Brasil

Aids, responsabilidade de todos

Redação DM

Publicado em 23 de julho de 2016 às 03:30 | Atualizado há 10 anos

Popularmente conhecida como Aids, a sigla da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida é tão complexa quanto o nome. Apesar de ter sido descoberta há anos, o tratamento ainda não tem cura, e por ser altamente infecciosa contamina a cada ano um número assustador de pessoas. Existem várias especulações sobre seu surgimento, algumas teorias com cunhos biológicos outros científicos provocadas intencionalmente, mas a única certeza é que hoje existem milhares de soropositivos que tiveram sua qualidade de vida interrompida e até mesmo debilitada fisicamente, além de sofrerem com preconceito.

O mundo teve que aprender a conhecer a Aids, suas formas de transmissão bem como prevenção. As pessoas mudaram estilos de vida, passando a se cuidar mais, não apenas sexualmente como também no dia a dia ao lidar com objetos perfurantes. A medida em alertaram a doença com intuito preventivo, foi gerando uma conscientização acerca da gravidade e da necessidade proteção. Pesquisas recentes mostram que o Brasil vem na contra mão no combate à transmissão, os casos de aidéticos no nosso país aumentaram ao contrário de outros países.

Diante dessa realidade, fica a preocupação em saber onde erramos quando deveríamos prevenir o contágio ao invés do contrário, tendo em vista que hoje em dia maioria têm mais acesso a informação, divulgação por meio de jornais, televisão, panfletos, campanhas educativas e distribuição gratuita de preservativos nos postos de saúde. Acredito que em tempos atuais é impossível alegar falta de conhecimento dos meios de contaminação, na realidade a sociedade está bem instruída, o que falta mesmo talvez seja mudanças de hábitos, conscientização do risco eminente e evitar piamente a transmissão.

Algumas doenças testam a capacidade racional da espécie humana, e a Aids encaixa perfeitamente nesse contexto. Sabemos dos riscos, meios de contaminação bem como a prevenção, porém caminhamos algumas vezes no sentido oposto. Mas há casos em que a omissão de métodos mais eficazes também corrobora com esse cenário, como acontecem com as pessoas que trabalham na área da saúde, os gestores priorizam o lado econômico e muitas vezes prejudicam profissionais da saúde colocando suas vidas em risco. O capitalismo tem esse poder da falar mais alto que as questões humanas e éticas, desmoralizando os valores que a sociedade construiu para o bem comum.

Não há formulas mágicas para erradicar a Aids, mas se mudarmos os hábitos, sem preconceitos, agirmos com mais cautela e tomarmos mais cuidados visando os riscos de contaminação eminente, podemos sim, com toda certeza e sem utopias, diminuir o índice de soropositivos no Brasil e melhorar a qualidade de vida de quem convive com a doença.

 

(Juliene de Brito Ferreira, bióloga. E-mail: [email protected])

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