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Brasil tem 1.510 cientistas entre os mais influentes do mundo

Léo Carvalho

Publicado em 19 de outubro de 2026 às 09:23 | Atualizado há 49 minutos

Da esquerda para a direita, o médico Carlos Augusto Monteiro, o físico brasileiro Constantino Tsallis e o epidemiologista Cesar Gomes Victora | Foto: Montagem/Divulgação
Da esquerda para a direita, o médico Carlos Augusto Monteiro, o físico brasileiro Constantino Tsallis e o epidemiologista Cesar Gomes Victora | Foto: Montagem/Divulgação

Mil quinhentos e dez cientistas que atuam no Brasil figuram entre os mais influentes do mundo. O quadro consta de um levantamento divulgado no último dia 7. Ele é elaborado pelo pesquisador John Ioannidis, da Universidade de Stanford (EUA) em parceria com a empresa Elsevier, responsável por periódicos como Lancet e Cell.

O dado deste ano supera em 3,4% o de 2025, quando havia 1.461 representantes do país na lista. Além disso, mantém o crescimento observado nos últimos anos.

Entre os nomes mais bem colocados do país estão o médico Carlos Augusto Monteiro, da USP, o físico Constantino Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, o engenheiro Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Embrapa, o epidemiologista Cesar Gomes Victor, da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), e o físico José Marengo, do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

Outros exemplos de nomes do país no levantamento são Deborah Malta, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Pedro Henrique Brancalion, Paulo Artaxo, Mayana Zatz e Ester Sabino, todos da USP.

O levantamento inclui os 100 mil cientistas com o maior número de citações ou aqueles que estão entre os 2% mais bem classificados em sua subárea.

Apesar da leve melhora observada em relação ao ano anterior, a posição brasileira no ranking global não mudou: 24ª colocação.

No topo, estão Estados Unidos (73.638) e China (37.203). Logo em seguida, vêm Reino Unido (18.300), Alemanha (10.938) e Austrália (8.971).

Ioannidis ranqueia os cientistas com base em um índice composto chamado c-score, que tem entre seus parâmetros os números de citações como autor único, primeiro ou último autor.

Os dados são retirados da plataforma Scopus, maior base de dados mundial de resumos e citações de literatura científica revisada por pares, e inclui dados de artigos publicados até o fim de 2025. A disponibilização dos dados é gratuita e pública.

A avaliação também é dividida em 20 áreas e 174 subáreas do conhecimento. Assim, a seleção final é baseada nos 100 mil cientistas com o maior c-score ou nos 2% maiores em cada subárea, explica o autor.

“Seria injusto comparar cientistas de uma subárea com poucos pesquisadores e poucos artigos publicados com alguém que trabalha em uma área com muitos cientistas, muitos artigos e onde é fácil acumular um grande número de citações”, disse Ioannidis à Folha.

Ainda de acordo com ele, desde 2024, a lista também inclui informações sobre número de artigos retratados (exceto quando são por erros da revista ou editora), o que pode ajudar a indicar se um cientista muito citado apresenta possíveis sinais de alerta quanto à sua integridade científica.

Segundo Ioannidis, o resultado de algumas nações é afetado pelo alto número de autores com retratações. “Países como China e Índia têm um crescimento muito mais expressivo do que o Brasil, embora muitos deles apresentem sinais de problemas de integridade científica.”

Na edição deste ano, aparecem na lista representantes de 259 instituições de pesquisa e ensino do país. A USP é a primeira, com 282 cientistas, seguida por Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Unesp (Universidade Estadual Paulista), UFMG, UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Na avaliação do físico Olival Freire Jr., presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a maior presença brasileira na lista é compatível com a recuperação da produção científica nacional após a pandemia e a retomada dos investimentos em pesquisa.

“O Brasil teve um pico na produtividade científica mundial pré-pandemia, com cerca de 3% de todos os artigos científicos produzidos, mas houve uma queda nesse número em 2022 e 2023. A partir de 2024, teve uma recuperação, mas essa taxa se relaciona primeiro a uma certa normalização da atividade científica no pós-pandemia”, afirma o físico. No mesmo ano houve uma retomada do financiamento à pesquisa, com três editais universais do CNPq desde 2023, ante apenas um no governo anterior.

Freire Jr. ressalta, porém, que toda lista de classificação de pesquisadores por impacto ou número de citações deve ser analisada “com um grão de sal”, já que existem outras métricas de impacto científico para além dos dados bibliométricos, como formação de pesquisadores e embasamento de políticas públicas, que não são considerados.

“Esses resultados sempre têm que ser comparados com um conjunto de outros indicadores que sinalizam o impacto de uma pesquisa científica”, afirma ele.

Para Ioannidis, o crescimento do Brasil é evidenciado pelo aumento de cientistas tanto no último ano quanto na avaliação pela carreira. Porém, a estagnação do investimento de PIB brasileiro em pesquisa e inovação (1,28% em 2015 e 1,19% em 2026) pode ter prejudicado a aceleração desse crescimento. (ANA BOTTALLO/Folhapress)


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