Brasil

Educação integradora

Redação DM

Publicado em 3 de abril de 2016 às 01:43 | Atualizado há 10 anos

A escola vive um momento de constante ampliação de suas tarefas por meio da inclusão de vários temas como saúde, cidadania, trânsito, finanças e tantos outros. Responsabilidades e compromissos bem mais amplos do que aqueles que a tradição escolar brasileira comumente tinha. A inserção desses novos compromissos no campo educacional é fruto de políticas públicas elaboradas tanto pela esfera educativa quanto por outras esferas sociais, ou ainda, construídas e implementadas de forma compartilhada pelas esferas públicas e privadas.

Esse fenômeno é tido por muitos campos sociais, como um processo de esfacelamento da função da escola e a conseqüente perda de sua identidade pedagógica e cultural. Por outro lado, é imperativo que a educação cumpra seu papel sócio-integrador em face da realidade multifacetada e dos desafios que ela anuncia. De fato esse processo pode engendrar tanto o desenvolvimento de aspectos inovadores, enriquecendo e multidimensionando a prática escolar, quanto ressaltar a desconexão e o conservadorismo.

A concepção de educação com seus ideais de ser humano, de mundo e de sociedade, é o elemento diferenciador e determinante das práticas e posturas desenvolvidas nas escolas a partir do fenômeno de ampliação de suas tarefas. Caso se ancore em uma educação tradicional, primordialmente conteudista, homogeneizante e focada na eficiência da ação, continuará colaborando na formação de seres humanos marcados pela lógica da cisão e da reprodução da desigualdade social. Se, ao contrário, a concepção de educação for indissociável do sentido da vida, a escola se estabelece como um ambiente de vivências educativas, emancipatórias e harmonizadoras.

Em face das profundas desigualdades sociais, a escola não pode impor um acervo cultural fechado, autoritário e estático. Uma perspectiva educativa integral e integradora das práxis humanas é condição para a construção de uma identidade educacional democrática, baseada na interlocução entre as diferentes culturas, no convívio intenso, autêntico e criativo entre todos os elementos da comunidade escolar.

Vivências educativas interpretadas como oportunidade de expressão, de enriquecimento dos modos de vida humana, de reconstrução das experiências de aprendizagem com e a partir da própria ampliação das responsabilidades e compromissos da educação, compreendidos não mais como entraves, mas como necessidades que constituem um convite a tomar parte na construção de uma sociedade sustentável, humana, cidadã, criativa e justa.

Ampliar as tarefas da escola é também expandir o conceito de educação integral para uma educação que seja também integradora. Integral no sentido de desenvolvimento pleno das potencialidades humanas e integradora em suas possibilidades de articular e convergir esforços de todos os segmentos da sociedade capazes de contribuir com a tarefa de formar as humanidades.

Pensar na educação integral é comungar da crença que corpo e mente formam um único ser. O ser humano. A idéia desta educação perpassa pelo desenvolvimento de projetos diversificados que buscam de maneira diferenciada, atingir os objetivos estabelecidos de se aprender mais e melhor. É a educação de qualidade, cidadã, àquela educação preocupada com a totalidade do educando.

O Caminho certo que nos apontam as rápidas e grandes transformações conjunturais é buscar, uma Educação que evidencie seu papel sócio-integrador, fazendo do processo educacional um alicerce seguro para o desenvolvimento da cidadania plena.

 

(Márcia Carvalho é pedagoga, psicopedagoga. mestra em Sociedade, Políticas Públicas  e Meio Ambiente, Chefe de Gabinete da AGETUL- Agencia Municipal de Eventos, Turismo e Lazer)

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