Brasil

Do ponto de vista psiquiátrico, não há esquerda nem direita

Redação DM

Publicado em 5 de julho de 2016 às 01:54 | Atualizado há 10 anos

A mente de um “grande esquerdista” ( p.ex., Lula) é a mesma mente de um “grande direitista/capitalista” (p.ex., Marcelo Odebrecht). Do ponto de vista psiquiátrico não há “esquerda” nem “direita”. As duas mentes convergem para o mesmo ponto, vejamos.

O mundo está cansando de viver sem a “autoridade do indivíduo produtivo”; está querendo o retorno dela (desde o Trump até o Estado Islâmico, passando pela Grâ-Bretanha, que saiu da União Europeia). Estão achando muito ruim isso tudo tanto a esquerda (“mais coletivismo” “mais Estado”) quanto o “alto capitalismo” (empresas grandes, “campeãs nacionais queridinhas do Estado”, empresas que vivem de especulação financeira de país a país, que vivem de emprestar dinheiro para governos). É incrível constatar isso, mas o “alto esquerdismo” sempre esteve de mãos dadas com a “alta direita” (altíssimo capitalismo, ou seja, aquele 1% que detêm 50% da riqueza mundial). A coisa funciona assim :

1/ Um punhado de parasitas da Sociedade (os futuros gestores e efetores do Estado/coletivismo) tem uma excelente ideia: “vamos fingir para o povão que os estamos defendendo contra os patrões exploradores”. No entanto, tais parasitas precisam de “altos empresários” para lhes dar dinheiro, pois o coletivismo – empresa sem dono – não produz nada.

2/ Esses “altos empresários” são os “queridinhos do governo”. Muitos, com ajuda do Estado, têm forte participação em exportação (por ex., soja, carne, ferro, rendem lucros enormes para meia-dúzia e impostos bem fáceis para o Estado). Por isso são favoráveis à globalização, abertura comercial, nem que esta acabe com o micro/pequeno/médio empresário (p.ex., o trabalho escravo na China/Bangladesh destrói trabalho no Brasil).

3/ O “grande capital” adora o discurso de “inclusão/globalização/liberdade de comércio” da esquerda, pois , além das exportações enriquecedoras de meia dúzia, há também o fluxo global de capital especulativo/financista. Este capital especulativo é fundamental para sustentar o déficit dos Estados enormes e gastadores.

4/ Tais Estados gastadores (p.ex., EUA, Brasil, alguns da Europa, etc) pagam juros enormes de dívida. Quando a dívida fica insustentável, (vide Brasil) aumentam impostos “secretos”, “embutidos”, ou deixam a inflação acabar com o dinheiro do povo e, assim, corroer, eliminar, a dívida do Estado (a dívida também é corroída pela inflação).

5/ Por isso é importante para o “grande capitalismo” estimular o Estado, isto é, estimular as “políticas de liberdade”, “direitos”, “inclusão”, “humanismo”, “feminismo”, “antiautoritarismo”, “antipreconceitos”, “antilucro”, “pró-minorias”, “pró-coitados”, “pró-oprimidos”, dentro do estatismo coletivista de esquerda. Efeitos colaterais: um punhado de “filhos-sem-pais”, um punhado de “Meninos-perdidos-na-Terra-do-Nunca”, gente à-toa, só curtindo e vivendo de cotas, bolsa-isso-bolsa-aquilo, aumento de crimes, delinquência, drogas, sexualidade desenfreada (aids, sífilis, gravidezes, abortos, apagamento de fronteiras de gênero em nome do “prazer”), um punhado de universidades e egressos de universidade que sabem tudo de Marx e Foucault mas nada de colocar uma máquina ou uma química na indústria para funcionar, desemprego, “todo-mundo-querendo-virar-funcionário-público”, morte da iniciativa privada das micros/pequenas/médias empresas (asfixiadas pelo Estado-Mastodonte), etc.

6/ O problema é que o “pró-coitadismo/estatismo/capitalismo-de-grandes” está destruindo os empregos dos micros/pequenos/médios empreendedores, e está destruindo coisas “sagradas” para a civilização, tais como família; autoridade moral; papel do pai, do homem, de Deus, na sociedade; religião; “autoridade laboral”; equilíbrio sexual; “meritocracia individual”; valor do indivíduo e da iniciativa privada.

7/ Contra esta destruição da classe média e de valores “tradicionais”, estão se insurgindo entes tão disparatados e divergentes como: Trump, Estado Islâmico, saída da Grã-Bretanha da União Europeia, movimento anti-PT, Front National francês, etc.

 

(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra)

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