Big Brother Brasil
Redação DM
Publicado em 1 de fevereiro de 2016 às 21:52 | Atualizado há 10 anos
Um dia, escrevi um poema, desses bem rústicos e malfeitos. Fantasiado com a ideia de que aquilo tinha valor, publiquei em um grande jornal. Ainda surtado, levei para minha professora ler e dizer o que achava. Ela disse que leu e fez careta.
Ela amava Pedro Bial – ou ama ainda, não sei. Eu sempre detestei Pedro Bial. Sempre achei o Pedro um jornalista de segunda categoria, no calão do Zeca Camargo, do Rafinha Bastos – a quem chamei de filósofo de bosta. Do calção desses e de outros que faturam grosso com a indústria cultural.
Por que colocar professora, Pedro, Zeca, Rafinha, Rede Globo, Big Brother, tudo no mesmo penico? Nós elegemos professores como criaturas superiores, e eles gostam disso, e depois os depositamos no pináculo de nossa adoração, mas os professores de hoje são fazedores de cabeça, postuladores de uma verdade falseada por ideologias apreendidas em artigos e resenhas acadêmicas que não surtem efeito nenhum na vida prática de seus alunos enquanto profissionais, a salvo raras exceções. Eles entopem a cabeça dos alunos com teorias, mas são incapazes de fazer com que estes possam sair da teoria para a prática. A Comunicação Social, hoje, se tornou uma masturbação ideológica; sempre foi. Não há como mudar os rumos da fofoca especializada que se tornou o jornalismo.
Por isso Pedro Bial se tornou isso que ele é hoje – o sucesso do fato é mais importante do que o fato. Dentro dessa premissa, não se mede consequências éticas, morais e culturais. Por isso colocamos professores no mesmo penico: eles são emblemáticos, adoradores, e agem como pessoas comuns, sujeitos aos galanteios de um jornalismo cinematográfico, cujos atores são galãs de primeira ordem. O jornalismo de hoje, com suas bancadas exóticas e iluminadas, é tão belo quanto mentiroso. As mulheres do jornalismo de hoje, ah, como são belas!!! O produto tem que vir numa bela embalagem senão não vende.
No vale-tudo pela audiência, o pseudojornalista em questão (Bial) opera o exótico imperativo do sexo e da violência para prender a atenção do telespectador, que, diga-se, é vítima do processo, uma vez que ele, o expectador, é parte indefesa da Teoria da Agenda (Agenda Setting) que migrou do jornalismo para os programas de TV como o Big Brother (eles não dizem o que você deve pensar, mas te dão as opções. Te oferecem esse ou aquele modelo e você escolhe). A questão é: eles escolhem o modelo que você vai escolher.
Maxwell McCombs e Donald Shaw, autores da Teoria do Agendamento, diz que a mídia vai impor o que será discutido. Dessa forma, as muitas mentiras podem se tornar uma verdade no etos social – as pessoas passarão a acreditar que tal coisa é como é propagada.
De forma que buscaram nas teorias da comunicação o modelo a ser copiado e aplicado para o show business. O exótico da violência causa expectação, que por sua vez vai mexer com os sentidos, provocando a curiosidade; a sensualidade desmedida vai provocar o estímulo e erotizar o expectador. Tudo isso vai mexer direto na construção psicológica do indivíduo, criando um clima de normalidade e conformidade; passa-se então a serem produzidos cânones morais distorcidos e aceitos como coisa comum; basta ver as crianças brasileiras de hoje, que são extremamente sensualizadas pelos usos e costumes dessa distorção criada pela Rede Globo e todas as emissoras juntas. A culpa não é só dela, da Globo.
Nós criamos uma sociedade do sexo, de maneira que a Comunicação Social tornou-se refém da publicidade e da propaganda como ferramenta para venda de produtos, posto que, a própria notícia como muitos a querem é um produto, e como tal, está à venda; o que foge de sua maior virtude, uma vez que a maior virtude do jornalismo seja a gratuidade da notícia.
(Waldemar Rêgo, jornalista, escritor e artista plástico – [email protected])