Brasil

Acorda João e acende a fogueira em meu coração

Redação DM

Publicado em 11 de junho de 2016 às 02:38 | Atualizado há 10 anos

Um povo alegre de sorriso fácil, que gosta de festas e diversões, anima os ambientes com danças e músicas, vive fazendo piadas, mas, também é solidário e trabalhador. Uma das características marcantes do brasileiro é ser capaz de demonstrar alegria. Nossas festas e comemorações populares arrasam em coloridos e muita dinâmica como acontece no Carnaval, Folia de Reis e nas famosas e tradicionais festas juninas. As manifestações e festejos juninos ocorrem em todo o Brasil, embora com algumas diferenças conforme as regiões. Em uma época não muito distante, muitos grupos se organizavam para as danças das quadrilhas; fogos, bombinhas, busca-pés e balões eram comuns; fogueiras e paus de sebo faziam a alegria da criançada. Agora, principalmente nos grandes centros, quase nada acontece, felizmente alguns guerreiros se esforçam para manter um pouco da tradição.  Em meu bairro, por exemplo, o jovem Carlito e outros da região e próximo dela, se desdobram na organização de seus grupos e não deixam a festa acabar.

A fogueira merece destaque entre as tradições juninas. Fogueira sempre foi utilizada com diversos objetivos, tais como promover aquecimento, cozer alimentos, manter animais selvagens afastados, práticas de rituais religiosos, ritos pagãos, festas e divertimento.  Em 1808, ao chegar ao Brasil, a Corte Portuguesa trouxe consigo vários hábitos festivos, revigorando as celebrações urbanas, inclusive as religiosas. Portugal tinha grande reputação pela beleza dos seus fogos de artifício. Também foram adaptadas músicas e danças de salão. A mais conhecida delas resiste até hoje como símbolo da festa: é a quadrilha junina, que ainda é muito comum no Brasil, bem como o acendimento de fogueiras durante as comemorações da festa, sobretudo na noite de São João. Segundo a tradição popular, para cada santo junino, a fogueira tem de ser armada de uma determinada maneira: a de São João deve ter uma base arredondada, já a de Santo Antônio deve ser quadrada e a de São Pedro, triangular. Foi nas áreas urbanas que a festa de São João se tornou um acontecimento de sucesso, ligando os dois principais eixos da vida social: as ruas e as igrejas. Nos dias representados pelos santos, as cidades se iluminam enquanto o chão das ruas é decorado e as janelas, enfeitadas com tecidos e potes de flores. As igrejas reúnem o público em encontros desejosos de ver e serem vistos, bem como, para conversar, assistir às apresentações teatrais de cantos e danças. É a representação teatral da festa caipira, interpretando o matuto, dotado de traços positivos como a ingenuidade e o bom coração. Para muitos, é a mais brasileira das festas.

Entre fogueiras, balões, danças, brincadeiras, música e muita comida, sempre sobram espaços para a convivência e os relacionamentos, que unem as classes sociais, num único objetivo, que é a relação vivencial de todos, sem hierarquia social. Esta festa regional enche os corações de felicidade e sensibiliza o homem a pensar na união e na responsabilidade que cada um tem dentro da sua própria vida. Então sô, “Acorda João e acende a fogueira no meu coração”!

 

(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis, acadêmico de Gestão Pública, filiado à Associação Goiana de Imprensa. E-mail:[email protected])

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