Araguatins: encontro no presente para resgatar o passado (5)
Redação DM
Publicado em 15 de janeiro de 2018 às 23:07 | Atualizado há 9 anos
Quando se reuniu, pela primeira vez, para formalizar um encontro de araguatinenses, os filhos de Araguatins, cidade do Bico do Papagaio ao norte do Estado do Tocantins, coube a mim na comissão constituída pelos presentes sob a coordenação de Cafu Frutuoso a tarefa da divulgação. Confesso, humildemente, que não constituiu nenhuma surpresa. Já que sou, talvez, o único jornalista araguatinense da ativa e que embora tenha optado por Goiânia para viver, nunca se esqueceu da terra onde foi criado e viveu intensamente sua infância. E sempre se refere a Araguatins e sua gente com muito carinho e respeito.
Fui criado respeitando cada família. Infelizmente, não dá para lembrar-se de todos os nomes de pessoas e seus valores. O que não significa que à medida que a história de cada uma me seja repassada, a ideia é inseri-la nos meus textos. Aliás, tenho recebido uma penca enorme de elogios e até críticas construtivas, estas em menor porte. Pessoalmente, fico feliz por tamanha repercussão não somente em Araguatins, mas em Palmas, Brasília, Marabá, Belém além de Goiânia.
Olha, minha intenção em meu primeiro artigo sobre o evento marcado para o dia 21 de abril próximo, em Goiânia, era rememorar minha infância, cidade que me deixou raízes profundas. A exemplo de tantos garotos da época. É claro que o que se passou depois de minha vinda para a capital goiana, deixei de saber porque também perdi os contatos cotidianos. Não dá, honestamente, para acompanhar tudo. Então, quero que os amigos, admiradores, leitores, entre outras pessoas, repassem a mim maiores subsídios. Envolvendo ou não familiares. Não quero nem devo ignorar ninguém. Claro: não sou obrigado a saber tudo. Lembre-se de um detalhe: escrevo uma série de artigos. Portanto, espaço há. Meu e.mail: wandell@terra.com.br
De Brasília, Dilza Milhomem, professora aposentada e uma das estudantes que veio para Goiânia a fim de complementar seus estudos na área de Pedagogia, lembra que seu pai Zezé Milhomem foi o primeiro farmacêutico a se instalar em Araguatins. Estudioso e atento às doenças tropicais, ele na prática desempenhava o papel de um verdadeiro médico. E lembra que a cidade não contava com nenhuma farmácia. E Seu Zezé instalou a primeira.
Por sinal, falando em questão de saúde, o governo de Goiás criou nos idos de 60 o Serviço Itinerante de Saúde. Aviões monomotores percorriam todo o Estado com médico a bordo e pousavam em cada cidade que tinha pista de aviação. Poucas tinham posto de saúde. O médico, então, atendia geralmente na sede das prefeituras.
Em Araguatins, uma vez ao receber o médico, um cidadão sacou o 38 da cintura e deu uma rajada de tiros. O doutor Luiz ficou estupefato e falou alto: “O que é isso?” O cidadão respondeu: – Não se assuste, não, doutor. É comemoração porque o médico está aqui atendendo o nosso povão.
Por falar em pioneirismo, Divaldina Barbosa, outra dileta araguatinense que hoje mora em Goiânia, lembra que seu pai foi o primeiro coletor arrecadador do Estado. Odorico Augusto de Souza foi nomeado pelo então governador Pedro Ludovico Teixeira. Divaldina, terceira filha de uma prole de sete, ajudava muito seu pai na coletoria. Sua vinda para esta Capital representou uma verdadeira epopéia, conforme recorda, observando que a mudança foi feita de carro, mas praticamente em trilha. Não havia estradas como atualmente.
“Minha mãe Ana Barbosa de Souza era uma mulher guerreira”, observa. Um detalhe de arrepiar: era irmã de Joaquim Barbosa. Ele mesmo, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal.
Matias Rocha e dona Vivência, Antônio Silva, Gerson da vendinha de pão, Raimundo Calça Nova, Zé de Ferro, Gerson motorista, que serviu ao então prefeito Athanásio de Moura Seixas, são figuras de proa lembradas por filhos de Araguatins.
A série continuará amanhã.
(Wandell Seixas, jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás, ex-bolsista em cooperativismo agropecuário pela Histadrut, em Tel Aviv, Israel. Autor do livro: O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste)