Brasil

Altos militares colombianos são acusados de execuções extrajudiciais, diz ONG

Redação DM

Publicado em 24 de junho de 2015 às 16:18 | Atualizado há 11 anos

BOGOTÁ — Na tentativa de mostrar resultado contra os rebeldes das Farc, altos militares colombianos mataram centenas, possivelmente milhares, de civis entre 2002 e 2008, informou nesta segunda-feira a organização de direitos humanos Humans Right Watch (HRW). Um relatório de 105 páginas aponta que os comandantes das Forças Armadas descreviam falsamente os mortos como combatentes, aumentando o número de insurgentes abatidos. Os generais e coronéis envolvidos não só conseguiram escapar da justiça, mas também teriam conseguido promoções e prêmios.

Os assassinatos, conhecidos como “falsos positivos”, gerou um enorme escândalo em 2008, mas o novo documento alega que a prática era muito mais extensa e sistemática do que conhecida anteriormente. Segundo a organização, vários generais e coronéis sabiam dos casos e não fizeram nada para deter o esquema.

“Sob a pressão de superiores de mostrar resultados ‘positivos’ e aumentar a contagem de corpos na guerra contra os guerrilheiros, soldados e agentes sequestraram vítimas ou as atraíram para locais remotos sob falsos pretextos – como promessas de trabalho – os matou, apontaram armas nos corpos sem vida e, em seguida, os identificou como combatentes inimigos mortos em ação”, afirma o relatório, com base em dados da Procuradoria colombiana.

— Há cada vez mais evidências de que oficiais superiores do exército seriam responsáveis por essas atrocidades — afirmou José Miguel Vivanco, diretor-executivo da Human Rights Watch nas Américas.

Esses oficiais não só conseguiram escapar da justiça, mas também foram promovidos para os níveis mais altos do comando militar, ressaltou o diretor.

Segundo a HRW, a Procuradoria da Colômbia investiga ao menos três mil casos como esses. Embora alguns soldados tenham sido condenados, poucos coronéis e nenhum general foram.


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