Brasil

Curriculum vitae

Redação DM

Publicado em 7 de outubro de 2015 às 22:45 | Atualizado há 11 anos

Sabe cara pálida? O rapaz chegou até a mim pedindo-me que fizesse a ele um “curriculum vitae”, o que, segundo ele, não sabia o que era. Pediu-me, quase implorando, que o ajudasse a fazer o tal de “curriculum”, pois estava “boiando” no assunto.

Assim que este ficou mais tranquilo, disse que o tal de curriculum não era nada mais e nada menos de que mostra sua vida de trabalho, de estudos, suas aptidões para serem apreciadas no seu possível novo emprego. Avisei que de posse de seu curriculum a firma que o iria contratar, teria uma noção de suas aptidões e se o seu perfil estivesse de acordo com o que eles pretendiam nesta contratação.

Vamos ver meu jovem: quantos cursos você possui, ou melhor, qual a sua escolaridade. Cursou o quê?

Este ficou matutando, parecendo que estava conversando consigo mesmo, ou com a sua consciência.

– Bom doutô, bota lá, fiz o primário incompleto e parei porque não tinha condições de continuar estudando.

– Muito bem, respondi. E agora, qual outra aptidão que você possui?

– Bem, aprendi a dirigir caminhão de meu tio, mas não cheguei a tirar carteira, porque num belo dia bati com o caminhão em um muro e meu tio me dispensou, sem mais nem menos.

– Se você não é motorista, não podemos colocar em seu curriculum tal profissão.

E o que mais?

– Bem, para falar a verdade, trabalhei na Lojinha do sr. Francisco lá em Nerópolis, mas como não tinha aptidão para atender aqueles clientes chatos, fui logo dispensado.

Não fez nenhum curso profissionalizante ?

– Não senhor.

Então, como você quer que eu faça um curriculum vitae se não possui nenhum predicado ou dote para apresentar e abocanhar o emprego desejado?

– Ora douto, invente alguma coisa aí, não será eu que irei assinar?

– Escute aqui, meu filho, eles vão buscar saber se tudo que eu escrever é correto.

– Então escreva  qualquer coisa.

Então eu fiz. Disse algumas coisas que não eram verdadeiras e entreguei ao jovem.

Este sai alegre do meu escritório.

Passados alguns dias, eis que este volta ate a mim, dizendo:

– Consegui o emprego, seu curriculum valeu.

Fique atônito.

Acredito que a firma não leu o que estava escrito no curriculum, ou se leu, levou em consideração todas as mentiras que escrevi para o jovem.

Então, para que vale tais informações curriculares?

 

(Orimar de Bastos é juiz de Direito aposentado, advogado militante em Caldas Novas, membro da Academia Tocantinense de Letras, ocupante da Cadeira n° 33 e membro da Academia de Letras e Artes de Piracanjuba-GO e Cidadão Caldas-novense. E-mail: [email protected])

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