“Big Trump “– Desespero ou Esperança?
Redação DM
Publicado em 2 de março de 2016 às 22:07 | Atualizado há 10 anos
Os Estados Unidos da América (EUA) estão em plena campanha de sucessão presidencial de mister Obama, o qual se encontra à frente da potência há oito anos – admirado por muitos, criticado por outros tantos, o primeiro negro presidente norte-americano já deixou sua figura registrada na História, independente do mérito que possua ou não.
Nesse processo eleitoral, muito diferente do nosso, despontam dois nomes para cada partido – do lado “democrata” tem-se Hillary Clinton e Bernie Sanders, sendo que do lado “republicano” aparecem Donald Trump e Marco Rubio.
Entretanto, o que tem causado grande repercussão tupiniquim, particularmente nos analistas da rede Globo de televisão é o sucesso que Trump vem obtendo no que é conhecido como primárias, onde o povo escolhe primeiro quem será o candidato de cada partido para depois escolher um dentre os dois para ocupar a mais importante cadeira do planeta.
Até o momento, Trump tem se consagrado no gosto popular e mantido uma dianteira firme contra seus colegas, além de ser apontado nas pesquisas como favorito em primárias futuras.
O que a imprensa não concorda ou não entende é como um candidato que diz o que Trump diz poderia ter esse tipo de retorno eleitoral, mas o que ele fala que incomoda tanto ?
Donald Trump, bilionário e excêntrico de topete, meio ator e canastrão, com um rosto engraçado, não respeita regras do politicamente correto, fala de tudo e de todos, acredita que imigração ilegal é assunto sério, preocupa-se com o ISIS (estado islâmico) quando os ameaça diretamente de intervenção militar efetiva, anuncia a construção de um muro na fronteira com o México, ataca políticos e apresentadores de televisão com facilidade divertida, detona conceitos sociais “sagrados”, ele apronta, ri e muitos riem com ele.
Mas suas atitudes nem são o mais importante para se entender o que ocorre e muitas pessoas não conseguem discernir: Trump age, fala e se comunica do modo que o povo norte-americano quer agir, falar e se comportar porque está cansado da censura tácita dos vizinhos.
Toda sociedade, em qualquer época da história possui um momento de ruptura com o sistema vigente, há poucos anos, nas décadas de 1950 e 1960 aconteceu isso e o mundo vem caminhando de acordo com certos pensamentos mais liberais em relação à Igreja, casamento, sexo, educação, música – parece que esse modelo se exauriu e Trump seria o catalisador dessa situação.
Ao se analisar as ações do candidato republicano, que muitos pré-definem como xenófobas, retrógradas, homofóbicas ou preconceituosas, constata-se que não há nada que possa realmente ser considerado muito grave, basta se libertar do jugo social imposto – Ele não é contra a imigração, é contra a permanência ilegal dos imigrantes, não é contra o islamismo, é contra o terrorismo, ele deseja um país mais rico e mais forte pois entende que as políticas atuais tem prejudicado os norte-americanos, é contra aumento de impostos, é favor do trabalho pessoal – Será que ele não tem direito a defender seu povo ?
É com essa posição, embora não se saiba ao certo se verdadeira ou forçada, que Trump abre caminho dizendo as coisas como elas são, sem tentar agradar uns e outros; ele está conseguindo dizer aos norte-americanos que eles podem e devem ser grandes novamente – convenhamos, é um discurso atraente, principalmente nesses dias onde ser bem-sucedido é quase uma ofensa.
Se o presidente Obama lançou e foi eleito com o jargão “Yes, we can” (sim, nós podemos), Trump demonstra com suas propostas que “Sim, nós faremos” – fica evidente que entre “sonhar” e “fazer” reside toda a diferença ideológica das duas vertentes em disputa, o socialismo democrata contra o capitalismo republicano.
(Olisomar Pires – olisoblog.com)