Brasil

Em quem confiar?

Redação DM

Publicado em 25 de janeiro de 2016 às 21:11 | Atualizado há 10 anos

Ultimamente temos deputados, senadores e outros níveis de pessoas influentes sendo presas, punidas por suas condutas ilícitas. Esses fatos viraram marco, referência de uma chamada ‘mudança de comportamento’.

Mudança daqueles que tem o poder de decidir que sempre tiveram a obrigação de investigar, julgar e punir, mas que por motivos culturais e escusos não o faziam com a lisura e responsabilidade necessária.

Agora, acordes, louvores são dados a quem manda prender, determina devolução de dinheiro e torna público o que antes só imaginávamos velado.

Ao lado de tão excelente mudança, estamos agora convivendo com a incerteza. Pois, cortinas estão sendo derrubadas e deixam às claras a corrupção de quem nem imaginávamos e de quem menos queríamos, com isso a incerteza, a incredulidade nos arrebenta.

Em quem podemos confiar agora?

Não há ministro de reputação tão ilibada que hoje não deixe sobre si a desconfiança de seus votos.

Não governador de comportamento carismático que não deixe sobre si a incerteza da aplicação correta das verbas públicas.

Não há senador de conduta tradicional e cabelos brancos que não deixe sobre si a maldeza de seus conchavos. A pergunta continua, em quem confiar?

Simples, basta analisar, pois, todo homem público deixa em suas ações a marca da sua verdadeira personalidade. Não adianta camuflar seus dizeres com belas palavras, quando suas atitudes contradizem seu verbo.

O homem digno e correto com a coletividade deixa transparecer com seus gestos o caráter de suas palavras. Dentre estes homens temos sim, ainda, alguns políticos que conseguem demonstrar sua integridade diante dos eleitores.

Em quem confiar? Naqueles que minuciosamente se esforçam em ser e não parecer, honesto, pois honestidade não é virtude é obrigação.

Consciência coletiva não é jargão político, é participação/prática. Responsabilidade com o dinheiro público não é aprendizado, é educação pessoal e constante.

Por mais que queiram destituir de todos os créditos a classe política, ainda existem andorinhas fazendo o verão.

Por mais difícil que queiram deixar esse momento de escancaradas falcatruas, ainda existem pequenas formigas transportando toneladas de alimento para sua comunidade e alimentando de esperança a tão desacreditada população.

Por certo, este momento onde as avarezas e misérias da classe política estão postas à mesa, traz para nós a reflexão de que não podemos ser inertes diante das decisões administrativas.

Nossa ausência em fiscalizar e cobrar o emprego digno das verbas públicas, facilitaram a ação dos inapropriados ditos políticos. A inércia coletiva atuou para que desonestos vislumbrassem nisso a oportunidade em ludibriar e enganar.

Façamos aqui nossa mea-culpa, e também nossa motivação, pois já fomos ludibriados, agora nos resta reverter. Nossa indignação não pode nos ausentar da manifestação e do desejo de mudança. Nosso espanto com tantas artimanhas desavergonhadas, não pode nos manter passíveis e reféns do poder político.

É hora de nos mobilizar, mais que isso, hora de nos conscientizar de que não importa o descrédito sempre haverá em quem confiar, basta escutar além das palavras e ver além dos gestos.

Nataniel de Senna, Cabo Senna é cabo da Polícia Militar do Estado de Goiás diretor jurídico da UNIMIL)

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