Crixás, nossa terra, nossa gente
Redação DM
Publicado em 11 de maio de 2016 às 02:38 | Atualizado há 10 anos
Título do livro de Maria Madalena de Lima, mineira de Tiros, mudou-se para Crixás em 1961. Professora, fundou a Escola Municipal Bom Retiro, supervisora da TV Escola e do Salto para o futuro do MEC, pós graduação em História da África, diretora da Secretária Municipal de Saúde. Implantou o projeto A Educação no Resgate da Cultura Popular e criou a Semana do Folclore. Eu e a Presidente da Comissão Goiana do Folclore, historiadora Izabel Signoreli, estivemos lá no Festival do Pequi.
Antes somente havia um livro sobre Crixás, do anapolino José Asmar: “Crixás-Do Berço de Ouro à Luta pela Vida”.
As fontes históricas foram buscadas nos vestígios de garimpos antigos e casas modelo colonial, também nos livros de assentamentos de casamentos e batizados num acervo do século passado (1804) e várias enciclopédias da África.
Resumiu a história do garimpo desde o início pelas descobertas dos bandeirantes, o trabalho do negro escravo, do garimpo da Lavra Chapéu de Sol, Metago e Mineração Serra Grande S/A.
O arraial de Crixás foi assim chamado por causa dos índios que habitavam, e foi assim chamada no início de nação Kuruxás do ramo dos Tapuias. Grupos de indígenas acaboclados, uma mestiçagem entre Xavantes e negros. Porém, tanto Kuruxás como Kirixás identificam muito com a palavra Crixá.
Crixás foi reconhecida como arraial em 11 de novembro de 1831 e pelo mesmo decreto Pilar foi elevada à condição de Vila. E Crixás ficou submissa a Pilar até o ano de 1935 e desmembrada em 30 de março de 1938.
Em 1804 o julgado de Crixás contava com 08 brancos casados e 40 solteiros; 15 negros casados e 153 solteiros; 268 pardos casados e 787 solteiros; 14 brancas casadas e 160 solteiras; 422 escravos solteiros e 222 escravas, em um total de 1.693 homens e 909 mulheres.
Crixás já foi dona de um vasto e rico patrimônio histórico em sua maioria já extinto e o pouco que ainda resta vem sendo destruído em larga escala.
Nesse contexto estão nossas igrejas, a cadeia pública, a Casa Grande… Conscientes ou não esse foi o maior erro de nossos políticos que sempre serão lembrados da culpa dessa destruição.
Nessa Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Crixás ainda temos três Ícones esculpidos pelo famoso artista goiano Veiga Valle em 1852 (Nossa Senhora da Conceição, São Benedito e São Sebastião).
Desde 2012 a Unidade Serra Grande faz parte do grupo sul-africano AngloGold Ashanti, presente em 10 países. É a quarta maior produtora do mundo com mais de 60 mil profissionais.
A Lei Áurea não colaborou com os negros libertos, que foram jogados à própria sorte, para fora do mercado de trabalho, sem profissões, procuraram os quilombos já existentes.
Pelas leis vigentes da época o dono do escravo tinha o direito de vida e morte sobre ele. Se este se tornasse ineficaz para o trabalho era alforriado e dado de presente a quem o aceitasse, isentando o dono da responsabilidade de mantê-lo.
Com espírito afro-brasileiro no seu repertório, certamente herdado do nosso escravo, muitas remanescem no espírito de devoção as danças que acompanham nossas folias e alegram nossa sociedade. São a Dança do tambor, Catira ou Cateretê, Veadeiro, Batuque e o Entrudo (carnaval).
Sociedade – Em família e sociedade, Crixás se destacava. As famílias mais abastadas, portanto, donas da situação, vestiam-se com requinte de elegância; costureiras famosas confeccionavam os trajes elegantes das senhoras e dificilmente em sociedade era encontrado um sem paletó e gravata.
Educação – Sobre a Educação em Crixás, desde 1831, onde na sede do município se encontravam as melhores escolas da região por terem sido criadas aulas de primeiras letras, inclusive para meninas, quando se conservava o preconceito de sexo: “Mulher não precisava saber ler e escrever”. Essas aulas eram administradas em casa e na presença da mãe.
Capítulos sobre Agricultura, Pecuária, Indústrias, Quilombos em Goiás, Sincretismo religioso, Os escravos e sua cultura, Instrumentos musicais, Pós escravidão, Patrimônio histórico, Folclore e festas tradicionais, Danças, Sociedade, Saúde, Educação, Hidrografia, Nossa gente, Aspectos econômicos, Relação de todos prefeitos e vereadores…
Históricos das folias com os seus cânticos e rezas, como a Folia do Divino Espírito Santo, de Santos Reis, do Sertão, de São Patrício, de Santa Rita…
Recordações e lembranças – No princípio dos anos 20, Tomás Leão (pai do Dr. Ursulino, nascido em Crixás), desenvolve um comércio na beira da estrada, vende mercadoria e compra gado. Amplia estoque, serve a moradores e a fazendeiros.
“Uma das muitas crônicas de Ursulino Leão, ilustre filho de Crixás, onde a gente percebe sua nostalgia de sua infância vivida nesta cidade”
Toda cidade interiorana deveria ter um historiador para fazer o que a escritora Maria Madalena de Lima fez, além de outros que já registraram o que puderam de suas cidades. Parabéns, Dona Lena!
Macktub!
(Bariani Ortencio. Barianiorten[email protected])