A torcida brasileira delira com golaço
Redação DM
Publicado em 15 de janeiro de 2016 às 23:28 | Atualizado há 10 anosProvando que a linguagem do esporte é universal, a imprensa continua, e deve continuar cobrindo o esporte nas diferentes divisões do masculino e feminino. Com a globalização, o que é admirado e aplaudido em qualquer local, pode ser visto e revisto, admirado e aplaudido pelo resto do mundo. Por tudo isso, o gol acrobático de Wendell Lira num lance magistral ocorrido na vitória sobre o Atlético, após passe de Da Matta, ele girou e finalizou com meia-bicicleta quando defendia o Goianésia no Goianão 2015, foi indicado entre os mais bonitos do ano, e foi além, faturou o Prêmio Puskás, superando os craques finalistas Messi e Florenzi. Deu Brasil no Prêmio Puskás, e o goiano Wendell Lira, de 27 anos, torna-se um orgulho para a sofrida torcida brasileira, principalmente depois do vexame da última copa do mundo.
Sem dúvidas, após uma partida de futebol os comentários são focados nos gols assinalados, porém, alguns lances permanecem na memória, mesmo não resultando em gols. Quem acompanha o futebol viu (e verá) belíssimas jogadas como as ocorridas na copa de 70, por exemplo, certamente jamais esquecerá as jogadas de Pelé e companhia, se lembrará da finalização realizada do círculo central, da meia lua no goleiro e do belo cabeceio do Rei que o bom arqueiro fez a defesa. Tendo citado a defesa do goleiro, permitam-me um pequeno parêntese para lembrar que uma equipe é composta de atacantes e defensores, todos devem ser lembrados e valorizados após as conquistas. Voltando ao tema abordado inicialmente, alguns profissionais da crônica esportiva acreditam que o gol do argentino foi o mais bonito do ano passado e, de fato, o lance foi uma pintura semelhante a outros protagonizados por Zico, Maradona, Pelé, Ronaldinho (Fenômeno) e outros. Mas, o golaço do goiano Wendell Lira foi o mais bonito e completamente diferente dos demais, talvez jamais tenha sido visto outro semelhante. Representou muito bem o Brasil e os brasileiros que, como o Lira, usam a criatividade, se esforçam e superam os obstáculos com muita determinação e persistência, especialmente perante as atuais circunstâncias desfavoráveis que estamos vivendo em nosso país, conseguindo até proezas com as escassas condições que possuem. A façanha do atacante de origem humilde, atuando fora dos grandes centros ocorreu perante 342 torcedores no Serra Dourada, quando ele voou debaixo de chuva para acertar uma meia-bicicleta que o levou ao reconhecimento mundial como protagonista do gol mais bonito do mundo em 2015, com certeza receberá homenagens e novas portas se abrirão. Seus sofrimentos, suas lutas, suas derrotas e vitórias serão contadas e seu feito magnífico será eternizado.
Inicialmente, pelo menos a imprensa goiana informava a existência de uma premiação pecuniária, porém, ao que tudo indica, ela não existe e infelizmente o craque só ganhou o troféu. Embora não seja assistência social, ele merecia e precisava muito mais que os medalhões que provavelmente ganham, apenas em um dia, o que talvez ele não ganhe em um mês. Mas, acredito que com a projeção e o reconhecimento surgirão propostas de outros clubes e de campanhas publicitárias. Ele será valorizado e respeitado principalmente pela humildade ao enaltecer os companheiros que participaram com ele na jogada que ficou famosa. Na enciclopédia do futebol constam os nomes de Charles Muller, o inventor da chaleira (termo já quase esquecido atualmente); Leônidas da Silva, conforme os registros, o primeiro a executar o lance da bicicleta; figurando entre outros componentes desta galeria de especiais, encontra-se agora o nome de Wendell Lira, a quem parabenizamos, também por levantar a autoestima do brasileiro, sendo exemplo de garra e determinação a ser seguido mesmo diante das situações mais complicadas. Não existem Golias, por mais fortes e malvados que sejam, que não possam ser vencidos pelos Davis.
(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis, filiado à Associação Goiana de Imprensa)