Em tempos de crise econômica
Redação DM
Publicado em 16 de abril de 2016 às 02:21 | Atualizado há 10 anos
Acompanhar as notícias e análises econômicas diariamente tornou-se um grande exercício de resiliência. Em um dia, o Governo Federal anuncia previsão de queda de 3,05% no Produto Interno Bruto (PIB) para 2016, depois de 2015 ter apresentado a pior retração dos últimos 25 anos.
No outro dia, é o Ministério do Trabalho e Previdência Social a divulgar que mais de 100 mil postos de trabalho com carteira assinada foram fechados somente em fevereiro deste ano. Considerando os últimos 12 meses até fevereiro, a conta é mais assustadora ainda: 1.706.695 empregos formais celetistas encerrados.
Isso para pegar apenas dois exemplos, pois não faltam indicadores desfavoráveis: escalada da inflação, alta do dólar, desconfiança do consumidor. Diante deste quadro extremamente desafiador, ouço de dez entre dez empresários a pergunta: como ampliar a produtividade, manter a empresa competitiva, continuar gerando emprego e apresentar lucro no negócio?
Não há fórmula secreta tampouco manual de sobrevivência. Existem, entretanto, estratégias que podem ser usadas. Uma delas, por mais óbvia que possa parecer, é focar na atividade fim do negócio. Na prática, significa eliminar procedimentos e situações que podem tirar o foco dos gestores.
Neste sentido, a introdução de cartões de benefícios é uma aliada dos departamentos de Recursos Humanos das empresas, pois otimiza a gestão de convênios, reduz custos com encargos e mitiga riscos trabalhistas.
Muitas companhias, independentemente do porte, têm cada vez mais entendido que não há espaço para o famoso “jeitinho brasileiro”. No caso do benefício, me refiro diretamente ao pagamento em dinheiro de benefícios obrigatórios – como vale transporte, vale refeição e alimentação – ou complementares, como auxílio combustível, frota ou frete, por exemplo. Além de ilegal, esse procedimento cria um passivo trabalhista difícil de administrar no longo prazo.
Em 2015, a empresa que fundei há cerca de 20 anos apresentou uma das maiores ativações de cartões da história. Fechamos o ano com R$ 15 bilhões em volume transacionado, o que significa crescimento de 15% em relação a 2014. Ou seja, o crescimento de dois dígitos em um ano complicado é um indicador que corrobora a gestão terceirizada de benefícios como uma estratégia importante no negócio das empresas.
Em momentos difíceis como o que estamos passando atualmente, pensar fora da caixa não significa necessariamente inventar a roda, mas sim buscar soluções práticas e eficientes que contribuem diretamente para fortalecer o negócio.
Toda vez que construí uma empresa visando lucro perdi dinheiro. Mas toda vez que pensei em levar uma solução ao mercado tivemos resultado. E a inclusão social nos dá a grandeza e o propósito em continuar trabalhando para um mundo melhor.
(Humberto Carneiro, presidente da Policard)