Brasil

Confusão generalizada

Redação DM

Publicado em 22 de novembro de 2016 às 01:28 | Atualizado há 10 anos

Os velhos políticos mineiros quando queriam dizer que era época de turbilhão na política afirmando que aqueles eram tempos de “vaca estranhar bezerro”, tal a confusão. Vivemos então uma época assim. Todos se estranham e há um indisfarçável “cada um por si”, numa tentativa louca de fugir do noticiário que pode perfeitamente deixar as páginas políticas pelas páginas policiais. Não há um dia que não surja denúncias contra alguém, no mais das vezes os mesmos, sempre por corrupção. É nesta época também que surgem as “aves de arribação” que se aproveitam da confusão para abandonar o barco onde estavam tranquilamente instalados, e com botes e equipamentos salva-vidas à disposição. Ao menor sinal de risco, como os ratos, abandonam seus postos, num sinal claro de que não são as convicções e os interesses maiores do país que movem a atividade política no Brasil. Exemplo? No Rio, desde a prisão de Cabral, vários parlamentares da base governista já avisaram que não votarão as reformas propostas pelo governador Pezão. Antes eram entusiastas defensores das medidas, de impacto na vida dos servidores dos cidadãos. Passaram a não ser assim diante da ameaça de desestabilização do governo. Petistas e filiados de outros partidos de esquerda já falam em criar uma nova legenda, resultado das derrotas nas eleições de outubro, quando a população decretou que ser de esquerda está fora de moda. Agora, o diplomata que estava ministro, sai atirando para todos os lados, acusando companheiro de ministério e a vida política de Brasília que afirma ter descoberto que é uma podridão só. Marcelo Calero teve sim a coragem de denunciar pressões para  agir contra a lei, mas agora adota postura de virgem no lupanar, como se nada soubesse  sobre como se faz política no Brasil. E olhem que ele era da cota do PMDB do Rio de Janeiro, o que por si já o recomenda pouco. Mesmo assim, o que ele fala faz aumentar o descrédito dos políticos. Para eles, isto pode ser normal. Mas para o país é muito ruim.

 

(Paulo Cesar de Oliveira, jornalista e diretor-geral das revistas Viver Brasil e Robb Report)

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