Brasil

Comitiva de senadores governistas desembarca nesta quarta-feira em Caracas

Redação DM

Publicado em 24 de junho de 2015 às 18:03 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – A comissão oficial do Senado liderada pelo senador Lindgbergh Faria (PT-RJ) desembarca na noite desta quarta-feira em Caracas para tentar ouvir representantes do governo e oposição sobre a crise venezuelana. Mas ao contrário da comissão liderada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), impedida de cumprir a agenda de encontros semana passada, desta vez os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM), Telmário Miranda e Lindbergh não defenderão a libertação dos presos políticos Leopoldo López, Antonio Ledezma e Daniel Ceballos, acusados de liderar as manifestações de 2014 que resultaram em 43 mortes.

O objetivo da viagem, explica o senador Requião, é tentar influenciar o governo de Nicolás Maduro para que as eleições de dezembro aconteçam dentro da normalidade.

— Não vamos pedir nada. Não sabemos se são presos políticos. Sabe quantas pessoas morreram? 43. Sabe quem prendeu? O Ministério Público e o Judiciário. Maduro nem Dilma prenderam ninguém — disse Requião.

Ao ser questionado sobre a isenção do Judiciário na Venezuela, ele disse que aqui também dizem que o juiz da operação Lava-jato, Sérgio Moro, é do PSDB, mas não é verdade. Ele anunciou que todos os encontros serão transmitidos ao vivo pelo seu site. Os dois únicos encontros confirmados até agora no Hotel Meliá, onde ficarão hospedados, é com o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello; e com representantes do Comitê das Vitimas de “las guarimbas (barricadas)”, como foram batizadas pelo governo as manifestações do ano passado.

Em uma carta endereçada aos senadores de oposição brasileiros, o Comitê condenou a visita liderada por Aécio. “Condenamos a intromissão dos representantes da Comissão de Senadores da República Federativa do Brasil, encabeçada pelo ex-candidato presidencial e senador Aécio Neves, que busca promover a impunidade para os responsáveis por tão graves acontecimentos”, diz a carta.

— Não vamos lá fazer o black bloc da direita. Tirar foto e fazer molecagem _ disse Requião criticando a frustrada missão liderada por Aécio.

A comitiva deseja também se encontrar com as mulheres dos presos — Lilian Tintori, Patricia Ceballos e Mitzy Ledezma —, mas falta confirmar o horário. Também está pendente de confirmação encontro com lideranças políticas da Mesa de Unidade Democrática (MUD), que agrega 28 correntes e partidos de oposição.

— A intenção é ir ao encontro dos senadores. Quanto mais apoio tiverem , sobretudo dessa comissão que é notoriamente alinhada com o governo brasileiro. Isso mostra que a própria presidente Dilma estaria mudança de posição em relação ao que está acontecendo na Venezuela — anunciou Fernando Tibúrcio, advogado brasileiro que presta assessoria as mulheres dos presos.

Apesar de não estar confirmada a agenda , a deputada cassada Maria Corina Machado disse hoje, em sua página no twitter, que está pronta para receber os quatro senadores para discutir sobre as condições dos direitos humanos na Venezuela, a autonomia dos poderes e condições eleitorais.

“É necessário que na visita a Venezuela, senadores escutem testemunhos de sindicalistas perseguidos, jornalistas censurados e estudantes torturados”, disse Maria Corina no Twitter.

Também em sua página no twitter, Lilian Tintori comemora o que chamou de inicio da libertação dos presos políticos, mas não faz referência a visita dos senadores governistas. Mais cedo, ela postou noticia sobre a liberação de mais um preso, Douglas Morilo.

“Liberdade! Acabam de libertar o primeiro preso político: Gerardo resplandor”, escreveu Lilian na terça-feira à noite.


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