Brasil

A zika somos nós

Redação DM

Publicado em 7 de março de 2016 às 01:35 | Atualizado há 10 anos

Ainda estamos no início da picada. Sem controle, o mosquito que antes era fonte de alimento natural para seus fiéis predadores, agora é o centro das preocupações mundiais, capaz de carregar consigo talvez o mal desta década e também das próximas. E a culpa é de quem?

Com ótima capacidade de reprodução, de adaptação e de resistência, o Aedes aegypti vem desafiando a ciência e também a astúcia do lar de cada um. Pessoas que são incapazes de cuidar do seu próprio jardim, capazes de encher sua calçada de lixo, e de jogar lixo em qualquer lugar. Esse pequenino inseto vem fazendo um rastro negativo na história das famílias e massacrando projetos e sonhos. E pelo que vemos a solução virá, com os anos, através de uma vacina! Mas até lá precisamos dinamizar as estratégias, consultar grandes especialistas e investir no que for preciso para sanar e diminuir a triste realidade nas vidas das pessoas. Somente as visitas domiciliares não são suficientes e nem serão a solução, pois o mosquito se reproduz numa velha folha caída ao chão, já que sua origem é das matas nativas e ribeirinhas e nós apenas facilitamos sua reprodução com a falta de zelo e higiene em nosso lar.

A Zika somos nós, que contribuímos para sujar a cidade, aquecemos o planeta e desmatamos e incendiamos as nossas florestas, matando predador natural do mosquito na natureza, e assim, trazendo o vetor para os nossos bairros. Sabemos que de cinco produtos do fumacê, quatro já não apresentam efeitos nocivos ao mosquito, pois sua capacidade de se adaptar é enorme. Mas continuamos a liquidar, através deste fumacê, todos os seus predadores naturais nas cidades, e mantemos o mosquito resistente, zunindo nos ouvidos de quem governa e de quem está à beira da morte de tudo o que sonhava. Precisamos traçar medidas eficientes, com multas pesadas, precisamos de mais gente na rua, precisamos de uma verdadeira política de saúde pública, de restaurar a educação básica, de mais pesquisa, de mais ciência, precisamos respeitar a natureza, voltar a ter boas práticas higiênicas, precisamos de mais, muito mais para eliminar esse pequeno gigante mosquito. Precisamos renovar as ideias e os donos delas. Como um profissional da saúde e formador de opinião, lamento profundamente.

 

(Eder Machado, é professor universitário, especialista em docência universitária e fisioterapia hospital)

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia