Brasil

Água e lama

Redação DM

Publicado em 26 de agosto de 2016 às 02:14 | Atualizado há 10 anos

Agora ficou fácil. Todo mundo tem o que dizer das falhas, desvios e perdas da companhia Saneamento de Goiás S.A (Saneago). Até a pouco existiam apenas dificuldades a serem vencidas, como a demorada ampliação do Sistema Meia Ponte e a prometida construção do Sistema de abastecimento de Água Corumbá IV.

A empresa pública, inclusive, sem danos aparentes às suas metas, se prestava ao sempre bem vindo apoio a atividades complementares para o desenvolvimento goiano, como o patrocínio de eventos e publicações, em troca do fortalecimento de sua marca.

São vários os exemplos. Assim como, sabemos agora, vários foram os protelamentos de obras importantes na gestão hídrica do Estado e muitas as suspeitas de que parte dos recursos envolvidos tiveram destinação alheia a seus legítimos fins.

Os protelamentos de obras foram reflexo imediato do acompanhamento rigoroso da Controladoria Geral da União (CGU), atual Ministério da Tansparência, que condenou a contratação de serviços e aquisições, e recomendou o cancelamento de contratos devido a sobrepreços e alterações por meio de termos aditivos.

Até ontem, ninguém queria ver ou sequer percebia o que estava por debaixo do tapete: entregas atrasadas, compras fora de hora, ineficiência administrativa e gestão desfocada. Tudo parecia estar a mil, ou melhor, a 999 maravilhas. Da noite para o dia, o 1% se impõem e contamina todo o resto.

Nada, nada, estamos falando de uma empresa cujos serviços prestados se confundem com a história de sucesso do nosso Estado e a relevância do que ele é hoje. Porém, segundo os investigadores da Operação Decantação, foi rompida a barragem que separava os interesses públicos dos privados. E a lama vem inundar a praça pública.

Não fui dos que aplaudiam a gestão temerária da Saneago e tampouco estarei eu agora entre os que lhe atiram pedras sem que antes sejam apontados os pingos nos ‘I”.

A atitude mais uma vez rigorosa do governador Marconi Perillo é esperada. Não para explicar o que não carece de explicação, segundo as evidências policiais, mas para dar satisfação à sociedade com uma reação que estabeleça a imediata correção de rumo.

Para separar a água da lama, a punição exemplar deve ser proporcional à gravidade dos delitos e ações que turvam a confiança no serviço público.

Água limpa, translúcida e corrente, é o que esperamos que saia da torneira do governo quatro vezes eleito pela população goiana. É o mínimo que podemos exigir. Além, é claro, que a propalada (e já comprovada) eficiência da gestão governamental corra atrás do prejuízo e faça chegar a água tratada nos municípios goianos, sem esquecer um minuto sequer do tratamento do seu esgoto.

 

(Px Silveira. Instituto ArteCidadania)

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