Criminalidade apavorante
Redação DM
Publicado em 13 de abril de 2016 às 03:05 | Atualizado há 10 anos
Na última semana dei início a uma série de artigos com temática política. Faço uma interrupção dessa série para focalizar o tema da criminalidade, pois a intensidade do noticiário, principalmente relativo a homicídios, tendo por vítimas mulheres em sua maioria, na semana que passou, foi tão chocante que o articulista se sente compelido a manifestar sua preocupação e sua indignação, existentes sempre, mas infelizmente a cada dia mais acentuadas. Os programas de televisão, mais notadamente os da TV Record e Bandeirantes, dedicados ao enfoque de ocorrências criminais, registram diariamente dezenas delas em que apavoram os requintes de frieza e hediondez e também a enorme incidência de autores psicopatas.
Impressionaram-me os registros da imprensa local deste último final de semana, noticiando crimes de morte. “Morta com tiro na cabeça enquanto dirigia” – foi uma das manchetes de ontem. Referia-se ao assassinato da corretora de seguros Patrícia de Paula Moreira Andrade, bela e digna mulher de 33 anos, misteriosamente alvejada quando dirigia seu carro no setor Sudoeste, faltando apenas 600 metros para chegar a sua residência. Não morreu no momento do tiro mas alguns minutos depois no Hospital de Urgências. Além do choque natural em face do crime covarde, a comoção pelos depoimentos na televisão dos seus familiares.
Ao chegar em casa anteontem após viagem de três dias por cidades interioranas, vejo dona Maria Divina, excelente prestadora de serviços domésticos em minha residência há 14 anos, ser informada por sua irmã Leila da morte por assassinato da amiga Shirley Pinheiro. Professora e cabe-lereira a vítima guiava seu automóvel em rua periférica de Aparecida de Goiânia quando recebeu um tiro na cabeça, tendo morte instantânea. Seu veículo foi roubado. Ela tinha menos de 30 anos e três filhinhos e era uma linda criatura. Até o momento não há mínima pista sobre a autoria do crime.
Na edição do último sábado do DM o título maior da primeira página: “Preso major por assassinato de médico.” Trata-se daquele rumoroso caso em que o major da PM Davi Dantas assassinou o médico Marcelo Pacheco de Brito em dezembro de 2004. O fato chocou a opinião pública durante os vários meses em que se acompanhou o desenrolar da apuração. Numa prova da morosidade com que certos crimes, mesmo escabrosos, têm o seu processo de investigação e julgamento levado a termo, somente em fevereiro de 2013 o réu respondeu a júri popular. De lá para cá a apelação absorveu o decurso processual.
Segundo estatísticas apresentadas por órgãos de segurança mais de 60 mil homicídios ocorrem no Brasil anualmente.
Faço questão de assinalar neste artigo a profunda tristeza que me causou a última notícia do Jornal Anhanguera em sua edição de anteontem. Assisti a uma entrevista do confrade Geraldo Coelho Vaz, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, a respeito do roubo de que na noite do último domingo foi vítima a entidade que ele preside. Triste, abatido, o escritor revelou a absoluta falta de segurança do prédio que é sede da grande instituição cultural.
Infelizmente vejo-me obrigado a mais uma vez deplorar a indiferença governamental em relação a providências assecuratórias do bom funcionamento e da própria segurança das entidades representativas da intelectualidade goiana. A qualquer momento me ocuparei deste assunto.
(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal às quartas & sextas-feiras – E-mail: [email protected])