Deus e o acaso
Redação DM
Publicado em 3 de abril de 2016 às 01:46 | Atualizado há 10 anos
Tem gente que atribui ao acaso a existência de Deus e do próprio Universo, admitindo, irrefletidamente, um acaso inteligente.
Os filósofos e os cientistas que admitem que Deus e o Universo são obra do acaso não têm encontrado argumentos que embasem suas teorias. Daí as constantes reformulações de seus pontos de vista, a cada descoberta de leis físicas e extrafísicas preexistentes. Ainda bem que o número desses homens, que se dizem homens de letras, são raros, hoje em dia, por influência do avanço das ciências naturais, que veem, ultimamente, pouco a pouco, valendo-se das experiências orientais, onde preponderam as religiões filosóficas e científicas do planeta.
Muitos dos cientistas, inclusive no campo da Física Moderna, estão convencidos de que a contribuição dessas doutrinas orientais não exercem apenas influência nas ciências naturais e na filosofia ocidentais, mas também que se mostram imprescindíveis ao preenchimento de lacunas que seriam impossíveis sem delas o concurso.
Para explicar-se o macrocosmo, e mais ainda, o microcosmo, sua causa e natureza, a ciência continua com muitas questões sem respostas convincentes, reformulando-se a cada nova descoberta de leis pré-existentes no Cosmos.
2 – Otaciro Rangel Nascimento, em seu importante livro “Das Causas Primárias”, onde desdobra algumas das questões de “O Livro dos Espíritos” e também de “A Gênese”, ambos de Allan Kardec, oportuniza-nos colocações que merecem a nossa acurada atenção.
No capítulo 1 – Deus e o Infinito –, que procuramos analisar, o autor, com base na questão número 1, de “O Livro dos Espíritos”, argumenta, com ardor inaudito, que somente uma Inteligência Suprema poderia mesmo conceber, arquitetar e criar o Universo, quanto ao infinitamente grande e ao infinitamente pequeno, cuja magnitude e beleza são impossíveis de ser retratadas por qualquer dos mais eminentes poetas da literatura mundial.
Depois de discorrer com inegável competência sobre a referida questão, o autor nos proporciona uma poética e maravilhosa viajem pelo Infinito, que não temos como desviá-la de nossos curiosos leitores.
Vejam-na:
“Dentro de cálculos de probabilidades que envolvem tentativas e erros, é impossível aceitar que um acaso possa criar e lograr êxito em processos como a vida em toda sua complexidade. Seria admitir a vida como a grande sorte ou o grande azar.
Para pensarmos melhor sobre o conceito de causa primária apresentado pelos Espíritos, devemos fazer uma digressão sobre o que já sabemos do macrocosmo e do microcosmo.
Comecemos nos localizando no nosso Universo próximo. Vivemos em um dos planetas do nosso sistema planetário solar, a nossa Terra, que está distante do Sol cerca de 150 milhões de quilômetros.
Um milhão pode ser representado pela simbologia matemática com 1 seguido de seis zeros, separando-se cada três zeros por um ponto (1.000.000 = 10.6) ou em potência de 10 por dez elevado ao número seis.
Parece-nos um número muito grande quando fazemos a comparação com uma viagem de aproximadamente mil quilômetros de São Paulo a Brasília. Da Terra ao Sol seria equivalente a fazer essa viagem 150.000 vezes.
Na astronomia, esta distância Terra-Sol é chamada uma unidade astronômica e é simbolizada por 1 u.a. A distância do Sol ao planeta Júpiter, o maior do nosso sistema, equivale a 5,2 u.a; e do Sol a Netuno são 30 u.a., isto é, 30 vezes 150 milhões de quilômetros.
Esta maneira de medir distâncias dentro do nosso sistema solar fica pequena e inapropriada se quisermos considerar as distâncias entre as estrelas mais próximas de nós, como Alfa Centauro ou a estrela Sirius. Alfa Centauro está distante de nós 43 trilhões de quilômetros, ou seja, 286.670 u.a. e é a estrela mais próxima de nosso sistema planetário.
Então, para nos referenciarmos às distâncias estelares, usamos uma nova unidade de medida astronômica que é o ano-luz. Nessa unidade, Alfa Centauro está a 4,3 anos-luz, separada de nós, o que equivale dizer que, ao observá-la, vemos a luz que de lá saiu há 4,3 anos.
Assim, 9,46 trilhões de quilômetros correspondem a 1 ano-luz, que é o espaço percorrido pela luz, cuja velocidade é de 300.000 km/s, durante um ano de viagem. Portanto, Sirius está a 9 anos-luz distante e a estrela Capela, da constelação de Cocheiro, está a 41 anos-luz. A estrela Alcíone, a maior da constelação das Plêiades, está a 415 anos-luz de nós.
A nossa galáxia, a Via Láctea, tem 100 mil anos-luz de diâmetro e o nosso Sol está a 30 mil anos-luz do centro da Via Láctea. A galáxia que podemos considerar como mais próxima de nós é Andrômeda, a 2 milhões de anos-luz distante de nós.
Com o observatório Hubble foi possível fotografar galáxias a mais de 12 bilhões de anos-luz distantes de nós. Dá para imaginar distâncias tão grandes…? E tudo é obra da Criação Divina… Dá para imaginar o que é Inteligência Suprema?!!! …”
3 – A seguir, dando-nos uma aula de astronomia, relacionando o número estupendo de galáxias, tal como a nossa Via Láctea e de estrelas, tais como o Sol, centro de nosso sistema estelar, continua:
“…A nossa galáxia, a Via Láctea, possui estimativamente mais de 100 bilhões de estrelas. A galáxia de Andrômeda, nossa vizinha, é um pouco maior, composta, por, aproximadamente, 200 bilhões de estrelas.
Hoje, estima-se que existam cerca de 200 bilhões de galáxias maiores e menores que essas mais conhecidas. Dá para calcular quantas estrelas existem no nosso universo observável?… E tudo é obra da Criação Divina… Dá para imaginar o que é Inteligência Suprema?!!!
Ao olharmos a abóboda celeste numa noite limpa de nuvens, vemos miríades de pontos luminosos que são estrelas, galáxias e outros corpos celestes.
Todos juntos representam o céu do passado. A luz que nos chega aos olhos saiu desses pontos luminosos há muitos anos e os vemos somente agora. O passado é mais distante à medida que a estrela está mais longe de nós.
Quando olhamos para a galáxia de Andrômeda, estamos vendo a luz que saiu de lá há dois milhões de anos… Ela poderia até ter desaparecido agora e só saberíamos disto daqui a dois milhões de anos. Tal fato é consequência da velocidade da luz que gasta um segundo para percorrer 300 mil quilômetros.”
4 – Decorre do que foi brilhantemente exposto pelo autor de “Das Causas Primárias”, que negar a existência da “…Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas”, é negar-se a si mesmo, ou seja, é dar a si mesmo um atestado de idiotia.
Referência Bibliográfica:
“Das Causas Primárias” – FEEGO – 2015 – 1ª Parte, cap. 1, p. 21/23;
“O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, questão nº 1;
“A Gênese”, Idem, cap. I, itens 1 a 7 e 8 a 37 – FEB – Brasília/DF, 52ª edição – 2012.
(Weimar Muniz de Oliveira, [email protected])