Brasil

Deus está morto!

Redação DM

Publicado em 9 de agosto de 2016 às 02:48 | Atualizado há 10 anos

“Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós!” Trago está afirmação baseado na fala do grande filosofo ateu do século XIX Friedrich Nietzsche, no seu livro A Gaia Ciência, §125. Nasceu numa família luterana, filho de pastor.

Por que trago esta afirmação?! Para mostra que matamos Deus, todas as vezes que negamos o direito de uma vida decente a qualquer cidadão (Rm 13,10), e que Deus está morto em cada canto da nossa cidade, da nossa casa, na nossa própria vida. (1Jo 4, 20).

Na música de Zé Ramalho, o senhor que construiu o edifico nem para ele pode olhar. O lugar de repouso será a pequena igreja, a pequena garota que tem o pé no chão, na escola não pode estudar, pois os dois são excluídos pelo sistema capitalista selvagem que só olha para os números, esquecendo os necessitados, marginalizando-os por não possuírem uma boa conta bancaria. Estes excluídos são os mesmos que constroem e são requisitados para fazerem a máquina funcionar.

Estes miseráveis castigados pelo destinos são obrigados a viverem com o pouco e quase nada, quando tem um sonho de uma vida melhor, são massacrados por uma economia que só visa o lucro desacerbado, esquecendo do mais importante, que é a vida.  Até mesmo a própria religião se torna uma instituição depravada que exclui aqueles que não tem uma boa condição financeira. Como? É fácil percebermos, quando visitamos nossas igrejas luxuosas, não encontramos ninguém que necessite de ajuda, “aparentemente”, pois todos parecem muito bem, obrigado! Com seus belos trajes que mais parece um desfile de modas. Roupa finérrima e cara, excluindo, assim aqueles que não têm a mínima condição de terem ao menos um par de sapatos e uma simples roupa batida para se aproximar do que chamam de sagrado.

O próprio cristianismo é uma religião que nasce dos pobres, para os pobres, que teve dificuldades no seu crescimento. Reunia-se em tumbas, hoje nos seus mega-templos, não é atendido aquele ou aquela, que não tem condição de bem se apresentar ao seu pastor ou padre, pois o mesmo veste um terno italiano finíssimo, comprado com o próprio dinheiro do pobre desgraçado, que necessita apenas de uma simples oração de conforto, para o alivio da sua dor e cansaço causados pela exclusão da sua própria consciência (Mt 11, 28 – 30).

Não há motivo para pânico, pois estes mesmos homens e mulheres que vestem seus ternos e vestidos importados são os que pregam um Jesus, que já não é permitido nas casas entrar, pois como diz a musica o ser humano criou asas e no seu plano econômico não há mais espaço para o projeto do próprio Deus. Como disse o filosofo Nietzsche: (“Gott ist tot”) “Deus está morto” e não podemos esquecer que fomos nós que o matamos. “A morte de Deus metaforiza o fato de os homens não mais serem capazes de crer numa ordenação cósmica transcendente, o que os levaria a uma rejeição dos valores absolutos e, por fim, à descrença em quaisquer valores”. Assim podemos acreditar na rejeição do projeto de Jesus de amor e justiça que deve ser aplicado agora, na demonstração de amor a Deus e ao próximo.

Este ano a campanha da fraternidade tem por tema: economia e vida, devemos resgatar o valor humano do próximo, sabendo que a economia deve valorizar também os excluídos, marginalizados, trabalhadores de baixa renda que ao menos tenham acesso a uma consulta digna ou no mínimo a saneamento básico. Devemos buscar o valor e dignidade de milhares de jovens que se perdem por falta de educação e milhares de pessoas com suas diversas necessidades físicas ou espirituais.

Que a igreja cristã acorde para o seu papel fundamental nesta terra, como igreja de Jesus Cristo, que é ampará os pobres necessitados da graça salvadora de Deus e não Excluí-los do reino de amor e justiça, como Jesus pregou.

 

(Francisco Neto, teólogo, educador e personal coach)

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia