Anvisa aprova uso de injeção de longa duração para prevenir o HIV
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 13:51 | Atualizado há 5 meses
Injeção semestral aprovada pela Anvisa amplia as alternativas de prevenção ao HIV no país | Foto: Bigstock
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso de uma injeção de longa duração, aplicada a cada seis meses, como nova alternativa para a prevenção do HIV no Brasil. A medida amplia as opções de profilaxia pré-exposição (PrEP) disponíveis no país. Além disso, representa um avanço relevante no enfrentamento ao vírus e reforça as estratégias de prevenção combinada adotadas pelo sistema de saúde.
O medicamento aprovado é o lenacapavir. Ele é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentem risco de infecção pelo HIV-1 por via sexual. No entanto, antes de iniciar o uso, é obrigatório apresentar teste negativo para HIV, conforme os protocolos de segurança.
Apesar da liberação do registro pela Anvisa, o lenacapavir ainda não está disponível no mercado brasileiro. Primeiro, será necessário que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) defina o preço máximo do produto. Depois disso, a eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e pelo Ministério da Saúde.
Nos Estados Unidos, onde o medicamento já foi aprovado, o custo tem sido um dos principais pontos de debate. Segundo reportagem do The New York Times, a farmacêutica Gilead informou que o valor anual da PrEP com lenacapavir pode chegar a US$ 28.218. Na cotação atual, o montante supera R$ 150 mil.
Como funciona o lenacapavir
O lenacapavir atua de forma inovadora ao bloquear diferentes etapas do ciclo de replicação do HIV-1. Para isso, o medicamento inibe a função do capsídeo viral, estrutura essencial para a multiplicação do vírus. Dessa forma, o HIV perde a capacidade de se replicar no organismo.
O tratamento combina duas apresentações farmacêuticas. Inicialmente, o paciente utiliza um comprimido oral. Em seguida, passa a receber uma injeção subcutânea aplicada a cada seis meses.
Além da prevenção, a Anvisa também aprovou o registro do lenacapavir para o tratamento de pacientes multiexperimentados, conhecidos como HTE. Trata-se de pessoas que vivem com HIV e apresentam resistência a múltiplas classes de antirretrovirais, o que amplia as opções terapêuticas no país.
PrEP no Brasil e nova alternativa injetável
Atualmente, a PrEP é ofertada gratuitamente no Brasil desde 2018, por meio do SUS, em esquema oral diário com tenofovir disoproxil associado à emtricitabina. Embora eficaz, esse modelo exige adesão rigorosa e acompanhamento frequente nas unidades de saúde.
Por isso, o lenacapavir surge como alternativa para pessoas que têm dificuldade em manter o uso diário de comprimidos. Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como uma das principais opções de PrEP. A entidade o considera a alternativa mais promissora disponível antes do desenvolvimento de uma vacina contra o HIV.
Estudos clínicos apresentados às agências reguladoras demonstraram resultados expressivos. As pesquisas indicaram 100% de eficácia na redução da incidência do HIV-1 entre mulheres cisgênero. Além disso, o medicamento apresentou 96% de eficácia em comparação com a incidência basal do vírus e superioridade de 89% em relação à PrEP oral diária.
Com a autorização da Anvisa, o lenacapavir passa a integrar o conjunto de ferramentas disponíveis para reduzir a transmissão do HIV no Brasil. Assim, o país fortalece suas estratégias de prevenção e amplia o acesso a novas tecnologias em saúde pública.