Duas histórias
Redação DM
Publicado em 8 de junho de 2016 às 03:27 | Atualizado há 10 anos
“Uma mulher dirigindo em alta velocidade e que tentou atravessar as barreiras de concreto que isolam a Casa Branca foi morta ontem pela Polícia do Capitólio. Ela estava acompanhada de um bebê de 18 meses de idade, que está sob custódia policial e passa bem. Segundo a rede CNN, a motorista era negra, tinha 34 anos e morava no Estado de Connecticut. Fontes disseram à rede de tevê NBC que a mulher não estava armada.” Copiado do site http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/policia-mata-mulher-apos-perseguicao-perto-do-capitolio-em-washington-388a7scqy4e1qzmv3ls2bdp3i
O Whashington Post publicou várias matérias a respeito do assunto, dizendo coisas como: “Vários especialistas disseram que o tiroteio foi justificado, dada a intensidade e incerteza da perseguição. Outros especialistas questionaram se a força letal seria necessário.” “Brian Leary, um porta-voz do Serviço Secreto, recusou-se a fornecer uma cópia de suas agências usam-de-força ou políticas de perseguição. O tenente Kimberly Schneider, porta-voz da Polícia do Capitólio, fez o mesmo.” “O chefe de polícia Cathy L. Lanier disse que os investigadores ainda não sabem qual dos oficiais da agência disparou em cada local.” “A morte de disparo de Miriam Carey não podem justificar acusações criminais, mas questões permanecem.” “Que não haverá nenhum processo criminal deixa sem resposta uma pergunta crítica: Haveria um melhor meio, não letais de lidar com a situação?” “Os promotores disseram ter encontrado provas insuficientes de que os dois agentes que dispararam Miriam Carey usou força excessiva ou tiveram intenção.” “As conclusões da investigação da Procuradoria os EUA sobre a morte de uma jovem mãe depois de uma perseguição de carro angustiante em Capitol Hill resolve a questão de saber se houve responsabilidade penal ou direitos civis.” Certamente que protocolos surgiram do fato, mas não se comentou mais o assunto.
Quinta feira, dia 2 de julho, um menino, conduzindo um carro roubado, foi morto pela PM de São Paulo após tentar fugir com o veículo, e colidir com um ônibus. Em princípio, seu parceiro disse que, após a batida, o condutor disparou contra os PM. Depois, refez seu depoimento dizendo que disparou, mas antes da batida (ainda não se sabe quando mentiu). Os PM estão afastados do serviço enquanto aguardam as investigações. Os ladrões tinham 10 e 11 anos, segundo a imprensa. Os PM já foram punidos, pois o afastamento não é outra coisa que não punição. Saber se o ladrão atirou antes ou depois da batida faz toda diferença para os especialistas. Saber se mentiu não. Para o PM, alvo da artilharia, talvez faça.
Se coloque no lugar do policial e decida: como você abordaria estes meliantes? Sorrindo, de braços abertos, cantarolando uma musiquinha ou com a adrenalina a mil e de arma em punho, pronto para atirar? Que gesto precisaria esperar para atirar? Será que algo ocorreu? Quem quer um emprego deste? Acredite, há quem queira. Faria melhor se o buscasse nos EUA.
Não defendo, nem nunca defendi a execução sumária de marginal algum. Mas dá para pensar duas vezes quando se vive a realidade de um Policial. O que queremos deles? O que esperamos como resultado de suas atuações? Aqueles ladrões, eventualmente eram menores. Nem todos são. O veiculo, comprovadamente era produto de crime. O que fazer? Imagine, pois, se o PM fosse alvejado; se deixasse os “meninos” fugirem; ou se simplesmente ignorassem que o veiculo era roubado, e nada fizessem?
Não. Não se irrite ainda. Não estou defendendo que se feche os olhos para a ação indiscriminada das policias. O que desejo é que se pare para pensar. O caso americano foi debatido, pensado, analisado. Contudo, nenhuma palavra foi dita contra os policiais, até que o caso se encerrasse. Ao fim e ao cabo, busca-se saber: qual o fim da polícia? Porque eles estavam ali? Por que portavam armas de fogo? Quem lhes autoriza portar tais armas? A vitima contribuiu ou não para o desfecho? A vitima é um ser humano? E os policiais? O engano que cometeram foi causado por quais motivos? É humanamente previsivel tais falhas? Como preveni-las? Foram previstas? Aquele ser que, especificamente naquele momento representava o Estado, era capaz de conhecer todas as variáveis do caso? O crime que cometeu, foi motivado ou não? Aliás, no caso de Washington o Comando da Policia declarou: “Não havia como os agentes saberem que havia uma criança de um ano dentro do carro.” Depois disto, um ano depois, o resultado do Ministério Público.
(Avelar Lopes de Viveiros – Cel RR da PMGO)