Brasil

Diários e devaneios poéticos de uma ilustre dama nos sertões de Goiás

Redação DM

Publicado em 7 de setembro de 2016 às 03:23 | Atualizado há 1 ano

As viagens no século XIX eram plenas de dificuldades. Se para os homens afeitos à vida difícil da lida com as peripécias dos ermos caminhos, para uma mulher então, ainda não afeita à vida rural, transformava-se numa epopeia. A grande dama de nossa literatura, Augusta de Faro Fleury Curado narrou num diário de viagem, o cotidiano de uma trajetória entre a então Capital Federal, Rio de Janeiro e a Cidade de Goiás em 1896, anotando, além das dificuldades, muitos fatos relacionados à sociedade e também ao meio em que esteve.

Em 23 de agosto de 1896, há 120 anos, partia da Central do Rio de Janeiro, então Capital Federal, com destino à Cidade de Goiás, o jovem casal, Dr. Sebastião Fleury Curado e Augusta de Faro Fleury Curado, acompanhados dos dois filhos (Maria Paula e André) ainda bastantes crianças.

Dr. Sebastião Fleury Curado, eminente homem púbico no império e principalmente na República, advogado, formado pela famosa Faculdade de Direito do Largo de São Francisco na Capital Paulista, deputado à Constituinte de 1891, retomava à sua terra natal, a antiga Capital de Estado, trazendo sua jovem esposa Augusta de Faro Fleury Curado, mulher refinada, elegante, poeta de rara sensibilidade, educada em Paris que, da difícil viagem ao sertão de Goiás deixou um saboroso diário intitulado “Do Rio de Janeiro a Goyaz 1896 – A viagem era assim”, publicado mais tarde por sua filha, a escritora Maria Paula Fleury de Godoy.

O jovem casal seguiu de trem até Araguari, onde a viagem continuaria a cavalo, ocasião em que não faltariam peripécias e sofrimentos, todas suportadas com bom humor e determinação de Augusta Faro, feliz em seguir seu destino junte ao adorado marido. Em 11 de outubro de 1896 pernoitaram no arraial do Barro Preto, que Augusta de Faro assim definiu: “Saímos de Santo Antônio em companhia de um carro de bois carregado de toucinho e de um tocador de porcos. Estávamos a 32 léguas de Goyaz. Então, era um gosto ver um querer passar na frente de outro para chegar primeiro à Capital. Pousamos no meio do campo no lugar denominado Barro Preto – bem merecido nome, lama preta. O carro de bois já estava descansando, os poucos ficou ainda muito tempo atrás. Choveu bastante durante a noite”.

Sobre Campininha das Flores, em seu diário, Augusta de Faro Fleury Curado assim se expressou: “Quando saímos, o Carro de Bois fazia ouvir o chiar das rodas, já bem distante. Alcançamo-la junto a uma ponte meio estragada, que ele não podia transpor sem perigo. Nós passamos bem e eles, os boiadeiros, ficaram arranjando outra ponte e nunca mais nos alcançaram. À tarde, entrávamos no arraial de Campininha das Flores. Um arraial de 50 casas, no meio do Largo está à igrejinha com seu campanário triste, não há capelão, porém perto há um convento de frades. Para irmos ao rancho, tivemos que dar uma volta ao Largo; fazia vontade de rir ver o povo todo nas janelas e nós parecíamos um grupo de gente de circo fazendo reclame por ali. Nós não ficamos no rancho, porém, porque lá nos foi buscar um senhor que conhecia Sebastião de nome e nos levou para a casa dele. Tratou-nos a vela de libra, lençóis de babado de rendas, fronhas de crivo, colchas de largas ramagens”.

Documentário precioso, o diário de Augusta de Faro Fleury Curado contém, no conjunto de informações valiosas, o cotidiano do interior brasileiro nos primeiros anos República.

Augusta de Faro Fleury Curado utilizou-se de um velho caderno para anotar passo a passo os percalços de sua viagem desde o Rio de Janeiro até a Cidade de Goiás. Esse caderno, com belos manuscritos na caprichada caligrafia da autora, foi mais tarde compilado por sua filha Maria Paula Fleury de Godoy e publicado no Rio de Janeiro pela Editora Pongetti em l961, a sua segunda edição saiu pela gráfica da Universidade Católica de Goiás no ano de l985 e a terceira em 2006.

Nesse longo diário de crônicas históricas, Augusta de Faro Fleury Curado demonstra ser detentora de largo conhecimento de mundo e de cultura acima da média porque foi educada em Paris e no Rio de Janeiro, onde vivera por dezoito anos. Nascida em Curitiba, em 1865, e falecida na cidade de Goiás, em 1929, a autora deixou ainda dois livros: Devaneios e Ramalhete de Saudades, impregnados de lirismo e francesismo, escritos numa linguagem requintada e sutil, bem ao gosto do princípio do século XX, quando o Brasil vivia sob os auspícios da belle époque. Esses livros foram coligidos depois por sua filha Mariana Augusta Fleury Curado também escritora.

A linguagem de Augusta de Faro Fleury Curado é marcada pelo requinte, impregnada de termos franceses e também de conformismo diante dos fatos e dos acontecimentos que pululavam então, reflete o pensamento feminino goiano, assim como o brasileiro, desse período.

Em vários trechos das crônicas de Augusta de Faro vamos perceber como era comum a preocupação da mulher com os seus deveres de esposa e mãe, com os diversos afazeres do marido, guardando consigo, muitas vezes, certos temores que não eram repartidos com o esposo, como o medo de enfrentar uma cidade nova como Goiás, de costumes diferentes do Rio de Janeiro, de saber-se aceita ou não pelos parentes do esposo ou mesmo o de enfrentar as dificuldades de uma viagem tão cheia de percalços com duas crianças ainda pequenas.

As crônicas de Augusta de Faro iniciam-se na central do Rio de Janeiro, então capital Federal, em 23 de agosto de 1896, e terminam no Cais do Rio Vermelho, na Cidade de Goiás, em 20 de outubro do mesmo ano, ponto de chegada de sua família.

Como arguta observadora, a cronista descreve a movimentação do Rio de Janeiro no final do século XIX, dando-nos a  angu do desenvolvimento que explodiria na próxima década, mas que não resolveria as contradições marcadas, no relato, pelo transitar de carroças, ao lado de bondes, desafio colocado aos poetas modernistas, principalmente Oswald de Andrade na primeira fase do Modernismo (l922-l930) em que fala da disparidade do Brasil anacrônico em termos de modernidade científica querer igualar-se, na época, aos moldes da escrita francesa.

O Rio de Janeiro cosmopolita com carroças e bondes, imprensa, energia elétrica, empregados movimentando-se, é mostrado em sua rotina da estação da central de trem numa “madrugada triste” do final do século XIX, na partida para Goiás – um ermo distante e desconhecido, destino da jovem esposa que viria definitivamente para a terra do marido, o jurista Dr. Sebastião Fleury Curado, constituinte de 1891, formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, um homem raro e culto que “autorizava” sua mulher a escrever, o que não era comum para a época.

Augusta de Faro registra peculiaridades dos espaços e também volta o olhar para as pessoas que ocupavam esse lugar, descrevendo as cenas dos imigrantes italianos (fato recente então no Brasil daquela época) brigando por trabalho na pátria para a qual haviam sido chamados; com promessas de terra, trabalho e esperança em vida melhor. Percebe-se no relato da autora o senso crítico e observador, característica importante no exercício de escrita do cronista: “Só se esbarra em italianos, que perseguem os viajantes para conduzir-lhes as cargas. Buena noite signore, date me  sua bagagem. No, no, data a me, signore. Cane diavolo. E por ai vão, brigando por quem será escolhido e acabam em tapas e pontapés”.

A visão que a cronista Augusta de Faro passa é a de um certo incômodo gerado pelo grande contingente de italianos, vindos para o Brasil substituir a mão-de-obra escrava, nos quais “se esbarra” e que “perseguem os viajantes”, “brigando por quem será escolhido”. Tal visão está impregnada daquele conceito de mundanidade, de progresso cosmopolita que se verificava na então capital Federal.

Notória é a influência francesa nos costumes, hábitos, modismos e expressões das mulheres desse período em suas obras, observando-se a “esmerada educação” sob influência da cultura francesa, como podemos depreender desse trecho da crônica em causa, por meio do qual a autora descreve o hotel em que ficou na cidade de São Paulo: “Em sua fachada se ostenta o bonito relógio vindo de Paris (…). Que diferença entre este hotel de roça sem cômodo e o belo hotel da França, todo iluminado a luz elétrica, com seus criados espertos para o serviço e o conforto das cidades civilizadas”.

Augusta de Faro, em detrimento ao que é nacional, valoriza sobremaneira a qualidade de vida das grandes cidades, o conforto da vida citadina e a cultura francesa, superior às demais no pensamento daquele tempo, marcado pelo anseio do requinte e do luxo, e esse aspecto passou a fazer parte do fazer literário. A literatura brasileira passa a se inspirar diretamente em fontes culturais francesas e inglesas, particularmente naquelas, inaugurando um extenso período de influência estético literária sob os auspícios da cultura gaulesa.

E tudo para a autora, debalde o sofrimento da viagem, ou pelo provincianismo que vai percebendo ao afastar-se do Rio de Janeiro, tem sabor especial, porque segue com seu marido e filhos: “Graças a Deus, porém, hoje tenho minha vida ligada ao único homem que soube tanger meu coração a suave melodia do amor, puro, santo e eterno. E consola-me lembrar que o amo, que sou amada e tenho meus dois filhos, ternura sem preço, alegria nas dores, encanto de meu lar”.

Chegando a Uberaba, ponto terminal da Estrada de Ferro de Goiás, a autora já sente os primeiros impactos do que seria a viagem daí por diante, sertão adentro, enfrentando o atrasado estado central do Brasil, fato notado na diferença dos “dois brasis” por Jacques Lambert e Euclides da Cunha; mostrando o Brasil litorâneo e intelectualizado aos moldes europeus em contraste com o Brasil pobre e esquecido, analfabeto e desprezado do sertão. Notória, também, é a descrição enxuta e concisa da cronista: “Uberaba é uma bela cidade, bem grande com bonitos prédios, carro e muito luxo. Só se anda com vestidos de seda, embora as ruas não sejam calçadas e o pó vermelho se agarra à roupa de modo detestável”.

Seguindo viagem de banguê e nos lombos dos burros, a autora mostra um fato histórico: a inauguração da estação de trem da cidade de Araguari, fato que a cronista registra, ao falar da ignorância do Brasil sertanejo. Digno de nota é a sutil ironia da autora: “Inaugurou-se a Estrada de Ferro durante a nossa estada em Araguari. Imaginem que barulhada. Veio da roça não sei quanta gente para ver o bicho que lança fogo e tem partes com o diabo. Houve mesas de doces, brindes, muita cerveja. As senhoras em grande toalete, na estação, esperando a máquina que vinha toda enfeitada de bandeiras. Quando, porém, ela apitou, foi uma corrida por ali afora. Mulheres tiveram ataques, homens velhos juraram que nunca se serviriam de semelhante coisa, que urra feito bicho e tem fogo no corpo. Os moleques corriam de pavor, derrubando os tabuleiros de biscoitos. E enquanto isso a máquina entrava triunfante na pequena estação de Araguari. Durante muitos dias só se falou na tal invenção do capeta”.

Descrevendo detalhes, como narradora de uma situação, Augusta de Faro captou o instante histórico em Araguari e fez o registro não somente com a preocupação de historiadora, mas como participante daquele fato solene, observado sob sua fina ironia de mulher civilizada diante da rusticidade do sertão e provincianismo de sua gente.

De fato, o texto de Augusta de Faro, revelador de uma visão crítica das abruptas diferenças de desenvolvimento do Brasil, não era para ser publicado, somente veio a lume depois da morte da autora em 1929, compilado, como dissemos, por sua filha Maria Paula. Aliás, o único livro publicado em vida pela autora foi Devaneios no ano de 1891, quando ainda residia em São Paulo.

Em suas crônicas durante a exaustiva viagem para Goiás, Augusta de Faro descreve com lirismo e acentuados traços românticos os pousos sertanejos, destacando termos até então bastante presentes na literatura,  como “luar”, “crianças”, “lanternas mágicas”, expressões notadamente líricas, até mesmo o fato do casal estar sentado num toco de árvore ao luar, esquecidos a conversar.

É a postura romântico-literária da cronista: “No paiol, a lua entrava mansamente, indo brincar nos cabelos dos meus filhinhos e dourar espigas de milho, atiradas a um canto. Nos lençóis que pusemos nos paus do paiol, formando biombos ela fazia surgir estranhas figuras, como as que fazem as lanternas mágicas e que tanto nos encantam quando crianças. Sebastião e eu passamos muito tempo ao luar; esquecemo-nos a conversar, sentados num toco de árvore”.

Durante trinta e dois dias em pleno sertão, de Araguari à Cidade de Goiás, a cronista foi relatando peculiaridades por onde passou e as dificuldades enfrentadas em todo o percurso, como chuva, sol forte, sereno, espinhos, animais peçonhentos, travessia de rios, sede, cansaço.

E esposa resignada, vê-se recompensada, ao final do diário, na chegada à Cidade de Goiás, com a alegria do marido. E nesse último relato, percebemos o atraso da então capital goiana em relação ao Rio de Janeiro, na viagem terminada num rústico banguê com gente curiosa indagando sobre os viajantes.

Vemos ainda a situação geográfica desfavorável da cidade que a fazia ficar perdida entre as serras, longe da modernidade ou mesmo da possível chegada do trem, fato que realmente nunca aconteceu e que insuflou a mudança da capital para Goiânia mais de três décadas depois: “O banguê quase vira ao entrarmos na cidade. Já estava escuro quando atravessamos as ruas. Muitos curiosos perguntavam quem ia no banguê; se era gente doente. O prazer que tive em ver meu marido abraçar sua boa mãe compensou os sacrifícios que, porventura, houvesse feito. Dormimos um sono invejável, em boa cama macia, com alvos e frescos lençóis. A Cidade de Goiás é toda cercada de morros. No centro está um vale atravessado pelo Rio Vermelho. E entrada é linda, mas a cidade perde muito pela situação. Agora, até a volta, e que Deus nos proteja.”

Também, Augusta de Faro Fleury Curado faz descrições do cenário em torno e das constantes mudanças da paisagem. Alguns nomes até evocam o Cerrado como “Cabeceira do Cedro”, denominação de um dos pousos, assim como “Cachoeira das Araras” onde a narradora descreve o cenário em torno, do Cerrado: “É uma paisagem africana: altos coqueiros em renque, palmeiras, desdobrando-se aos grandes leques, maciços de terra cobertos de capim novo. De um lado, um pantanal coberto por caniços que se balançavam graciosamente e por grandes flores roxas em haste”.

Em outras passagens a nobre senhora destaca a monotonia da viagem:”Era maior parte do tempo um chapadão, uma estrada sempre em terreno plano, onde as árvores são raras e há pouca água”. Outras vezes a autora pinta poeticamente a paisagem pelos Cerrados ou pelas matas mais altas: “Não se pode imaginar a beleza do nosso solo: Árvores de uma altura descomunal, à beirado riacho mil florinhas de cores vivas, os leitos dos córregos cheios de pedrinhas alvas e tantas borboletas de lindas cores a esvoaçarem como ramalhetes alados.”

Segue ainda a autora na visão das grandes matas do solo goiano: “Árvores tão copadas que não se lhe viam os troncos; pássaros de plumagens variadíssimas, flores mimosas, o céu azul, muito azul, de uma pureza inalterável; o sol, qual lâmpada, espargia seus raios, dava vida e calor a tudo aquilo”.

Na região do Mato Grosso Goiano, entre os arraiais de Campininha das Flores e Goiabeiras, Curado (2006, p. 62) descreve o cenário impressionante das grandes matas, densas e profundas, típicas da região, outrora:  “Saímos cedo: manhã linda, mil flores cobriam os prados. Havia uma então, tão mimosa que prendia a vista; parecia um pouco com o lírio, porém cor de rosa pálido; tão frágil dir-se-ia de biscuit; na corola brilhava uma gota de orvalho; outra, em forma de cacho de florzinhas miúdas, roxas, presas com uma palma. Às oito e meia entramos no Mato grosso, que é afinal, centro de matas virgens; sobre nossas cabeças, teto de verdura: dos lados as árvores são tão chegadas que não há lugar para passar a mão. Ali há cobras e onças”.

Naquele tempo, portanto, se viajava do hoje bairro de Campinas, região metropolitana de Goiânia, até Inhumas sem se ver o sol, apenas em meio às matas sombrias. Por esse relato se percebe o quanto em, cem anos, o homem conseguiu destruir a natureza que nos circundava.

Também, na poesia feminina elaborada em Goiás, nos primórdios de sua cultura, há um espaço especial dedicado a Augusta de Faro Fleury Curado poeta e cronista dos tempos idos. Com estilo romântico, dedicou-se ao verso como exaltação, também, da terra goiana, da qual se enamorou e ficou para sempre. De sua aristocrática chácara Baumann, situada sobre um outeiro na Cidade de Goiás escreveu seus versos inspirados na bela paisagem que lhe descortinava a janela.

O verso de Augusta de Faro Fleury Curado, curto e com laivos mais modernos, embora escrito em 1905, há 110 anos passados, a autora exorta a serra, com sua tarde triste, pouco a pouco descendo. Romanticamente descreve a melodia da natureza nesse momento, como se regendo o entardecer na ampla beleza do fim do dia. Assim como os outros de seu tempo, ressalta, com ênfase, a solidão em meio à paisagem, como um homem só, em meio ao agreste Cerrado, longe de todos os outros lugares.

Esse ideário de alheamento em meio à inospidez dos campos e cerrados, principalmente dos montes e serras da Cidade de Goiás continua na produção da autora:

 

Vem a lua surgindo lenta e bela

Por entre as nuvens diáfanas no espaço,

Como gentil e tímida donzela

Que esconde a face sob um véu escasso.

 

Na terra dormem em silêncio as flores,

Beija-as a brisa tépida e calada

Enquanto triste canta seus amores

A parda sabiá enamorada.

 

Pirilampos azuis que são da terra

As estrelas tais como almas perdidas,

Vagueiam pela serra em desatino.

 

E o pobre poeta, em lágrimas sentidas,

Lamenta o seu infeliz destino

Vergado à angústia que sua alma encerra.

 

Ao descrever o sentimento de tristeza e alheamento em meio à natureza, a autora destaca elementos da paisagem como a parda sabiá, a serra, a terra, a lua, as nuvens, os pirilampos para configurar o cenário cerradeiro, assim como, para dar ênfase ao distanciamento no coração da natureza, na bucólica Via Boa de Goyaz, a cidade “longe de todos os lugares”, como um dia ressaltou Cora Coralina. É o sertão entrando na idealização da poetisa a se mostrar como a natureza reagia nesses lugares diferentes do “civilizado”, mas com sutis toques de genuína beleza campestre. Sertão-ideia, sertão-sentimento. E, assim, o lugar está dentro das ideias, as ideias dentro das pessoas sensíveis como Augusta de Faro Fleury Curado, num tempo distanciado desse grande sertão.

 

(Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado, graduado em Literatura e Linguística pela UFG, pós-graduado em Literatura Comparada pela UFG, mestre em Literatura e Linguística pela UFG, mestre em Geografia pela UFG, doutor em Geografia pela UFG. [email protected])

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