Cármen Lúcia fala em desconfiança no país e defende postura do Supremo
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 13 de abril de 2026 às 16:16 | Atualizado há 2 meses
Ministra afirma que segue dentro da lei, reconhece ambiente de tensão na Corte e defende mais transparência nas ações do STF | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
Em meio a questionamentos públicos sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia afirmou, nesta segunda-feira (13), que tem consciência do momento de tensão vivido pela Corte e garantiu que sua conduta segue estritamente dentro da legalidade.
Durante palestra na Fundação FHC, no centro de São Paulo, a magistrada declarou que não pode falar em nome de todo o tribunal, mas assegurou sua própria postura. “Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei”, afirmou. “Eu não faço nada errado”, completou.
Transparência e relação com a sociedade
A ministra avaliou que o Brasil atravessa um cenário de desconfiança generalizada, o que contribui para a atual crise institucional. Segundo ela, o STF precisa demonstrar à população que atua para servir à sociedade e reforçou a importância da transparência, especialmente em atividades fora de Brasília.
Cármen Lúcia também destacou que considera positivo que ministros saiam de seus gabinetes para ouvir a sociedade, mas ponderou que esse movimento deve ser feito com clareza. “Tem que saber como sair, para onde ir e como tornar isso transparente. Todo mundo sabe, no Brasil hoje, que eu estou aqui agora de manhã. Minhas agendas são públicas”, exemplificou.
De acordo com a ministra, a transparência contribui não apenas para a imagem do Judiciário, mas também para a convivência interna entre os magistrados. Ela reconheceu que o ambiente no STF está mais difícil. “Nesse momento de maior tensão, em que se questiona tanto o próprio Supremo na sua dinâmica, uma parte do que eu escuto é fato: mais tenso, muito mais difícil a vida de todos.”
Críticas, desafios e funcionamento da Corte
A magistrada afirmou ainda que a Corte vive uma fase de questionamentos e que, como ministra, recebe críticas frequentes. “Cármen, lembra, você faz direito, não milagres”, disse, ao relatar como lida com cobranças.
Ela também apontou que sofre ataques de cunho “sexista, machista e desmoralizante” e revelou que familiares já sugeriram que deixasse o cargo.
Questionada sobre propostas de mudanças no STF reunidas por especialistas em documento entregue à Corte pela Fundação FHC, a ministra indicou que algumas sugestões podem não dialogar com os desafios internos do tribunal, especialmente o excesso de demandas.
Cármen Lúcia criticou o volume de processos que chegam ao Supremo e destacou que o avanço tecnológico, como o impacto das redes sociais, impõe novos desafios ao Judiciário. “Cada manhã nós temos uma indagação nunca feita antes na história da humanidade. Por exemplo, sobre as redes sociais”, afirmou.
Por fim, ela comentou sobre a complexidade de presidir o STF. “Sei o que é estar na presidência tentando acertar. Não é simples. Não tem facilidade nenhuma.”
(Folhapress/Ana Gabriela Oliveira Lima)