Da Roça: preocupação com descaso pelo basquete em Goiás
Redação DM
Publicado em 27 de março de 2018 às 23:32 | Atualizado há 8 anosCristã convicta, Wagnér Oliveira, conhecida como Da Roça, é professora de educação física aposentada, mas que segue trabalhando com alegria. Sobretudo no que gosta de fazer: formar novos talentos no basquetebol. E, apesar dos frutos colhidos ao longo de mais de 35 anos de trabalho, vem encontrando resistência de alguns dos atuais dirigentes da tradicional Escolinha de Iniciação Esportiva do Governo de Goiás. Sem uma explicação plausível, insistem em retirar o espaço sagrado do basquete para ampliar o espaço do futsal.
E o mais importante em sua carreira profissional, seja como professora ou atleta, é que Da Roça sempre buscou aproveitar as oportunidades para falar do amor de Deus para seus alunos e colegas de trabalho. Em mais de 40 anos usando o esporte como método de evangelismo, ela já contabiliza mais de 4.000 pessoas que aceitaram a mensagem do evangelho.
Depois de Cristo, basquete é a grande paixão de Wagnér, que, inclusive, tem uma carreira vasta e de vitórias no esporte. Defendeu a Seleção Brasileira Master em campeonatos no Peru, Chile, Croácia, República Checa, Polônia, Grécia e Itália. No Brasil, coleciona uma série de torneios municipais, regionais e estaduais, representando diversas equipes. E a sublime missão de evangelizar a acompanha por onde quer que vá. Conta que gosta de passar um tempo numa equipe, fazer um trabalho de evangelismo ali, e então ir para outro time. “Jogo porque gosto, mas sem perder o foco missionário, porque foi para isso que Deus me chamou”, enfatiza.
E o ápice do cristianismo que pratica é sempre o Encontro de Amigos, que acontece anualmente numa igreja adventista. Num clima de descontração, com cantores e pastores convidados, as crianças e os jogadores que acompanhou durante os meses se familiarizam com a comunidade cristã. Também não falta o almoço (quando à noite, lanche), a entrega de um kit com Bíblia e outras lembranças; e, quase sempre, um festival de basquete para encerrar o momento. O acompanhamento e a aproximação do grupo com a Igreja é o que, de fato, fixa o conhecimento adquirido nos estudos bíblicos. Da Roça valoriza muito o trabalho de discipulado antes do batismo. “Quero que eles entrem na Igreja com a paixão pela missão, o Ide de Jesus. E vemos o resultado: quase todos esses com quem trabalhei hoje são evangelistas e têm a mesma paixão por missão que eu tenho”, comemora.
Para chegar aos 69 anos com vitalidade, disposição e foco definido, Wagnér considera essencial o cuidado com a saúde, bem como a alegria constante. “Eu falo que tenho quase 70 anos pra ir me acostumando, porque na minha cabeça, só tenho 50! (risos)”, brinca. Ela também julga importante o relacionamento de fidelidade com Deus, mesmo não sendo fácil conciliar a carreira com os seus princípios religiosos, garante que manter-se fiel sempre valeu a pena. “Na Croácia, por exemplo, teve um jogo no sábado. A equipe insistiu, mas eu falei que ficaria no hotel orando pela seleção. Ganhamos o jogo! Hoje, já sabem que não jogo aos sábados. Então, quando vão fazer escalas dos jogos, fazem o possível pra não colocar nossas partidas na sexta à noite, nem no sábado. Isso já é uma maneira de testemunhar”.
Mas ela confessa que está magoada com os desentendimentos com alguns dos dirigentes da Iniciação Esportiva do Governo de Goiás, haja vista que, hoje, vem ministrando aulas em um espaço sobre o Túnel Jaime Câmara, na Avenida Araguaia, em frente ao Parque Mutirama, local de insegurança, principalmente para as crianças. Na qualidade de professora que trabalha há 35 anos abnegadamente em prol do basquete e única mulher que representa Goiás na Seleção Brasileira de Basquete Master, assim como nas seleções de São Paulo e da Paraíba, Wagnér, que acaba de ser convocada para o Pan-Americano Maxbasquekeball, espera respeito. Aliás, grandes jogadoras, ao exemplo de Marta, presenciaram o que houve aqui e estão escandalizadas com o descaso do poder público com a categoria de base do basquete no Estado.
Da Roça espera chegar logo a um denominador comum, até porque acha um absurdo retirar o basquete, esporte que proporcionou tantas glórias ao Estado, das modalidades oferecidas pelo Governo de Goiás. E são centenas de crianças carentes que buscam a prática dessa modalidade esportiva. Que Deus ilumine esses dirigentes, notadamente a secretária de Educação do Estado, nossa querida Raquel Teixeira, para que interceda logo para resolver essa questão da melhor maneira possível. Até porque Wagnér já conseguiu regularizar o espaço para aulas à turma do Setor Pedro Ludovico.
(João Nascimento, jornalista)