Brasil

Educação e consciência

Redação DM

Publicado em 10 de abril de 2016 às 01:56 | Atualizado há 10 anos

A escola deve ser um local tanto de elaboração e construção do conhecimento e organização política das classes populares, quanto da solidariedade de classe; um espaço onde se incentive a participação do povo na criação do saber, que é instrumento de luta na transformação da história; um centro irradiador de cultura, para que a comunidade não só se aproprie dela mas também a recrie.

Paulo Freire

 

É grande o debate nos meios acadêmicos, nas unidades escolares, sobre uma escola preparada para proporcionar um ensino de qualidade, uma escola que respeite as diversidades existentes na sociedade, que compreenda a heterogeneidade e a individualidade presentes nos seres humanos. Enfim, uma escola que proporcione educação de qualidade para todos, visto que todos os indivíduos têm a capacidade de aprender de acordo com suas oportunidades, interesses e ritmo.

A educação tem um papel primordial no desenvolvimento e no aprimoramento de uma sociedade. O avanço político, econômico e cultural de qualquer nação depende em grande parte da qualidade social da educação oferecida ao seu povo. Houve um tempo em que a luta popular se voltava para universalização da educação formal, entretanto, hoje, a atenção do povo tem se focado no pleito por uma educação de qualidade socialmente referenciada.

Isso porque, com o amadurecimento democrático da sociedade, entra em vigor, gradualmente, o entendimento de que a educação atua de forma decisiva na possibilidade de cada ser humano tornar-se um sujeito político. Sujeito político, na nossa compreensão, refere-se à capacidade de usufruir de direitos, da condição de igualdade e da conquista da dignidade nas diversas esferas da vida. E é a educação que promove a consciência cidadã e o exercício da cidadania plena. É a educação que oportuniza o desenvolvimento humano integral. E é ela também que promove a realização de projetos de vida, materializados em carreiras profissionais e conquistas nos mais diferentes domínios humanos.

Somos um povo caracterizado por múltiplas facetas culturais e históricas, mas convergimos na crença de que o papel do Estado é garantir o direito à educação de qualidade. Por isso, nossos pensamentos devem ser orientados pelo compromisso de defender a educação de qualidade para todos.

Devemos, enquanto educadores, potencializar reflexões, discussões e ações que desenvolvam em nossos educandos a busca pelo mesmo ideal de formação humana e possam defender a qualidade da educação, a gestão democrática e a avaliação permanente, bem como a democratização do acesso, a permanência e o sucesso escolar compreendidos como indissociáveis da formação e valorização dos trabalhadores em educação. Compreendemos ainda que a educação e o trabalho são vetores da inclusão, da diversidade, da igualdade, e o desenvolvimento da educação de qualidade com certeza propiciará maior oportunidade de alcançarmos uma sociedade justa, com equidade social onde a convivência seja pacífica e harmoniosa.

A concepção democrática de escola respeita o educando como ser único que constrói seu aprendizado, sendo capaz de encontrar a melhor maneira para construir seus conhecimentos. Dessa forma, a aprendizagem proporciona meios eficazes de transformação social através da ação do sujeito capaz de pensar, refletir, interagir, intervir e transformar o cotidiano de maneira a garantir que a cidadania seja real e presente.

É preciso lembrar que a consciência política simboliza nossa conquista da democracia, portanto, temos a responsabilidade de zelar pela sua permanência.

Construir caminhos para que a aprendizagem significativa se efetive é papel da escola e, é papel do sujeito utilizar esse conhecimento na luta por uma sociedade mais humana, justa, ética e harmoniosa.

 

(Márcia Carvalho é pedagoga, psicopedagoga. Mestra em Sociedade, Políticas Públicas e Meio Ambiente, Chefe de Gabinete da Agetul- Agencia Municipal de Eventos, Turismo e Lazer)

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