Cronologia da ineficiência cultural no Governo Marconi Perillo
Redação DM
Publicado em 9 de junho de 2016 às 02:31 | Atualizado há 10 anosAcho muito covarde estas pessoas que pousam de democráticas e, quando detêm o mínimo poder, ligam para redações de jornais pedindo aos patrões para censurar notas, suprimir matérias e, às vezes, até pendurar cabeças que lhe têm posicionamentos contrários.
Também acho muito covarde gente pequena que, sem argumento à altura do que lhe é demandado, passa a desqualificar seus debatedores pelas costas, assegurando-se de ter a razão por mera ausência das pessoas que desqualificam.
Depois de muito insistir – e atendendo a um encaminhamento direto da governadoria, finalmente tive meus 15 minutos de reconhecimento com a sra. super-secretária da Educação, Cultura e Esportes, Raquel Teixeira. Para a ocasião, ela convocou todo seu séquito de notáveis da cultura que lhe são servidores.
Gente boa. Estavam lá Nars Chaul, Lisando Nogueira, Tânia Mendonça e Marcílio Lemos. Foi uma conversa longa e descontraída, em que tive a oportunidade de colocar um sem número de questões tendo como denominador comum a melhoria da gestão cultural do governo Marconi 4.0.
Julgava, no entanto, que além de longa e descontraída a conversa teria sido produtiva. Mas nada. O que fiz em determinando momento em que as ideias fluíam de ambos os lados foi lembrar à super-secretária que, àquela mesa, já por volta das 20h de um dia de meio de semana, eu era o único não remunerado para estar ali.
Assim, nada mais natural (e profissional) do que preparar para a super-secretária um diagnóstico da situação cultural como eu a percebia e uma junta de propostas de modelos de atuação, culminando em sugestões factíveis e transformadoras.
Agindo assim – e remunerado!, eu acreditava poder contribuir de forma significativa para as melhorias que se faziam urgentes (e agora mais ainda), do ponto de vista do aprimoramento da funções do quadro pessoal daquela Secretaria, vez que o apoio do governador sempre se abriu às expectativas do setor e era preciso aproveitar o desafio que o seu potencial de realização colocava (e ainda coloca) a favor dos ganhos culturais.
Lembro-me que entre os três itens do diagnóstico e proposta que levei à super-secretária no dia seguinte, deixando o documento devidamente no protocolo da Secretaria, um deles era exatamente me tornar uma espécie de ‘ombudsman’ da gestão da sra. super-secretária por um período de três meses, fazendo assim o que eu já fazia na imprensa, criticar, só que de maneira mais próxima e, consequentemente, mais aproveitável. Assim acreditava eu.
Aquela reunião terminou com apertos de mãos, sorrisos do grupo e abraços para selfies. Aliás, estes registros fotográficos, pensei depois, foram certamente para dar uma satisfação aos pedidos para me atender que chegaram à super-secretária (sorrindo ali receptiva ao meu lado), vindos diretamente da governadoria, aos quais agradeço agora a intenção.
Não preciso falar que o ofício que entreguei à super-secretária (há uns 6 meses) até hoje não teve resposta, isso porque ela já fizera o mesmo quando, no seu cargo anterior, diretora da Fundação Jaime Câmara, entreguei-lhe um ofício conclamando aquela prestigiosa fundação, com marcante atuação cultural, a engrossar o cordão do Centenário de Nascimento de frei Confaloni.
Em ambas os casos, seguiram-se apenas frustrações. Em ambas as oportunidades, seguiram-se o silêncio e a falta de tão altíssima autoridade simplesmente dignar-se a responder pelo sim ou pelo não.
Por estas e por outras (muitas!) é que acredito que a sra. super-secretária da Educação, Cultura e Esportes, Raquel Teixeira, faz mais mal que bem ao atual governo Marconi Perillo. Governo ao qual ela serve sempre pensando mais em seus viéses de entendimento limitado que no amplo coletivo a que deve prestar satisfações, interagir e corresponder ao menos com alguma humildade e atenção. Pelo sim ou pelo não.
Pois qual não foi minha surpresa agora quando, continuando a escrever meus artigos críticos como sempre fiz (mais recentemente, um que mostrava como as OSs na Educação não vingaram até agora unicamente por falta de capacidade estratégica. E outro a respeito das mazelas fisiológicas que continuam sendo perpetradas a cada edital), constato que a super secretária, ao invés de responder o que todo mundo quer saber, passou a querer me desqualificar (junto a seus funcionários, à governadoria e à imprensa), como se o problema fosse eu e não a falta de governança cultural em pleno Governo que muito prometia.
É bem verdade que muito tempo já se passou e o governo Marconi Perillo não decolou na área cultural. E olha que a expectativa era de ser feita aqui a melhor gestão cultural do Brasil, por que não?, simplesmente aproveitando as ideias que pululam sem no entanto serem transformadas em realidade, desperdiçando assim a força que lhes emprestaria o governador.
De minha parte, é claro que, como um ombudsman cultural independente, convicto e provado em centenas de artigos, quer queira ou não a super-secretária, seguirei com minhas observações articulares toda vez que assim quiser me expressar sobre qualquer esfera do poder.
E, tendo ela me contratado ou não naquele momento, assim eu haveria de ser: um ombudsman. Afinal, gestores passam. Alguns vergonhosamente. O que fica é a Cultura. E, quando muito, aqueles que trabalham por ela, que trabalham com ela e trabalham nela durante o decorrer de uma vida inteira.
(Px Silveira, gestor cultural com especialização no Ministério da Cultura da França, diretor da Fundação Nacional de Arte em São Paulo, órgão do Ministério da Cultura do Brasil, por todo período dos governos Fernando Henrique Cardoso, especialista em arte pública, cine-documentarista, biógrafo, galerista e escritor de uma vintena de livros sobre arte e cultura. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e da União Brasileira de Escritores UBE-GO. Conselheiro e ex-diretor executivo da OS Instituto Pensarte, gerindo três orquestras e o Theatro São Pedro, em convênio de quatro anos em vigor com o Governo do Estado de São Paulo/Secretaria da Cultura)