Ary Valadão, Aparecida de Goiânia e eu
Redação DM
Publicado em 24 de março de 2017 às 02:44 | Atualizado há 9 anos
Quando prefeito de Aparecida de Goiânia, fui chamado às pressas no 9º andar do Centro Administrativo, pelo então governador Ary Ribeiro Valadão, sendo recebido com a presença do então Secretário do Interior e Justiça Leonino Caiado. Na anti-sala onde fui acolhido com antecedência, estavam os senadores biônicos Bendito Boa Sorte e Osires Teixeira, cerca de 10 deputados estaduais e federais e 5 lideranças políticas de vários municípios goianos.
O motivo do inesperado e impositivo convite, segundo palavras ameaçadoras do próprio chefe do executivo goiano seria o de proibir a aprovação de novos loteamentos em Aparecida, evitando futuras conseqüências a Região Metropolitana de Goiânia. A segunda advertência, era o de proibir a instalação de novas indústrias no município aparecidense, em razão da falta de estrutura para o funcionamento de pólos industriais.
Ao final da conversa que durou cerca de 20 minutos, o governador Ary Valadão, em tom de superioridade disse-me que ele era a maior autoridade do Estado e exigia de mim, esse respeito, perguntando-me qual era a minha resposta.
Imediatamente, nervoso e irritado com aquele tratamento e em voz alta, respondi: Governador, à aprovação dos loteamentos (parcelamento de solo) em Aparecida e feito e examinado sobre a minha direta verificação e constatação da existência legal das terras, documentação comprobatória e exame adequado do projeto urbanístico, respeitando adequada largura das ruas e avenidas inclusive a reserva para construção dos próprios públicos, praças e logradouros, tudo verificado “in loco” e referidos loteamentos estão sendo feitos em melhor planejamento do que aqueles existentes em Goiânia, inclusive o que o maior de todos os goianos Pedro Ludovico Teixeira havia planejado a transferência da cidade de Goyaz para a belíssima Capital de Goiânia, hoje considerada a “mãe de Aparecida”, que foi criada somente com terras pertencentes à circunscrição territorial da nova capital.
Disse mais ao governador Ary Valadão: Quanto à industrialização de Aparecida, é um direito de qualquer prefeito municipal, no período do seu mandato, promover o bem estar do povo que representa e que por esta razão, em vista do estratégico posicionamento geográfico do município aparecidense, no contexto do “Entorno” ou “Região Metropolitana de Goiânia”, justifica a instalação de novas indústrias, objetivando a arrecadação de impostos, circulação de dinheiro, geração de empregos e melhoria de renda a sua população.
Continuei dizendo ao governador Ary Valadão que desde a criação do Distrito Agro-Industrial de Anápolis (DAIA), na gestão municipal de Irapuã Costa Junior, a partir dali todos os governadores de Goiás, sem exceção, deram total cobertura ao DAIA, preterindo os interesses industriais de Aparecida de Goiânia, até mesmo de outros municípios, o que me obrigava como chefe do executivo aparecidense lutar e defender a cidade e população que me confiou o voto.
Hoje, Aparecida tem 3 vezes mais industrias do que o DAIA e conta com total infra-estrutura. Finalizei o meu contraditório dizendo que eu também em Aparecida era a maior autoridade do município, com a diferença que enquanto ele Ary Valadão era um governador biônico eu havia sido eleito por esmagadora votação. Em seguida, retirei-me do seu gabinete certo que estava defendendo o interesse do extraordinário Município de Aparecida de Goiânia.
Ao relatar esses fatos históricos, quero lembrar que ao lotear 75% do território de Aparecida de Goiânia, o que representa 95% dos lotes residenciais, comerciais e industriais atualmente existentes, tornei- me o prefeito municipal que mais aprovou loteamentos em todo o Brasil, ao final com sucesso em seus objetivos.
Esse procedimento, em razão do espaço físico que eu tinha certeza que um dia iria “exaurir” na capital, visava transferir o setor residencial, comercial e industrial para Aparecida de Goiânia, fator determinante para do seu atual estágio de genérico progresso e desenvolvimento, o que tornou o município aparecidense o de maior desenvolvimento sócio político e econômico no interior do Estado de Goiás, condição que perdurará nos próximos 30 anos, quando o município no seu todo, terá uma população maior do que a “cidade mãe” – Goiânia, pela existência de “espaço físico”, faltante na capital e proporcionado pelo município aparecidense. Sou feliz por tudo isso que vem acontecendo e agradeço a Deus. “Todo aquele que prejudicar Aparecida me verá pela frente”.
(Freud de Melo é ex-prefeito e criador do município de Aparecida de Goiânia)