Crescer em responsabilidade
Redação DM
Publicado em 17 de abril de 2016 às 02:26 | Atualizado há 10 anos
É oportuno refletir sobre o que disse Jiddu Krishnamurti – filósofo, educador e conferencista indiano, educado, pela Sociedade Teosófica.
É de sua lavra a máxima: “A ilusão do nosso livre arbítrio consiste na ignorância dos motivos que nos dirigem.”
Se livre arbítrio é livre escolha, juízo livre, de acordo com os léxicos, a afirmativa pode comprometer o valor de juízo livre ou de opção ou escolha.
Por este lado, onde está a decantada liberdade?
Será pura ilusão? Qual de nós jamais errou? Que motivos nos impulsionam? E quem estará isento de ressarcir seus débitos?
De acordo com o grau de perfeição que tenha alcançado, o homem, no plano espiritual, poderá escolher como serão suas futuras existências corpóreas e nisso consiste o seu livre arbítrio: a escolha.
Essa liberdade não é anulada pela encarnação nem pela reencarnação. Como o homem poderá fracassar nas provas que escolheu, deverá vigiar e orar, para que tenha a assistência dos bons Espíritos. Se o homem não tivesse livre arbítrio, ele não teria culpa por praticar o mal e nem tampouco mérito em praticar o bem. Os atos do ser humano não dependem do seu organismo físico, nem os bons nem os maus atos.
Se assim não fosse, o homem poderia ser visto como uma máquina, sem vontade própria. Se fosse dominado pelo destino, para que lhe serviria a inteligência?
Nem Deus poderia recompensá-lo ou exigir-lhe esforço evolutivo.
Onde sua responsabilidade pelos seus atos?
A irresponsabilidade perante a vida é a negação da Lei do Progresso. Força viva que as más leis podem retardar mas não sufocar.
A Justiça Divina não permite a imposição de leis feitas pelo forte, em detrimento do fraco.
Quem eleva seu pensamento acima da sua própria personalidade percebe os desígnios da Providência, que do mal faz surgir o bem.
Qualquer um, de acordo com a educação e a orientação que recebe terá mais facilidade em combater suas más tendências.
Allan Kardec, no Livro dos Espíritos, capítulo X, parte terceira, no item 872, traz um resumo teórico do móvel das ações humana, o qual se refere à fatalidade como decisão prévia e irrevogável de todos os sucessos da vida, qualquer que seja a importância deles.
Se fatalidade fosse a ordem das coisas, o homem seria máquina sem vontade. De que lhe serviria a inteligência se fosse cerceado em seus atos?
A responsabilidade com que pauta suas ações lhe conferirá estar mais ou menos vulnerável às ocorrências fatais.
Sem o livre arbítrio o homem não teria nem culpa por praticar o mal, nem mérito por praticar o bem.
Nunca há fatalidade nos atos da vida moral. Só no que concerne à morte o homem se acha submetido, em absoluto, à inexorável lei da fatalidade, por não poder escapar ao que lhe marca o fim da existência.
Sua vontade ainda poderá interferir a seu favor, quando, lembrando Jesus na oração do Pai Nosso, disser ”Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.”
As faltas que cometemos têm por fonte a imperfeição do nosso Espírito que ainda não conquistou a superioridade moral que um dia alcançará mas que, nem por isso carece de livre arbítrio.
Com base nessa imperfeição a ser transformada na perfectibilidade a que todos estamos sujeitos é que Krishnamurti se refere à ilusão da liberdade. Livres das ilusões seremos à medida em que conseguirmos crescer em responsabilidade.
(Elzi Nascimento é psicóloga clínica e escritora /Elzita Melo Quinta é pedagoga, especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem no DM às sextas-feiras e aos domingos. E–mail: iopta@iopta.com.br)