Análise psiquiátrica do golpe de direita no Brasil
Redação DM
Publicado em 21 de outubro de 2016 às 01:00 | Atualizado há 10 anosO partido dos trabalhadores, PT, no decorrer desses seus 14 anos de poder, estava usando do Estado para sugar das Grandes Empresas e assim se manter no poder, usando do “populismo socialista” dentro de um modelo de produção capitalista. Por isso, como Lula e Dilma, eles julgam-se como “não tendo feito nada de errado”, pois a “corrupção empresário-estatal”, para eles, não passou de um instrumento para ir instalando, aos poucos, sua casta estatal na máquina do Governo, e o “socialismo” na mente da pobreza. Seu projeto estava dando certo, tanto é que, mesmo com toda a quebradeira e todo o roubo já descoberto e anunciado, a pobreza reconduziu o socialismo ao Governo (eleições de 2014). O povão, a pobreza, já sabiam que o PT roubava das grandes empresas, já sabiam que a economia de mercado estava afundando, já sabiam que firmas e mais firmas estavam quebrando, mas mesmo assim votaram para garantir os “avanços socialistas”. Era o caminho de Cuba, o caminho da Venezuela, onde prefere-se ser “iguais na pobreza” do que “desiguais na riqueza”. O povo brasileiro, como um todo – ou seja, basicamente composto por “pobreza”, ou econômica ou educacional – já tinha optado pelo socialismo cubano. Não estava mais nem aí se os “empresários estavam quebrando ou não”. Já haviam optado, isto fica bem claro. O problema foi que os empresários (afora os “grandes do BNDES”- estes sempre adoraram o “socialismo moreno”) vislumbraram o fundo do poço e, junto com eles, a “parcela da classe média” que não era funcionária pública ou, pelo menos, não era a “grande funcionária pública” (aquela dos diplomas de Direito, dos penduricalhos de 80 mil reais, das férias de três meses, dos “auxílios-terno-livro-moradia-creche”, etc). Esta “direita” começou a urdir, nas ruas , nas redações, nas empresas e no Congresso, o tal “golpe”. Não tinha jeito, ou dava-se o “golpe branco”, sem derramar sangue, ou daqui a mais alguns anos, talvez meses, dar-se-ia o derramamento de sangue.
Um golpe, entre outras coisas, para evitar intervenção militar. Seria um retrocesso. Mas também foi um golpe das grandes fortunas, daquelas poucas que não estavam no esquema ou que foram excluídas. Foi o golpe dos políticos que tentavam frear a revolução judiciária em curso… Bem e Mal misturados… Lei de ação e reação atuando.
Agora é claro que os “grandes empresários”, a “grande direita”, mais uma vez, irá utilizar-se deste “golpe” para , mais uma vez na história brasileira (e na história mundial), mamar nas tetas do Estado. Inauguramos, no Brasil, agora, uma nova etapa, a da “grande direita mamadora”. A única coisa que poderia deter esse novo retrocesso , impresso pela direita (grandes empresários em conluio com os políticos/governantes) seria a classe média , turbinada pelas redes sociais , ir descobrindo os conchavos/negociatas e os ir abortando com a boca-no-trombone.
A direita, e a maior parte da classe média, que apoiaram o golpe têm pruridos éticos de usar essa palavra. Acham que, reconhecê-la, é tirar o aspecto ético de suas atitudes. Aí tendem a negar que tenha sido “golpe”. Eu penso que o tal “golpe” foi necessário para que o país não se tornasse um ente involutivo, um ente “dirigido pelos mais incapazes” (e “aproveitados” pelos espertalhões empresário/políticos “parasitas da pobreza”). É necessário reconhecer a falência da “democracia”, ou seja, o “governo para o povo”. Governar para o povo é governar para o atraso, pois grande parte do povo não quer evolução, não quer estudar mais, trabalhar mais, ter mais responsabilidade, mais “dor-de-cabeça”… quer mesmo é “churrasco na laje, time de futebol, bunda de mulher e engradado de cerveja”. A democracia , se não for “golpeada”, tende para o “governo dos fracos” (no mau sentido – nietzschiano – da palavra “fraco”). Ou senão tende para o “governo do povo”, mas para o “governo do povo organizado”, ou seja, daquele povo que, por não trabalhar, têm um tempão danado para ficar se ressentindo, para ficar montando “coletivos de discussão e resistência”, “grupos de revolta contra privilégios e discriminações”, “movimentos dos-revoltados- sem-isso-e-sem-aquilo”, movimentos dos que não tiveram disposição ou capacidade para ir à luta e virarem patrões e protagonistas. Enfim, dos que tem tempo de sobra para ficarem invejando aqueles que trabalham de fato . Tais grupos, no socialismo, como já estávamos vendo no Brasil, tomam de assalto o aparelho do Estado e tendem a querer escravizar os “patrões” para que estes morram de pagar impostos para lhes oferecer o maná com mel na boquinha. Ainda bem que teve o tal “golpe”.
(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra)