Cheiro e sabor de volta
Redação DM
Publicado em 2 de julho de 2021 às 12:36 | Atualizado há 5 anos
Ocorrência de disfunção olfatória na covid é alta (86%) e gera riscos; felizmente, análises preliminares da evolução dos casos indica boa recuperação.
Imagine a seguinte situação: você almoça em um restaurante, come a sobremesa e pede uma xícara de café para finalizar; mas em nenhum momento sente o cheiro e sequer o sabor de cada alimento ou bebida. A situação descrita retrata a vida de muitas pessoas hoje, após o início da pandemia de covid-19. Além das consequências diretas no bem-estar, ficar sem olfato pode gerar situações de risco, como não sentir o cheiro da fumaça de um incêndio, do gás aberto, ou mesmo ingerir alimentos contaminados sem se dar conta.
A perda ou diminuição do olfato era sentida por até 20% da população mundial, especialmente em pessoas com sinusite ou rinite. Entretanto, com a covid-19 essa parcela aumentou significativamente, uma vez que pesquisa publicada em janeiro deste ano no Journal of Internal Medicine revelou que 86% dos pacientes infectados com o novo coronavírus apresentaram alguma disfunção olfatória, que pode, inclusive, demorar meses até ser recuperada.
Mas, pesquisa do grupo de rinologia, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, traz resultados preliminares animadores sobre essa parcela dos pacientes que apresentam perda ou diminuição de olfato decorrentes da covid-19, como contou a professora Wilma Anselmo-Lima, da área de Otorrinolaringologia, ao Jornal da USP – Edição Regional.
O estudo vem sendo feito desde o início da pandemia em cerca de 20 cidades brasileiras e, até o momento, apontou que em apenas dois meses, 44% dos pacientes recuperaram totalmente o olfato; 23% estão com hiposmia – baixa sensibilidade olfativa – leve; 15% com hiposmia moderada; e 13% com hiposmia severa. Além disso, apenas 3% ainda não recuperaram totalmente o olfato