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Como é difícil!

Redação DM

Publicado em 13 de outubro de 2015 às 23:59 | Atualizado há 11 anos

“É fácil julgar os outros, difícil é enxergar as próprias imperfeições”

(Sandro kretus)

 

Não são poucas vezes que observamos como somos contundentes e duros com os outros quando eles erram, falham, praticam corrupções, adulteram, traem, mentem, enganam…

Nós temos uma maneira interessante de agir e ver as coisas, porque quando as falhas são praticadas por nós ou quem amamos temos uma maneira de agir que é a tendência de proteger, amenizar os erros e fazer de tudo para levantar e proteger quem falhou.

Inclusive temos um jargão que retrata bem este comportamento: “Para os amigos os benefícios da lei, mas para os inimigos os rigores da lei.”

Com isto temos uma sociedade que é forjada na hipocrisia e não na justiça e assim passamos a ser um povo frágil e sem referenciais de equidade, porque ao usarmos “dois pesos e duas medidas para circunstanciais análogas compromete qualquer sociedade ou comunidade.

Criticamos a corrupção, mas furamos fila, ultrapassamos o sinal vermelho de maneira inapropriada, não prestamos um serviço de qualidade, enganamos o patrão, colamos na prova, mentimos aos nossos pais… Ou seja, cobramos, mas não conseguimos ver quem somos, porem em muitos  estão como o caráter contornados e cristalizados pelos valores da hipocrisia, da mentira e da falsidade e quererem se beneficiarem sempre ou quem amamos é do mesmo jeito.

Recentemente vi um grupo de homens, mulheres, jovens e adultos cobrando duramente de um parlamentar exigindo que ele tivesse uma postura ética e moral adequada. Isto aparentemente soava como algo muito nobre, mas quando fui perceber quem estava exigindo não estavam à altura para fazer nada diferente.

Este comportamento foi algo semelhante ao que é relatado no livro sagrado sobre uma mulher que fora pega em flagrante adultério: conta-se a história que uma turba de homens estava com as pedras nas mãos para apedrejá-la, mas de repente Jesus disse: ‘Aquele que não tem pecado atire a primeira pedra…’”

Naquele instante Jesus disse algo que poderíamos aplicar em todas as famílias, todas as empresas, nas igrejas, na política em qualquer parte do mundo, pois os seus ensinamentos de Jesus sempre foram muito agudos, confrontavam e sacudia a existência de qualquer um que o ouvisse atentamente.

Ele confrontou aquela turba a agir da seguinte maneira: antes de julgarmos deveríamos ir para frente do espelho, olhar dentro dos nossos olhos e sermos sinceros com nós mesmos. Observar nossos valores e nossa historia de vida se realmente somos capazes de julgarmos os outros com tanto rigor.

Será que nossas práticas, nossos valores morais e éticos fariam as pessoas sentirem orgulho e confortáveis em estarem ao nosso lado?

Quem somos nós para sermos tão exigentes com os outros? Mas quando somos nós que erramos pedimos e imploramos por clemência, porém, quando são os outros, queremos condenar  e destruir.

Com isto não estamos declarando que podemos relativizar os erros, a pratica de crimes, mas devemos usar a medida ideal, adequada e que possibilite restauração e reabilitação de quem falhou sem distinção.

Mas será que nossa história de vida nos credibiliza ser tão cruéis no julgar e condenar como é muito comum nós fazermos?

Será que a pessoa que não admitimos falhar se estivéssemos no lugar dela qual seria o nosso comportamento ou o que fizemos para ajudá-la para que a mesma não falhasse? Como agiríamos?

Talvez fosse importante avaliarmos nossa ética nas pequenas coisas e nossa historia de vida ao longo dos tempos em todos os aspectos, mas não apenas onde temos virtudes, forças e não falhamos. Pois é hipocrisia.

Assim observaríamos se estamos no nível que deveríamos estar para sermos este juiz de plantão que consegue estabelecer para os políticos, para os líderes religiosos, para os homens ou mulheres comuns o padrão ideal. Inclusive para o esposo, para a esposa, para os filhos e filhas nós exigimos deles, mas não somos tão éticos como deveríamos ser. Será que isto não acontece?

Será que nosso estilo de vida tem nos colocado num patamar tão elevado que propalamos e por isso excluímos quem consideramos inferior e falamos que tais pessoas não podem estar  nos mesmos ambientes que estamos ou frequentamos? Mas ainda quando eles chegam aos ambientes que estamos relegamos a um tratamento sem valor e honra.

Como é difícil percebermos que as pessoas agem com tanta hipocrisia, pois é muito confortável acreditarmos que somos melhores que os outros e assim tratarmos cada um subjugando-o e o fazendo sentir constantemente inferior com nossa intelectualidade, beleza, riqueza, poder e por ai vai.

Como é difícil perceber que muitos de nós escondemos nossas falhas e erros , para assim podermos atacar melhor os outros em seus erros e “pecados”. Inclusive coisas do passado.

Como é difícil perceber que quando alguém esta criticando falando mal dos políticos apenas desejaria ter mais espaço no governo, estar ao seu lado ou até estar em seu lugar, mas não fariam nada de diferente se estivessem naquela posição que tal político alcançou.

Como é difícil perceber que em todas as instituições brasileiras a corrupção se impregnou e poucos fazem alguma coisa para mudar, pois tudo tomou aspecto de paisagem e já assimilamos como correto promover alguns e derrubar outros utilizando julgamentos com criteriosos preconceituosos.

Como é difícil ver muitos cartolas criticarem os políticos, mas eles não têm moral para falar nada.

Como é difícil ver muitos jogadores criticarem os cartolas, mas quando se tornam cartolas suas praticas são as mesmas.

Como é difícil ver uma sociedade hipócrita que julga as pessoas pela cor da sua pele, pela aparência e principalmente pelo poder aquisitivo. Mas depois lamenta pela opressão, pelo roubo e pela corrupção que assola o país praticada por muitos que tem fala fácil  e uma “boa imagem”.

Como é difícil ver homens, mulheres  que suas vidas representam o que há de pior em termos de moral e ética, mas ocupam e possuem poder e assim apenas criticam as outras pessoas para impedirem de crescer.

Como é difícil ver muitas pessoas nas igrejas condenarem a pratica do adultério, da fornicação, da avareza, mas suas vidas não condizem com o que há de correto ou linearidade e simetria com o que fala.

Como é difícil perceber que as pessoas condenam constantemente os outros, mas a sua força moral e de caráter não esta a altura para exigir de ninguém.

Talvez fosse mais inteligente olharmos para o espelho e observarmos se a nossa moral é ilibada e assim possamos ser juízes e juízas tão cruéis e vingativos a fim de eliminarmos os vis e mais fracos de nosso meio.

Logicamente que muitos não se percebem, não se vêem como errantes e falhos, por isso gastam tanta energia olhando mais para os outros e não preocupam em mudar suas próprias vidas e seus valores.

Como é difícil percebermos que são pouquíssimos políticos, lideres religiosos, professores, juízes, promotores, alunos, médicos, pedreiros, empresários… que não são hipócritas no julgar.

Por isso podemos dizer como Mahatma Gandhi: “Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo.” Assim talvez devêssemos perceber que se estivermos com pedras nas mãos antes de arremessá-las poderemos ser atingidos.

Como é difícil…

 

(Eloiso Matos, prof., presidente do Capítulo da Adhonep. 786 de Trindade, presidente da Aciat, presidente do PHS de Trindade, diretor do Cepem, membro da Atleca, diretor do Colégio Objetivo Metropolitano, ex-conselheiro estadual de Educação e ex-diretor do do Campus da UEG/Trindade – [email protected])

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