Atuação exemplar
Redação DM
Publicado em 11 de outubro de 2019 às 13:23 | Atualizado há 6 anos
Ao ser divulgada a notícia da nomeação da Dra. Raquel Elias Ferreira Dodge para a Procuradoria Geral da República veio-me a certeza de que o órgão máximo do Ministério Público seria exemplarmente dirigido.
Conheço a integridade absoluta da sua família. Quatro dias mais velho do que eu – é de 27 de fevereiro e eu de 3 de março de 1933 – o pai da Dra. Raquel, José Rodrigues Ferreira, foi meu amigo de infância e colega de escola até a quarta série do ginásio Senador Hermenegildo de Morais, de Morrinhos. Era um dos melhores, se não o melhor, dos alunos. Concluído o ginasial mudou-se para Goiânia a fim de prosseguir os estudos.
Enquanto estudava no Liceu trabalhava na Farmácia Goiânia, de propriedade de Félix Perillo, irmão do professor Emanuel Augusto Perillo da Faculdade Federal de Direito da Rua 20, onde ele, o amigo José Rodrigues Ferreira, veio a se formar ainda na década de 1950. Bacharel em direito voltou para Morrinhos a fim de exercer a advocacia.
Dentro de poucos anos vitoriou-se em concurso para juiz de direito, vindo a exercer a magistratura por alguns anos, até o seu ingresso na Procuradoria Federal na qual se aposentou depois de quase quatro décadas de exercício do cargo de Procurador Federal. É ele, o Dr. José Rodrigues Ferreira, paradigma de dignidade pessoal e funcional. A mãe de Raquel, dona Ivone Elias Cândido Ferreira, é também de família morrinhense do mais elevado conceito. Leia também: Amazônia
Na Procuradoria Geral da República, Dra. Raquel se impôs ao respeito e admiração gerais. Servidora modelar. De tal modo que o seu conceito lhe valeu a nomeação pelo presidente Michel Temer para a direção suprema da Procuradoria Geral da República. Sua independência no exercício do cargo foi tão absoluta que entre os seus atos figura o pedido de encaminhamento processual em desfavor do próprio presidente que a nomeara.
A biografia da Dra. Raquel era já assinalada por passagens brilhantes. Teve desempenhos relevantes no Ministério Público sobretudo em defesa dos direitos humanos, principalmente “casos sobre trabalhadores em situação análoga à escravidão e violações aos direitos indígenas”. Integrou a operação que investigou o esquadrão da morte comandado pelo ex-coronel e deputado federal Hildebrando Pascoal, na década de 1990, no Acre.
Em 2009 atendeu convite do procurador-geral Roberto Gurgel a fim de coordenar a força-tarefa da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, encarregada da investigação de um esquema de corrupção do qual era elemento principal um ex-governador do Distrito Federal. Coordenou a Câmara Criminal do MPF, foi membro da 6ª Câmara e Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão Adjunta.
Atuou no 1º Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil, e na 1ª e 2ª Comissão para adaptar o Código Penal Brasileiro ao Estatuto de Roma. Foi integrante da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão, que trata de assuntos relacionados ao Consumidor e à Ordem Econômica. Foi membro do Conselho Superior do Ministério Público por três biênios consecutivos.
A atuação da Dra. Raquel como Procuradora Geral da República enriquece o seu currículo, pela exemplaridade da sua atuação.
Eurico Barbosa é escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal à sextas-feira