Brasil

Ataques terroristas em Paris, o que fazer?

Redação DM

Publicado em 25 de novembro de 2015 às 21:44 | Atualizado há 11 anos

O grupo radical Estado Islâmico reivindicou a autoria dos ataques que mataram mais de 120 pessoas em Paris nesta sexta, 13 de novembro, segundo agências internacionais. Em uma declaração oficial, o grupo disse que seus combatentes, presos a cintos com explosivos e carregando metralhadoras, realizaram os ataques em vários locais no centro da capital francesa que foram cuidadosamente estudados.

Os ataques são respostas a conflitos que vem acontecendo há décadas.

A Invasão do Iraque em 2003 começou em 19 de março de 2003 e terminou em 01 de maio do mesmo ano, foi à primeira etapa do que se tornaria um longo conflito, a Guerra do Iraque.

Os Estados Unidos contribuíram com a maior força (148.000 soldados) que formavam a vanguarda da Coalizão. O Reino Unido enviou 45.000 militares à frente de batalha, a Austrália um total de 2.000 homens e a Polônia apenas 194 soldados (a maioria forças especiais).

Outras 36 nações contribuíram com tropas e observadores após a invasão ter sido concluída. O Kuwait e a Arábia Saudita ofereceram seus territórios para apoiar as forças aliadas.

Em dezembro de 2011, os Estados Unidos retiraram suas tropas do território iraquiano depois de oito anos de ocupação. A invasão de 2003 do Iraque foi uma das maiores guerras entre exércitos convencionais da história recente, onde pelo menos 1.000 soldados foram mortos em batalhas.

 

Lacunas deixadas pós-guerra

Após a retirada das tropas Americanas do Iraque, esqueceram que haviam desmontado o Exército Iraquiano, Polícias e a temida Polícia Secreta. É natural que onde o Estado deixa uma lacuna, grupos irão preencher. Temos como exemplo as favelas do Rio de Janeiro, onde a polícia expulsou os traficantes, entretanto deixou um espaço aberto que caberia ao Estado preencher e como não o fez, os milicianos tomaram conta e até os dias atuais há conflitos. No Iraque não foi diferente, os jihadistas ocuparam espaço.

 

A tática do Estado Islâmico para recrutar jovens,inclusive no Brasil

Esses grupos agem atraindo pessoas com interesses comuns e que estimulam umas às outras a compartilhar fotos e vídeos de suas obsessões. Agindo assim, os comportamentos que os integrantes celebram acabam normalizados pela ação do grupo.

Jovens de países de primeiro mundo que se sentem excluídos do seu Estado e da sociedade, revoltados e se achando excluídos, procuram formas de vingança contra seus supostos “algozes”. Grupos Terroristas se aproveitam da lacuna do Estado e pronto, conseguem recrutar jovens de diversos países que serão alvos daqueles grupos terroristas. Jovens com formação, conhecimento do idioma e conhecimento amplo dos lugares a serem atacados.

Setores de inteligência do governo brasileiro teriam detectado tentativas de atração de jovens do país pelo Estado Islâmico. Pelas investigações, apesar de o Brasil não ter histórico de terrorismo, o interesse do EI é estender o espectro de novos militantes para a América do Sul e não só mais na Europa e América do Norte, onde estão mais concentrados. Teriam sido identificados, pelo menos, 10 brasileiros convertidos atuando nas redes sociais.

 

Solução

A solução depende de ações conjuntas. Através da Organização das Nações Unidas (ONU), onde se desenvolveria juntamente com países membros, uma arma poderosa e eficaz a curto e a longo prazo. Inteligência – Arma para Prevenção contra o terrorismo.

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas…” Sun Tzu

Cada vez mais se vê o aumento da barbárie praticadas por grupos radicais e a diminuição da resposta do Estado a essa crescente onda terrorista. Um dos fatores deste aumento é a falta de investimentos em uma rede única de inteligência entre países afetados por grupos extremistas. Daí, investimentos em Inteligência amenizarão e previnirão a crescente onda desses grupos bárbaros.

A proposta requer planejamento estratégico de ações operacionais unificadas entre países, com foco na investigação e na inteligência, para reduzir os atentados em todo mundo.

Vivemos momentos de terror em todo planeta, o Brasil tem o dever de criar uma grande rede única de inteligência para monitorar esses grupos radicais, pois nosso atual sistema é falho e precisa ser aprimorado para a realidade deste século.

Entre outras ações de grande valia, podemos citar:

  1. a) recrutar informantes em países de atuação dos grupos radicais, mediante pagamento;
  2. b) recrutar informantes nas mesquitas, mediante pagamento;
  3. c) Atacar a comunicação dos grupos jihadistas, como acesso a internet;
  4. d) Recrutar os melhores hackers do globo terrestre para atacar as redes de comunicações do grupo;
  5. e) Combate as fontes de financiamento dos extremistas;
  6. f) levantar pessoas físicas e jurídicas que ajudam no financiamento ou apoio ao terrorismo;
  7. g) rapidez na troca de informações entre países contra os avanços deste grupo, valorizando todos os detalhes por menores que sejam.

A moeda corrente de uma boa prevenção é a rapidez, na qual a informação chega às mãos das autoridades encarregadas de servir e proteger. Isto vale para todas as áreas de segurança. O tempo de resposta deve ser imediato.

Temos que levar em conta que a campanha violenta dos jihadistas é por convicção religiosa, muitos acreditam que, desta forma, podem ficar ao lado dos irmãos de fé. E há também aqueles atraídos pela aventura e pelo impulso de extravasar violência.

Que Deus abençoe a todos os homens e mulheres que detêm a missão de proteger nosso Brasil!!!

 

(José Firmino, militar do exército, bacharel em Direito, pós graduado em Inteligência da Segurança Pública – presidente da Federação Nacional dos Militares e chefe de Gabinete do vereador Rogério Cruz)


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