Carinho aos idosos e respeito à sabedoria adquirida
Redação DM
Publicado em 18 de junho de 2016 às 03:43 | Atualizado há 10 anosNo Brasil, a população idosa vem crescendo consideravelmente; segundo pesquisa do IBGE, a população idosa totaliza 23,5 milhões de pessoas, são cerca de 11% da população. Projeções das Nações Unidas (Fundo de Populações) indicam que uma em cada 9 pessoas no mundo tem 60 anos ou mais. A expectativa de vida ao nascer no Brasil subiu para 75,2 anos em 2014. Conforme um estudo científico, em 2050, pela primeira vez, haverá mais idosos que crianças menores de 15 anos. O Brasil possui mais de 50 milhões de idosos, desses, 33 milhões recebem aposentadoria pelo INSS. Ele avalia que é preciso preparar as atuais crianças para o futuro, inclusive para quando elas estiverem idosas. Contudo, apesar do Estatuto do Idoso em vigor, ainda são muitos os direitos deles que continuam sendo desrespeitados: “mesmo que continuem participando da economia e do sustento das famílias, são nessas famílias onde, por incrível que pareça, mais costuma ter violência contra eles”. Com o aumento da população acima de 60 anos, aumentaram também os problemas, e um deles é a violência contra a pessoa idosa. Uma pesquisa realizada no Disque 100 (órgão responsável por acolher, analisar e encaminhar denúncias de violações de direitos humanos à rede de proteção) mostra um crescimento muito alto de denuncias de violência contra pessoas idosas. Justamente na semana em que tivemos o dia nacional de conscientização do combate a violência contra o idoso, a imprensa nos mostrou uma várias ocorrências contra muitos que se dedicaram e contribuíram para o progresso da sociedade e das famílias brasileiras.
A terceira idade é uma etapa da vida pela qual se espera que todo indivíduo um dia passe, é ela que torna as em pessoas diferentes, com angústias e anseios mais pertinentes que a todo o resto de uma sociedade. Idoso muitas vezes vive em completa desigualdade, desolação e concentrado em um novo tempo diferente do qual passamos. Nesta fase surgem as doenças mais absurdas que possam atrapalhar seu cotidiano, torna-se essa uma fase onde as emoções podem aflorar muito mais facilmente. Porém, é nela que nos encontramos mais dispostos a viver, com sabedoria e toda a emoção que nos for permitida. Afinal, para não envelhecer, só morrendo jovem. É preciso mais carinho para aqueles que viveram, produziram muito, e ainda estão entre nós para contar a vivência de seus muitos anos de vida. Graças as lutas de muitas pessoas de 60 anos ou mais, durante muito tempo por respeito e dignidade, por um salário justo e melhores condições de vida, é que chegamos a melhores níveis de consciência e progresso. Eles que tanto fizeram, infelizmente sofrem o preconceito aliado à marginalização social e econômica, fazendo com que não desistam de grandes possibilidades de mudança. Está previsto na CF/1988, em seu Art. 230, “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida”. A Lei nº 10.741-1º de outubro de 2003 assegura ao idoso a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Mais ações precisam ser desenvolvidas no sentido de proporcionar melhores cuidados, maiores participação nos esforços para reduzir a violência contra essa população e garantir-lhe um envelhecer com dignidade. Apesar dos avanços na medicina e na tecnologia possibilitarem maior longevidade, as relações sociais, que poderiam acompanhar seus idosos naquilo que significam de melhor, expressam-se cada vez mais fragilizadas e revelam a cumplicidade de pessoas e instituições com o descaso, o abandono e maus tratos contra pessoas, tanto no domicílio, quanto fora dele, sinalizando absoluto despreparo para lidar com questões da existência humana, sejam físicas ou psíquicas, que vão do nascimento à morte. Tudo isso tem levado a sociedade a uma vida de altos graus de insegurança, incertezas e situações de extremo desconforto, provocados pelo descaso, maus-tratos, violação de direitos, que criam um conjunto de sofrimentos absolutamente desnecessários e absurdos, mas que se avolumam dia após dia, ainda que sejam minimizados, ou até pareçam invisíveis. Essa violência ganha um aspecto diferente e, até certo ponto, dramático, considerando tratar-se de indivíduo para quem as possibilidades de ascensão social já foram fechadas e o sentido de destino e de esperança já foi perdido.
Objetivando criar uma consciência mundial, social e política da existência da violência contra a pessoa idosa, e, simultaneamente, disseminar a ideia de não aceitá-la como normal, em 2006 foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa, o escolheu a data de 15 de junho para marcar o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Nesta linha de pensamento mundial, deve-se incentivar a apresentação, o debate e o fortalecimento das mais diversas formas da prevenção. Ainda assim, as denúncias no Disque 100 mostram que a maior parte das agressões contra as pessoas idosas, que vão desde o abuso financeiro, a negligência e até maus tratos físicos e psicológicos, é cometida por seus próprios familiares. Os idosos merecem todo carinho, cuidado, respeito e atenção, afinal, foram eles que prepararam nossos caminhos, possuem os maiores arquivos de sabedorias adquiridas, catalogadas e guardadas por longos anos.
(Natal Alves França Pereira, servidor público, filiado à Associação Goiana de Imprensa. e-mail:[email protected])