Brasil

ChatGPT pode ser aliado se adaptado ao contexto escolar

Redação DM

Publicado em 11 de julho de 2023 às 15:40 | Atualizado há 3 anos

O ChatGPT é uma inteligência artificial generativa, responsável por reconstruir textos, imagens e até sons digitais com base em padrões cujos significados humanos foram identificados por meio de aprendizagem de máquina. No entanto, o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022 gerou alarde entre professores ao apresentar uma ferramenta de chatbot com aparentes respostas ilimitadas.

A preocupação surgiu baseada na possibilidade de utilização da plataforma para colar em provas e trabalhos, além de limitar o tempo de estudo e pesquisa do aluno,  induzindo-o a respostas errôneas. Embora as preocupações tenham embasamento, de acordo com pesquisador Rodrigo Abrantes, doutorando pelo Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e orientando de Walkyria Mór, o ChatGPT, se adaptado ao contexto escolar, pode servir como um importante instrumento no processo de aprendizagem.

Abrantes integra um grupo de 13 pesquisadores, liderado por professores da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, nos Estados Unidos, desde 2018. A equipe foi responsável pela recalibragem do ChatGPT e a sua implementação em uma plataforma digital interativa que promove a inserção de novas tecnologias na sala de aula.

O experimento foi realizado na Faculdade de Educação da Universidade de Illinois e contou com a participação de 62 estudantes de pós-graduação, sob supervisão de Bill Cope e Mary Kalantzis . “Em nosso projeto, o ChatGPT não entrou para substituir nenhum dos processos de aprendizagem, mas foi posicionado para verificarmos se poderia ter alguma utilidade para complementar esse processo educacional híbrido, com atividades em sala de aula e na plataforma digital”, explica o pesquisador à reportagem.

A reprogramação da ferramenta (recalibragem) foi realizada a partir de um processo intitulado engenharia de prompts: para cada critério de correção estabelecido que o Chat usasse para ler o trabalho do aluno e gerar feedback, foi necessário criar um prompt específico, com uma sequência de instruções que ele deveria seguir para dar um feedback.

Comentário são mais extensos do que os feitos por alunos

Os pesquisadores observaram que os comentários realizados pela IA foram mais extensos do que os produzidos pelos próprios alunos: a média de palavras foi de 1335, ao lado das 336 palavras por revisão de pares. “A máquina não se cansa, né? Então ela sempre vai gerar revisões de boa qualidade e com uma quantidade expressiva de apontamentos, desde que ela esteja bem preparada e calibrada para isso”, aponta Abrantes.

Além disso, a tecnologia se mostrou mais criteriosa em suas correções, já que, de acordo com uma pesquisa de sondagem feita após a utilização da plataforma em sala, os estudantes apontaram que os comentários humanos tendem a ser mais positivos. De maneira geral, embora alguns feedbacks mostrarem uma certa apreensão dos alunos com a IA, a maioria revelou que as observações feitas pela ferramenta foram úteis na construção do trabalho e, de fato, adicionaram no processo de aprendizagem.

Abrantes  frisa a necessidade de uma extensa colaboração multidisciplinar na criação de iniciativas que utilizem da tecnologia para beneficiar a comunidade acadêmica como um todo. “A pesquisa científica nessa área é importante porque a educação vai precisar de conhecimento para poder lidar com esse mundo, já que não adianta negar suas mudanças”, afirma o pesquisador. E coloca que a inserção das inteligências artificiais no processo de aprendizagem pode servir como uma maneira de educar as gerações futuras digitalmente.

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