração a abracei e a beijei com muita felicidade, ficando gravados estes momentos em minha cabeça como algo que ficaria eterno em nossas vidas. Após longos anos estudando e trabalhando, conclui o primeiro grau hoje ensino fundamental e o segundo grau hoje ensino médio, tanto eu e meus irmãos e Catarina queríamos alçar vôos grandiosos em nossos objetivos.
Depois de muita luta mudamos para Goiânia Capital do Estado de Goiás e alugamos uma casa que ficara no bairro de Campinas um bairro antigo da Capital em que a casa era verde, com um alpendre, quatro quartos, uma cozinha e uma sala estar onde morávamos eu e meus irmãos. Com minha ajuda consegui arrumar uma casa para Catarina que era de frente a nossa e que o dono também queria alugar e fez um bom preço pelo aluguel, pois viu que Catarina era de uma família que podia pagar, pois seu pai era o Farmacêutico Elias muito conhecido em toda Janaíba e que prestava bons serviços e era uma pessoa muito honesta e trabalhadora.
Galgando passos em nossas vidas, batalhando por nossos ideais conseguimos realizar o grande sonho de formarmos em nossos respectivos cursos: Eu Jerônimo em Arquitetura, Marcelo Engenharia Civil, Jairo Geografia, Carlos História e Catarina em Comunicação Social, Jornalismo, Helena minha namorada havia concluído o Curso de Sociologia todos nós atuando em nossas áreas que havíamos escolhido.
O tempo passa já estamos em 2015 e com ele muitos fatos, situações e enredos mudam nosso ideário de conquistas, hoje casado com Helena o grande amor da minha vida e com meus filhos: Escobar, Gabriel, Fernando e Ana Paula, vivemos a felicidade, mas a sintonia irradia a saudade não descrita nestas linhas, saudades eternas de meus pais Rodrigo e Francisca que ensinaram o principio da bondade e a luta diária por nossos objetivos que ultrapassaríamos todos os obstáculos da vida.
Meditando tudo isso voltei a Janaíba depois de muito tempo, a cidade havia mudado, aqueles lugares inesquecíveis davam lugar a imponentes prédios que nem longe lembravam a simplicidade que ali se notava de uma harmonia serena que embeleza a vida, com a singeleza da sua expressão cotidiana.
Olhando tudo quis voltar ao passado, mas a ele não se voltara, pois é um registro único de intensa celebração, aquele microcosmo de mundo tinha ficado para trás e ficaria sempre ilustrado nas minhas lembranças, A Saudade Brilha, ilumina para sempre em um contexto infinito de belos cenários que guardarei de tempo em tempos para ficar no firmamento.
(Ruy da Penha Lôbo – Graduado em Letras Espanhol – UCG – Hoje Puc Goiás – blog http://imruy.blogspot.com twitter: @ penha Lobo – residente em Bonfinòpolis – Goiás)