A soberania que diferencia um rei de um presidente
Redação DM
Publicado em 9 de setembro de 2016 às 01:53 | Atualizado há 10 anosA complexidade, a ampliação e a evolução da sociedade na terra é fator de permanente estudo e de preocupação, inicialmente apenas da elite ou elites, atualmente de grupos heterogênios nascidos com as mudanças e intercâmbio da sociedade cada vez mais presente na divisão de preocupações e espaços que promovem a integração do individual em coletivo, ou de mais acentuada compreensão em comum a todos os seres do gênero humano, independentemente da origem, pais, raça, cor, língua, idade ou sexo.
A guerra está presente na vida animal. O homem, como animal, mais do que a fúria para sobreviver reúne além do instinto a razão que o diferencia de todos os demais seres terrenos, fator, portanto, crucial para a sua permanente evolução. Enquanto o irracional usa a força e a sagacidade unicamente para existir e resistir o racional tem potencial para impor, sobreviver, crescer e evoluir. É certo, também, que somente o raciocínio não representa a garantia de sua metamorfose. Ao lado do raciocínio o homem desenvolve o desejo de dominar e de possuir. Independentemente do prazo de validade ou de se manter vivo e capaz de exercitar a sua vontade o animal humano cria vínculos e laços de envolvimento e de pertencimento comum a qualquer tipo de animal terreno.
Considerando o animal homem com capacidade de promover a sua evolução, compreende-se, por conseguinte, a sua habilidade na saga gloriosa da civilização por todos os quadrantes da terra, mas, com um alerta para a ambição e o desejo de muitos alguns que foram capazes de escrever a ascensão e o esplendor monumental de um capítulo da história da humanidade e, também, de um colapso fatídico e monstruoso escrito com sangue e lágrimas em períodos distintos da civilização, em especial um mais atual e que ainda se mantém retido na memória, na retina e na carne de muitos sobreviventes e incontáveis outras testemunhas que acompanharam as atrocidades da segunda grande guerra que se veste até o presente como a nódoa mais desumana e bárbara, que são as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki, despejadas friamente por uma nação cujos dirigentes ainda não tiveram a dignidade de pedir perdão aos japoneses pela criminosa carnificina mortal e impiedosa que ainda hoje é capaz de fazer corar o mais sanguinário e cruel homicida sobre a face da terra.
Assim como o mau não só produz o mal e o bem não só produz o bem, o morno que se anunciava ser vomitado por não ser quente nem frio já de há muito passou a conviver e transitar nos espaços comuns da sociedade e, insinuante, conseguiu se infiltrar e se impor como instrumento eficaz na pacificação dos conflitos humanos. O freio e o cabresto criado para muares, eqüinos e assemelhados é hoje ferramenta especialmente destinada a controlar a única espécie animal de primata bípede do gênero homo ainda viva através da imposição de taras, desvios e imoralidades de toda ordem sob a égide de uma justiça deturpada, caolha e canalha na martelada e pregação de imoralidades com afirmativas para tudo se permitir sob a palavra de ordem: “junto e misturado”.
As soberanias são diferentes. Na monarquia a soberania é do rei por ser representante de Deus na ordem temporal, assim, nele todos os poderes se concentram e não se admite limitações, portanto, originária, ilimitada, absoluta, perpétua e irresponsável. Já a democracia que dispomos nos Brasil é compreendida como o exercício direto e temporário de um governo eleito pelo povo através do voto livre do cidadão.
Será que existe no Brasil algum político ou partido que deseja se perpetuar no poder? Quando a realidade social se apresenta acenando que a soberania de uma lei é à força das armas e a da democracia o povo compreende-se rápida, e sabiamente, qual é verdadeiramente a soberania que diferencia um rei de um presidente.
(Miron Parreira Veloso, bel.C.Contábeis, g. público, jornalista, radialista, escritor. Livro pub. Gestão Pública – Prática e Teoria – UEG)