Brasil

Bolsas no exterior são mais baratas do que manter deputados e olimpíadas juntos

Redação DM

Publicado em 27 de julho de 2016 às 21:59 | Atualizado há 10 anos

E aos poucos o atual governo vai botando a cara às claras, e demonstrando à que veio. Ao que parece Michel Temer se esqueceu do significado da interinidade de seu governo e aos poucos vai demonstrando uma irrisória falta de habilidade em governar – e notória contradição – colocando novamente o destino de sua gestão nas mãos daqueles que operam nos bastidores de seus interesses. Ainda assim, nas sombras do apoio de investidores “reanimados” com a entrada da atual gestão, os arquitetos de Temer aproveitam para empurrar garganta abaixo projetos absurdos de privatização, entre eles o da Educação. A sinalização de uma possível privatização dos ensinos médio e superior mostra como é real a expectativa PMDBista sobre o fim dos principais programas socioeducacionais – programas os quais eram um dos principais pontos fortes na chapa da reeleição de Temer – tirando a Educação da mão do povo e a entregando na mão de empresas para poderem juntos, iniciativa privada e interesses particulares dos gestores públicos, usurparem o bem público, e lapidar este outro lado da máquina pública.

O atual ministro da Educação, deputado Mendonça Filho (DEM), ao falar dos nossos programas de intercambio, compara o Brasil a países como Dinamarca e Suécia ao dizer que nem eles, que são países ricos, ofertariam um programa tão generoso como o nosso. Lembrando ainda que o Brasil gasta quase 4 bilhões  para ofertar bolsas no Ciências Sem Fronteiras. Diz como se fosse um grande gasto aos seus olhos. De certa forma deve ser mesmo, para um país povoado de analfabetos funcionais, onde o lazer supera a Educação, o Turismo supera a Educação, o subsídio absurdo de deputados supera a Educação. Aí. Apenas a folha de pagamento anual de todos os deputados brasileiros, que hoje é cerca de 1 bilhão, conseguem bancar cerca de 9,5 mil bolsas de estudos no exterior. Os gastos com as Olimpíadas conseguem pagar pouco mais de 370 mil bolsas. É, de fato a Educação brasileira é um grande gasto para o governo. Querer comparar o Brasil à Suécia é fácil, difícil é seguir o exemplo deles ao recusarem as Olimpíadas para não gastar dinheiro público, pois lá, eles tem prioridades. Bastasse 2016 já poder pedir música no Fantástico ao inteirar a queda da segunda presidência dos três poderes vigentes, e agora esse duro golpe para a sociedade, ter que no futuro desembolsar ainda mais para ter educação gratuita, que por sinal é direito garantido.

Como a senadora Gleisi Hoffmann muito bem colocou em sua coluna na segunda feira (25): “Editorial de O Globo defende abertamente a privatização do ensino superior, depois de ter formado seis ideólogos de direita nas universidades gratuitas […] Haja hipocrisia.” “Nem direita, nem esquerda”, as universidades públicas brasileiras são o foco daqueles que querem garantir o seu futuro. Formamos profissionais, doutores, mestres e acima de tudo cidadãos. Que por vezes ingressaram na universidade com pouco e agora tem uma vida mais confortável graças à gratuidade e a maior justiça durante processo de ingresso. Mesmo  que ainda esteja longe do ideal, hoje temos um quadro melhorado do que o de anos atrás, sem mérito a nenhum governo, “nem direita, nem esquerda”, mas um processo que se construiu e evoluiu ao passar dos anos para chegar no atual patamar.  Agora nos resta esperar e rezar para que não passe de especulação política e que nós, povo brasileiro, levantemos rumo às ruas para que não se consume este absurdo no futuro, “nem direita, nem esquerda”, mas pelo avanço.

 

(Andre Luiz Vieira, piracanjubense, estudante de Jornalismo pela PUC-GO)

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