Elas estão ao volante
Redação DM
Publicado em 3 de março de 2020 às 14:06 | Atualizado há 6 anos
Apesar de ser comum ouvir frases sugestivas de que mulher e volante não combinam, essa retórica machista não tem a menor ressonância, conforme dados estatísticos. De acordo com o Infosiga SP – banco de dados que reúne informações de acidentes de diversas fontes -, que apurou dados dos boletins e registros da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal no Estado de São Paulo, as mulheres se envolvem menos em acidentes graves de trânsito. O levantamento de 2017 apontou que apenas 6,4% dos condutores envolvidos nesse tipo de acidente foram do sexo feminino, embora representem cerca de 40% dos motoristas.
O número de mulheres caminhoneiras no Brasil já ultrapassa os 176 mil, um dado crescente de mais de 30% nos últimos anos, segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Apesar do índice representar somente 0,3% da quantidade total de motoristas de caminhões no País, representa uma quebra de paradigma na profissão, que até bem pouco tempo era estritamente masculina.
É condição cultural que os indutores do perfil do motorista do sexo masculino sejam mais agressivos e competitivos na condução de veículos, pois a sociedade acaba impondo esse comportamento aos homens. Contudo, as reações no trânsito variam de acordo com as características comportamentais do motorista independente do gênero, pontua a psicóloga Bianca Cristine Silveira, responsável pelo setor de Recursos Humanos da HP Transportes. “O indivíduo é uma peça chave de integração entre o veículo e a via e, é o principal responsável pela desordem neste ambiente já que suas escolhas diante do trânsito farão a diferença. Neste sentido, a HP ressalta em seus treinamentos com motoristas a questão de comportamentos arriscados, abordando como obter uma condução segura. A empresa busca ainda, com o desenvolvimento contínuo dos profissionais do volante, despertá-los para a valorização da própria vida e a de terceiros, gerando assim o compromisso do cuidado consigo mesmo e com o outro”, enfatiza.
Atualmente, da equipe de 120 motoristas que operam os miniônibus do CityBus 2.0, sete são mulheres. “Elas são as queridinhas entre os clientes, que sempre pedem mais profissionais mulheres à frente do CityBus”, conta a diretora executiva da HP Transportes, Indiara Ferreira, acrescentando que, em recente abertura de vagas para motoristas de CityBus, a HP Transportes divulgou amplamente a disponibilidade e preferência para que mulheres preenchessem essas vagas.
“Quero parabenizar a motorista Keila pelo seu profissionalismo. Que todos os motoristas desse aplicativo sejam como ela”, elogiou por email o servidor público estadual Fábio Resende Martins, cliente do serviço.
A motorista Keila da Silva Vieira, de 35 anos, é casada e mãe de um rapaz de 17 anos. Ela trabalha há oito anos na função, já tendo atuado também na área de transporte de cargas e como instrutora de trânsito. “Desde criança tinha o sonho de ser motorista, então trabalhar na HP Transportes é uma conquista”, avalia.
Sobre o preconceito, a motorista acredita que exista em todos os lugares, principalmente quando um bom profissional entra em destaque. Para Keila, a realização com a profissão é como um filho que ela cuida com amor, procurando se capacitar cada vez mais e buscando fazer a diferença na sociedade. “À medida que eu fui trabalhando, fui me esforçando para me tornar uma motorista profissional de excelência. O CityBus 2.0 me trouxe uma nova visão do transporte, tem aprimorado meus conhecimentos e as relações Interpessoais com clientes e demais pessoas”, afirma Keila.
Há cerca de oito meses como condutora do serviço, a motorista Débora Araújo Correia conta que também sempre desejou a profissão. “Eu nunca havia atuado como motorista, apesar de sempre ter tido esse sonho. A HP Transportes foi a empresa que me deu essa oportunidade”, destaca. A profissional ainda ressalta a visão de como é atuar em um serviço que é inédito na América Latina. “O CityBus 2.0 trabalha com uma preparação muito cautelosa no que diz respeito a atenção constante no trânsito e respeito ao cliente”, conclui.