Depois do circo armado na Câmara Federal, pela educação, dizemos: sim!
Redação DM
Publicado em 11 de maio de 2016 às 02:43 | Atualizado há 10 anos
Que vergonha! A votação na Câmara Federal para o impeachment da Presidente Dilma, mais pareceu um feira de insanos a gritar desesperadamente, do que uma reunião de parlamentares onde de maneira educadamente nos representasse com dignidade. Ficou claro também a incompetência da Câmara Federal, pois, deveria ter proporcionado um melhor local para que os parlamentares pudessem encaminhar o voto de maneira mais privativa, por exemplo, a votação poderia ter sido dentro de uma cabine equipada com microfone e serviço de som adequado, onde o voto de cada deputado pudesse ser ouvido de fora da cabine por todo o plenário.
Os Deputados que deveriam apenas exercer o voto dizendo: Sim ou não, desvirtuaram a essência da votação e usaram da tribuna improvisada para elogiar parentes ( pela minha mãe, pelo meu pai, pelo meu filho, pela minha filha, pela minha esposa, pelo meu esposo) só faltou algum deputado ter dito: Pelo meu cachorro! Pela minha empregada doméstica! Pelo meu papagaio! Pelos poderes de “Grayskul”! E, lamentavelmente, muitos deputados usaram o “nome de Deus em vão”, demonstrando uma falta de respeito para com o Sagrado, pois, Deus sendo um Ser santo, perfeito, justo, piedoso e amoroso, jamais se compactua com a sujeira, as falcatruas, as mentiras, os conchavos, o descalabro e as atitudes corruptas que, infelizmente, emanam do Congresso Nacional, salvando-se, com raras exceções alguns deputados, pois não podemos generalizar.
Os desafetos da Presidente Dilma dirigiram-lhes impropérios dos quais o momento não era oportuno para tal, alguns deputados usaram palavras de baixo calão contra Eduardo Cunha e outros que, saíram na defesa da presidente Dilma também se esvaíram na demagogia sem fundamentos e totalmente fora do atual contexto da vontade popular. Poucos foram os parlamentares que fizeram jus do momento da votação e simplesmente usaram o microfone para votar contra ou a favor do processo de Impeachment da presidente Dilma. O momento ainda foi marcado pela gritaria e o tumulto, sobretudo, por parte daqueles deputados que, eram favoráveis ao processo de Impeachment.
Lamentavelmente, dentre tantas palavras de elogios que os senhores deputados fizeram antes de manifestar pelo sim ou pelo não, não ouvimos nenhum deputado fazer menção da Educação, o que mostra o quanto os nossos parlamentares estão despreocupados e desinteressados com a questão educacional, pois, ficou claro que, os interesses próprios de cada parlamentar sobressaíram aos interesses da coletividade brasileira, dos quais os deputados deveriam representar com honradez e em nenhum momento legislar em causa própria, como ficou transparecido no referido processo de votação.
Enquanto isso, continuamos a viver sob a herança romana da chamada política “Pão e circo”, onde o parlamento-mor da república brasileira lembra-nos mais um grande circo, cujos palhaços engravatados tentam ludibriar-nos com os seus “Shows de graça sem graça”, repetitivos, enfadonhos, ridículos e ultrapassados que, na verdade não passa de uma velha tragédia. Resta-nos a esperança de dias melhores; e do grande palco da sala de aula, o grito embargado na garganta de cada professor e de cada professora ecoa em som de protesto: pela educação, dizemos: sim.
(Giovani Ribeiro Alves, filósofo, professor de Filosofia na Rede Pública Estadual, em Goiânia, professor no Instituto Bíblico de Campinas, escritor, poeta, membro da Associação Goiana de Imprensa e articulista do Diário da Manhã.)